A celebração da Novidade, denominada também Festa da Espiga em português, ou Festa do Milho Novo, ou Konnsanchem Fest em konkani (língua do Koncão, zona costeira da India, um idioma indo-ariano que é a língua oficial de Goa), constitui um prezado costume que serve como um lembrete da profunda ligação do povo goês ao seu território e à sua herança agrícola. Conecta a fé, a gratidão e o vínculo sagrado entre os indivíduos e Deus. “Konnsanchem” deriva de konsa ou konsahem (que significa “espigas”, “faixas” ou “primeiras espigas”), ou seja, refere-se ao corte das primeiras espigas da colheita e é comemorado como um cerimonial de agradecimento pela primeira colheita do ano. São envolvidas tradições cristãs, especialmente nas comunidades católicas de Goa e é celebrado em agosto.
É entre as aldeias da ilha de Tiswadi que Taleigão pode desfrutar do privilégio único de celebrar a Novidade. Até ao século XVIII o sítio de Pangim fazia parte da aldeia Taleigão. Pangim, se antigamente era o primeiro bairro da cidade de Nova Goa, agora é a capital do estado de Goa, na India e a sede administrativa do distrito de Goa Norte e da taluca (divisão administrativa de alguns países do subcontinente indiano) de Tiswadi. Por sua vez, Taleigão é um bairro localizado na parte sul da cidade de Pangim.
Foi o grande vice-rei Afonso de Albuquerque, há mais de 5 centúrias, quem atribuiu aos gankars, membros da comunidade de Goa, de Taleigão, este ritual de quatro dias, devotamente defendido pelas famílias de Mendonça, Viegas, Martins, Luís, Gomes, Faria, Almeida, Falcão e Abreu.
Cabe este ano a Camilo Abreu e à sua família, a recolha dos primeiros feixes de arroz. Por sua vez, será da responsabilidade do Vigário Episcopal para a Zona Central da Arquidiocese de Goa e Damão, Rev. P. Henry Falcão, a par do Pároco, P. Caetano Fernandes e o Pároco Adjunto, P. Soccoro Rebelo e outros mais, presidir à solene celebração eucarística especial de ação de graças.
O ritual mais importante consiste numa procissão presidida pelo sacerdote e pelos aldeões até um campo de arroz. Aquele corta o primeiro feixe de arroz com uma foice de prata e profere a bênção da colheita. Os feixes abençoados são então transportados em procissão até à igreja e oferecidos no altar. Após a missa, o cereal abençoado é distribuído aos aldeões, que o levam para casa e o pousam nos altares domésticos.
Embora o âmago do festival passe por uma cerimónia religiosa, é também um evento comunitário recheado de vivências culturais, música e comida.