O cardeal Mario Grech afirmou no Porto que o processo sinodal em curso na Igreja Católica pode contribuir para enfrentar as polarizações e conflitos que marcam o mundo atual. Em declarações aos jornalistas, o responsável destacou que a sinodalidade propõe um método capaz de favorecer o diálogo e a procura de soluções, mesmo em contextos de divergência.
“Há muitos conflitos e polarizações, não apenas guerras. Acreditamos que a sinodalidade pode ser uma forma de enfrentar estas realidades”, referiu, sublinhando a importância de caminhos partilhados na vida da Igreja e da sociedade.
O colaborador do Papa salientou ainda a continuidade entre os pontificados de Francisco e Leão XIV, considerando que o atual Papa pretende dar seguimento ao caminho sinodal, entendido como expressão da eclesiologia do Concílio Vaticano II. Também as reuniões de cardeais e o encontro de presidentes das Conferências Episcopais, marcado para outubro, foram apresentados como exemplos de um estilo de governo mais colegial.
Em Portugal a convite de D. Manuel Linda, o cardeal participa em iniciativas de formação sobre sinodalidade, destacando a necessidade de concretizar, nas Igrejas locais, os frutos do Sínodo dos Bispos. O processo prevê etapas de implementação até 2028, incluindo assembleias de avaliação em dioceses, conferências episcopais e a nível continental.
Mario Grech sublinhou ainda o papel dos sacerdotes neste caminho, defendendo que devem ser acompanhados e envolvidos numa lógica de serviço. “Somos parte deste processo, não uma exceção”, afirmou, reconhecendo que a compreensão da sinodalidade continua em desenvolvimento.