O Papa Leão XIV visitou o bairro do Raval, em Barcelona, onde se encontrou com instituições de solidariedade e denunciou o abandono dos idosos e a indiferença perante o sofrimento alheio, numa das zonas da cidade mais marcadas pela pobreza, pela imigração e pela exclusão social.
«Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos», apelou o pontífice, sublinhando a responsabilidade de acompanhar os mais velhos tal como eles, outrora, cuidaram das gerações mais novas. «Parece ter-se perdido o sentido da dignidade sagrada do ser humano», lamentou.
O encontro decorreu na igreja de Santo Agostinho, conhecida como a «catedral dos pobres», situada no casco antigo da cidade, que funciona como polo de apoio a cidadãos estrangeiros e pessoas em situação de sem-abrigo. O Raval é um território marcado pela forte imigração oriunda da América Latina, das Filipinas e do Paquistão, pela habitação precária e pelo trabalho informal.
Entre os testemunhos partilhados esteve o da irmã Encarnación Jordán, da Fundação Amaranta, que alertou para o tráfico de mulheres, e o da secretária-geral da Cáritas Diocesana, Cristina García, que apontou as «estruturas que geram pobreza e exclusão». Xavier, da associação Obinso, alertou para o «sofrimento psíquico» provocado pelas dependências.
Leão XIV encorajou os voluntários a manterem uma atitude de perdão: «Jesus pede-nos que perdoemos porque é a única maneira de experimentar a paz de Deus e de curar feridas espirituais.»