Corpo de Deus reúne milhares de fiéis em Leiria numa manifestação pública de fé

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A Diocese de Leiria-Fátima celebrou, no dia 4 de junho, a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, reunindo milhares de fiéis na cidade de Leiria para a tradicional Festa do Corpo de Deus. A participação registada no jardim de Santo Agostinho e ao longo da procissão foi significativamente superior à do ano passado, estimando-se, pela área ocupada, que tenha duplicado relativamente a 2025.

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O programa começou durante a manhã com a iniciativa «Festa da Eucaristia! Vamos cear com Jesus», dirigida às crianças do 3.º Catecismo que este ano celebram a Primeira Comunhão. Promovido pelo Serviço Diocesano de Catequese, o encontro reuniu crianças, famílias, catequistas e párocos num dia centrado na descoberta e celebração da Eucaristia.

Ao final da tarde, o jardim de Santo Agostinho acolheu a celebração eucarística presidida por D. José Ornelas, que reuniu fiéis provenientes de toda a Diocese. Entre os participantes encontravam-se também D. António Marto, D. Serafim Ferreira e Silva, sacerdotes, diáconos, agentes pastorais, movimentos e associações eclesiais, bem como numerosas crianças que fazem este ano a Primeira Comunhão.

Na saudação inicial, o bispo diocesano destacou o significado da celebração como expressão da identidade cristã e da missão da Igreja. «Celebrar e caminhar juntos para levar Cristo ao mundo constitui o resumo do nosso ser cristão, discípulos e discípulas, missionários e missionárias de Jesus», afirmou. Sublinhando o simbolismo da procissão pelas ruas da cidade, acrescentou que esta permitia «descer com Jesus à vida concreta desta cidade e de cada cidade, freguesia ou comunidade da nossa Igreja de Leiria-Fátima».

A Eucaristia como presença de Deus no caminho do povo

Na homilia, D. José Ornelas desenvolveu uma reflexão centrada na presença de Deus que acompanha e sustenta o seu povo ao longo da história. A partir da primeira leitura, recordou a libertação de Israel da escravidão do Egito e o caminho pelo deserto, sublinhando que Deus continua hoje a acompanhar o seu povo através da Palavra e da Eucaristia.

«O nosso novo Moisés é Jesus Cristo, o Filho de Deus. Na celebração dominical, Ele fala-nos com a sua Palavra, que nos dá direção, força, misericórdia e esperança; torna-se presente no Pão e no Vinho consagrado que nos une, a Ele e aos irmãos e irmãs», afirmou.

O bispo relacionou esta presença de Deus com a experiência recente vivida por muitas comunidades da Diocese na sequência da tempestade Kristin, evocando a onda de solidariedade que surgiu após os estragos provocados pelo temporal.

«Não sentimos apenas a força destruidora do vento: experimentámos também o vento reconfortante da solidariedade de tantas pessoas e instituições, que tornaram presente a solidariedade que Deus suscita em tantos corações», referiu. Segundo D. José Ornelas, o espírito da Eucaristia manifesta-se precisamente nessa capacidade de reunir as pessoas, partilhar recursos e reconstruir a esperança.

«Reúne-nos para que ninguém fique só e abandonado com as suas dificuldades», acrescentou.

Um convite à fraternidade e à inclusão

Na segunda parte da homilia, o bispo diocesano apresentou a Eucaristia como sinal concreto da unidade da Igreja e da fraternidade universal desejada por Deus.

Citando São Paulo, recordou que «visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo, porque participamos do mesmo pão», explicando que a Eucaristia reúne pessoas de diferentes origens, culturas e condições numa mesma família.

«A Eucaristia é a expressão do sonho de Deus», afirmou, acrescentando que este sacramento desafia os cristãos a construir relações marcadas pela partilha, pelo acolhimento e pela superação de todas as formas de discriminação.

Num dos momentos mais marcantes da homilia, D. José Ornelas advertiu que a participação na Eucaristia exige coerência de vida: «Não se pode participar na Eucaristia e ser racista, não se pode partilhar o pão de Deus e dizer a um irmão que se senta ao meu lado “vai para a tua terra!”».

Para o bispo, a comunidade cristã deve ser «um laboratório do mundo segundo o projeto de Deus», inspirada por Jesus Cristo que «não só ofereceu coisas, mas ofereceu-se a si mesmo, deixando-se matar, para não matar ninguém e para dar vida a todos».

A Eucaristia como transformação da vida

A terceira parte da reflexão centrou-se no discurso do Pão da Vida apresentado no Evangelho de São João. D. José Ornelas explicou que a Eucaristia não se reduz a um gesto simbólico ou a uma prática ritual, mas constitui um caminho de transformação pessoal e comunitária.

Recordando a multiplicação dos pães, destacou a atitude do jovem que colocou à disposição de Jesus os poucos alimentos que possuía. «O menino representa a comunidade cristã que assumiu o mesmo sentimento de Jesus: deu tudo o que tinha», afirmou.

A partir deste episódio, sublinhou que não existe verdadeira celebração eucarística sem compromisso concreto com a partilha e a justiça. «Não há verdadeira Eucaristia sem essa partilha do pão que permite a vida, a justiça e a dignidade de cada irmão», declarou.

Ao abordar o significado mais profundo do Corpo e Sangue de Cristo, explicou que participar na Eucaristia significa acolher a própria vida de Jesus e deixar-se transformar por ela. «Participar na Eucaristia não é apenas um rito, um preceito, um dever formal, mas um dom fundamental e um desafio de vida, de transformação e esperança.»

Na conclusão da homilia, deixou um apelo à participação fiel na celebração dominical: «Ele não nos abandona; não abandonemos nós este convite semanal que alimenta a nossa fé, nos une em Igreja e nos torna anunciadores da transformação deste mundo.»

Procissão percorreu as ruas da cidade

Após a celebração, os participantes integraram a tradicional procissão do Corpo de Deus pelas ruas de Leiria. O percurso ligou o jardim de Santo Agostinho ao adro da Sé, passando pelo Largo de Infantaria 7, Rua Tenente Valadim, Largo Alexandre Herculano, Praça Goa, Damão e Diu, Largo 5 de Outubro, Largo das Forças Armadas e Rua da Vitória.

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A procissão contou com a participação das bandas filarmónicas do Arrabal, Bajouca e Bidoeira, de numerosas confrarias, irmandades, movimentos e grupos paroquiais, bem como de ministros extraordinários da comunhão, acólitos, escuteiros e representantes de diversas comunidades da Diocese.

Já no adro da Sé, o vigário-geral, padre Manuel Armindo Janeiro, agradeceu a colaboração de todas as entidades e voluntários envolvidos na organização da celebração, destacando o contributo da Câmara Municipal de Leiria, da Polícia de Segurança Pública, das filarmónicas, das paróquias, dos serviços diocesanos e dos numerosos colaboradores que tornaram possível a realização da festa.

Nas palavras finais, D. José Ornelas associou-se aos agradecimentos e dirigiu uma mensagem especial às crianças da Primeira Comunhão. «Tenham coragem e aqueles que vão fazer ainda a Primeira Comunhão, que tenham boa festa na vossa paróquia, nas vossas vidas e sempre com muito carinho, muito respeito, mas muita alegria para receber o Senhor e participar na Eucaristia.»

O bispo voltou ainda a referir os desafios deixados pela tempestade Kristin, apelando à continuidade dos esforços de recuperação e solidariedade. «Bem precisamos deste elan de força e de coragem para continuar a restaurar os desmandos que o vendaval da Kristin nos deixou», afirmou, concluindo com um convite à ajuda mútua e à reconstrução das comunidades.

A celebração terminou com a bênção final e com a atuação das bandas filarmónicas, encerrando uma jornada marcada pela oração, pela participação de numerosas famílias e por uma expressiva manifestação pública de fé centrada na presença de Cristo na Eucaristia.

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