Terminou a grande jornada vivida por cerca de 50 jovens da Unidade Pastoral de Ourém. Foi uma experiência única e transformadora de fé, partilha e oração comunitária na mítica colina de Taizé, em França.
Estamos agora de regresso, devendo chegar a casa amanhã, ao fim da manhã.
Foram dias intensos de encontro com jovens de todo o mundo, de silêncio interior e de crescimento espiritual que, com certeza, deixarão uma marca profunda no coração de cada um.
Esta viagem inesquecível só foi possível graças à generosidade e ao esforço de muitos. Queremos deixar o nosso mais sincero obrigado a todas as famílias, paroquianos e amigos que, com o seu trabalho, donativos e orações, apoiaram esta caminhada desde o primeiro momento.
Um agradecimento muito especial e institucional à Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e à Câmara Municipal de Ourém pelo apoio fundamental que prestaram, demonstrando mais uma vez estarem ao lado da nossa juventude.
Os nossos jovens regressam a casa com as malas cheias de memórias e o coração renovado para continuar a construir comunidade!

Testemunhos de fé e simplicidade no regresso a casa
Olá, nós somos a Ana Beatriz e a Cláudia de Freitas, pertencentes à Unidade Pastoral 11 da diocese de Leiria-Fátima, nomeadamente da Freixianda e de Formigais, respetivamente, e vamos partilhar a nossa experiência na comunidade de Taizé.
De facto, ao longo desta semana houve diversos momentos que nos marcaram. O primeiro e maior foi o silêncio presente em Taizé, nomeadamente durante as três orações do dia e na Eucaristia. Aquela paz conjunta e única permitiu-nos refletir tanto sobre as leituras lidas como sobre a nossa fé e sentir a presença de Deus de uma maneira que nunca tínhamos sentido antes. Aprendemos que às vezes o silêncio também é uma resposta e uma forma de comunicar, partilhada por todos. Na nossa opinião, a ida ao Jardim do Silêncio também foi muito especial e distinta, devido à paz sentida naquele sítio, além da beleza surreal e excecional.
Além disso, a rotina da comunidade tornou esta experiência ainda mais enriquecedora, pois sentimo-nos importantes e verdadeiramente parte desta. Embora os dias se tenham tornado previsíveis, havia sempre espaço para o fator surpresa, tanto nos cânticos e leituras nas orações, como também nos tópicos de partilha nos nossos grupos de reflexão, onde nos juntámos com outros jovens de Itália, da Suécia e da Alemanha, nos quais partilhámos as nossas perspetivas, sentimentos e até mesmo as nossas dúvidas acerca de Deus. Por outro lado, também tivemos a oportunidade de conhecer as pessoas que praticam a sua religião de maneira diferente em relação à nossa e ver como pessoas tão diferentes se podem juntar e criar laços tão bonitos graças a uma fé comum.
Saímos de Taizé realizadas, gratas por termos sido tão bem recebidas e acolhidas, e felizes por termos abraçado esta oportunidade, visto que conseguimos aprofundar a nossa ligação com Deus e levar memórias inesquecíveis com pessoas incríveis, com o desejo de podermos regressar novamente um dia. Foi uma experiência que sem dúvida valeu a pena e que todos merecem ter e viver.”
Ana Beatriz e Cláudia de Freitas
A minha experiência em Taizé
Fui para Taizé completamente às cegas. Não sabia o que estava à espera, mas sabia que ia ser uma experiência completamente diferente e desafiante, pois a única coisa que sabia era que a comida não era assim tão boa. No final, não foi nada disso que importou.
No início, não sabia bem o que fazer. Apenas seguia o que estava para ser feito: acordar cedo, ir à oração, servir os pequenos-almoços, ter a reflexão bíblica, almoçar, ter outra reflexão e voltar à oração. Dito assim, parece uma seca, mas só parece mau porque não sabia como aproveitar. Após as dicas do Miguel, da Alda, da Caterina e do Joca, fui-me enturmando e comecei a aproveitar cada momento: o momento do silêncio, a fila quilométrica, o calor invernal, entre tantos outros momentos.
Um dos momentos mais marcantes, sem dúvida, foi o momento do silêncio, pois, na correria do nosso dia a dia, esquecemo-nos de parar, refletir e agradecer a Deus. No início, não nego que era difícil, pois os tais sete minutos de silêncio pareciam horas, porque não sabia bem o que fazer. Mas, com todas as dicas que fui recebendo, fui melhorando e comecei a aproveitar cada vez mais esse momento.
Dos momentos em que mais me diverti, sem dúvida, foi o Oyak. Era ali que os portugueses se juntavam para tocar músicas típicas, mas, quando dávamos por nós, já não eram só portugueses: eram pessoas de todas as nacionalidades a aproveitar o momento juntas.
Fui para Taizé com uma mala mais pesada do que eu, um tamborzinho e um sonho: fazer novas amizades e aproximar-me de Deus. E, sem dúvida, consegui.
Um obrigada não chega. Já estou ansiosa pelo próximo ano. Não é um adeus, é um até já, se Deus quiser.”
Constança, paróquia de Nossa Senhora das Misericórdias
Durante os dias 1 a 10 de agosto de 2026, o grupo da Unidade Pastoral de Ourém e o grupo de jovens da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias uniram-se numa peregrinação à Comunidade de Taizé, na Borgonha-Franco-Condado, em França. Eu e os restantes 53 membros, entre jovens e acompanhantes, fomos até esta pequena aldeia para viver a ecumenicidade — a unidade entre as diferentes Igrejas — da cristandade.
Por esta razão, nunca ninguém estava realmente sozinho, já que, no meio de tanta tranquilidade, havia duas opções: socializar em grupo ou passar algum tempo connosco próprios. Não era de todo raro ver duas pessoas de nacionalidades e religiões diferentes a rezarem ao mesmo Deus e pela mesma intenção.
Além disso, o modo de vida da comunidade é tão simples que cada momento do dia adquire um caráter sagrado. O pequeno-almoço ou um período de oração da tarde, por exemplo, são momentos tão simples que fazem com que os momentos seguintes se tornem muito importantes, permitindo-nos completar as 24 horas do dia e manter a energia necessária. Talvez este seja o aspeto mais importante de Taizé: a simplicidade. O contacto com ela faz com que valorizemos as pequenas coisas que, normalmente, no dia a dia, são ignoradas e vistas como algo garantido.
Porém, Taizé não é um lugar de «cinco estrelas» nem é «perfeito», pois existem alguns aspetos que podem tornar a experiência menos agradável, como os banhos de água fria ou a comida, por vezes, duvidosa e bastante simples. Cabe, no entanto, a cada peregrino gerir o impacto que estes pontos menos positivos têm na sua experiência na comunidade.
Em suma, Taizé é, para mim, simplicidade e espiritualidade, onde cada pessoa vive para si e para os outros de uma maneira diferente. Não é possível explicar objetivamente o que é Taizé e o que representa a sua comunidade, pois é uma experiência que cada pessoa vive e interpreta à sua maneira.
Francisco Carreira, paróquia de Nossa Senhora das Misericórdias