Fátima, um rasto luminoso de esperança!

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Vivemos nestes dias a nossa peregrinação ao Santuário de Fátima…

O evento que lhe dá origem, enquanto expressão da solicitude amorosa de Deus Pai, traduzido em gestos maternos, não só atualiza o convite de Maria nas bodas de Caná – “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5) – como nos faz centrar o olhar na contemplação daquele dinamismo profundo da história da Salvação, em que Deus, mistério de Amor misericordioso, Se foi revelando progressivamente até à loucura da Cruz e à alegria indescritível da manhã da Páscoa! 

Não admira, por isso, que a Divina Providência, perante a deriva do homem moderno – que não só lançou suspeitas (Gn 3,1-5) sobre Deus e sobre a bondade da Sua ação, como Lhe moveu um processo e O expulsou da cidade dos homens, substituindo-O por ideologias totalitárias, degradantes da condição humana –, nos tenha querido visitar, através do Anjo da Paz e da Senhora do Rosário, confiando a três crianças os seus «desígnios de misericórdia».

A escolha de crianças (Mt 19,14) para interlocutores desta Iniciativa divina, recorda-nos que Deus sempre realizou os seus projetos com a colaboração dos simples e dos humildes; e, ao imergi-los na beleza e na alegria do Seu mistério de amor, revela-nos que essa mesma experiência está ao alcance de todos nós! Na medida em que dermos espaço à ação do Espírito Santo, Jesus e o Pai virão ao nosso coração e farão nele a Sua morada (Jo 14,23).

Foi nesta experiência que os Pastorinhos enraizaram a sua confiança inabalável em Deus e nos seus Mensageiros; denunciaram o pecado dos homens, que nos afasta de Deus e dos irmãos, e fizeram-se profetas do Seu perdão; celebraram a Sua paz e indicaram o caminho, antigo e sempre novo, da liberdade que o amor de Deus nos dá ao atrair-nos para Si! Esta liberdade divina, que não conhece limites nem pede licença para intervir, aconteceu em Fátima!  

Ali se cumpriram duas liberdades numa “dança luminosa”: a de Deus, na Sua livre e amorosa iniciativa, e a do Homem, em resposta confiante de adesão a Cristo e mudança de vida, admiravelmente testemunhada pelos Pastorinhos.  

Ali, ao contrário do homem moderno – que vê Deus como concorrente e seu inimigo – três crianças viveram plenamente uma relação íntima e feliz com Deus, sentindo-O totalmente confiável, ao ponto de elas, mesmo ameaçadas, afirmarem que não a trocariam por nada deste mundo, mesmo correndo o risco de perder a própria vida.

Em Fátima, por isso, somos convidados, pelos Pastorinhos e pelos Mensageiros celestes, a redescobrir o coração da nossa fé e a crescer na confiança filial em Deus – Trindade Santíssima para que, vivendo como filhas e filhos muito amados, sejamos suas testemunhas na alegria e na esperança do Ressuscitado.

Santa Páscoa do Senhor!

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