Cardeais rejeitam conceito de «guerra justa» e criticam violência em Gaza

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Os cardeais reunidos em consistório extraordinário no Vaticano defenderam a necessidade de ultrapassar a teoria da «guerra justa», alertando para a normalização da violência nas relações internacionais e criticando a desproporção das operações militares em Gaza e no sul do Líbano.

A reflexão foi apresentada pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, numa intervenção divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé. O responsável considerou que o conceito de legítima defesa deve ser interpretado de forma restrita, rejeitando a sua utilização para justificar ações preventivas sem fundamento comprovado.

Segundo o cardeal argentino, a atual «cultura do poder» favorece a aceitação social da violência, recorrendo à desinformação e à descredibilização dos adversários para legitimar novos conflitos. Neste contexto, sustentou que determinadas intervenções militares ultrapassam os limites da legítima defesa.

Os trabalhos do consistório começaram com uma oração pelas vítimas dos sismos registados na Venezuela, que provocaram centenas de mortos e milhares de feridos e desaparecidos.

A sessão da tarde foi dedicada ao quinto capítulo da encíclica «Magnifica Humanitas», de Leão XIV, centrado nas questões da guerra e da reconciliação. Nos grupos de trabalho, vários cardeais defenderam o abandono da «globalização da indiferença» e a construção de uma sociedade assente no amor e no bem comum, sublinhando que o Evangelho não pode ser imposto pela força.

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