Um par de calças ou uma camisola podem transformar-se na prenda mais desejada neste Natal na Síria. A Fundação AIS tem em marcha uma campanha solidária para ajudar a minimizar o frio intenso que se faz sentir neste momento neste país do Médio Oriente. A ideia é simples: oferecer roupa quente a cerca de 20 mil crianças cristãs para assim melhor suportarem o Inverno rigoroso que já se faz sentir.
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Um presente de Natal é igual a 1 sorriso. Esta é a ideia-chave da mensagem que a Fundação AIS está a enviar nestes dias para casa de milhares de benfeitores e amigos da Fundação AIS em Portugal. É uma mensagem de alerta para a situação extremamente difícil em que se encontram as populações sírias, com o país em profunda crise e as famílias mergulhadas num verdadeiro sufoco financeiro. Ainda recentemente, o padre Hugo Alaniz, que está em Alepo, veio a Portugal para participar na Red Week, a Semana Vermelha de alerta para a perseguição aos cristãos no mundo, e referiu precisamente as dificuldades económicas por vezes brutais que a esmagadora maioria da população enfrenta neste país do Médio Oriente. “Há 15 anos, os sírios viviam bem. Hoje são pobres e rezam para não adoecerem, pois não há medicamentos ou dinheiro para os comprar”, referiu o padre Alaniz em entrevista à AIS. É neste contexto de extrema pobreza que a Fundação AIS volta a chamar a atenção dos portugueses para a necessidade de se ajudar a comunidade cristã síria. Uma necessidade que ganhou urgência com um apelo que, entretanto, chegou a Lisboa endereçado pela irmã Annie Demerjian. Esta religiosa da Congregação de Jesus e Maria, está também em Alepo e é bem conhecida dos portugueses pois também já esteve no nosso país, em 2018, a convite da Fundação AIS. E na mensagem que agora enviou para Lisboa, a irmã refere que é raro o dia em que não batem à sua porta mães desesperadas que pedem ajuda pois não conseguem comprar roupa para os seus filhos. “É por isto, queridos benfeitores da Fundação AIS em Portugal, que eu volto a pedir a vossa ajuda para estas crianças. Não tenho palavras para vos agradecer toda a generosidade que sempre tiveram para com o povo da Síria. Em nome de cada uma destas crianças, o meu muito, muito obrigada! Que o Senhor vos abençoe infinitamente”, escreveu a religiosa na mensagem enviada para a AIS em Portugal.
Ajudar as crianças e as famílias
A campanha agora lançada na véspera de Natal procura dar resposta a este apelo urgente. Como explica a directora da Fundação AIS em Portugal, numa mensagem que está a ser enviada para milhares de portugueses, “com 18 euros, é possível oferecer aquilo de que estas crianças mais precisam neste Natal: um par de calças e uma camisola quente”. E o objectivo é fazer chegar estas peças de roupa a cerca de 20 mil crianças. Além da ajuda imediata que esta prenda significa em relação ao frio extremo que se faz sentir por estes dias na Síria, esta campanha da Fundação AIS tem também como objectivo auxiliar as famílias cristãs envolvidas na produção destas peças de roupa. De facto, as calças e as camisolas serão produzidas em cerca de 40 ateliers cristãos locais, o que será um contributo também muito importante para o sustento das próprias famílias. Hoje, na Síria, onde um salário mensal raramente ultrapassa os 30 euros, as famílias mal conseguem comprar comida para o dia-a-dia, quanto mais roupa para os seus filhos.
Milagres de amor
À crise económica, e à falta de perspectivas que ensombram o futuro dos cristãos na Síria, soma-se também uma enorme incerteza sobre os caminhos que o país está a trilhar. Há precisamente um ano, a 8 de Dezembro, deu-se a queda do regime de Bashar al-Assad. Desde então, o país mergulhou ainda mais na incerteza. Sinal disso foi o atentado a 22 de Junho deste ano, na Igreja de Santo Elias, em Damasco, a capital do país, que provocou 25 mortos e dezenas de feridos. Este atentado mostrou que, mesmo após a queda do regime, os cristãos continuam na mira dos extremistas. Tudo isso, a violência, o medo, a instabilidade, a crise economia, tudo ajuda também a explicar o êxodo da comunidade cristã. O dia-a-dia das famílias é marcado pelo desespero. A inflação não pára de subir, a água potável é escassa, há electricidade apenas cerca de 2 horas por dia e as sanções internacionais continuam a penalizar sobretudo os mais vulneráveis. Catarina Martins de Bettencourt, a directora da AIS em Portugal, apela à generosidade de todos para mais esta campanha lançada no nosso país. Uma campanha que tem um foco muito particular: ajudar crianças. “Imagine o brilho nos olhos destas crianças ao abrirem o saco que a irmã Annie lhes vai entregar e perceberem que alguém, longe, mas tão próximo, pensou nelas. Este é o tipo de milagres que só o amor consegue fazer. O seu amor”, diz a responsável da AIS. As cerca de 20 mil crianças abrangidas por esta iniciativa da irmã Annie Demerjian e apoiada pela Fundação AIS em Portugal vivem em algumas das regiões mais afectadas pela crise na Síria, nomeadamente em Qamishli, Hassakeh, Sweida, Horan, Alepo, Damasco, Vale dos Cristãos, Hama e Latakia.
Paulo Aido