Sinodalidade exige abertura e participação de todos para avançar

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Fátima, 10 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, afirmou na abertura do II Encontro Sinodal Nacional, que a atual conjuntura mundial torna “ainda mais urgente” aprofundar a sinodalidade na vida e missão da Igreja.

O responsável destacou que conflitos e crises globais ameaçam vidas e recursos essenciais, afetando especialmente os mais vulneráveis, e criticou a atitude “despudorada e despótica” de algumas lideranças mundiais, que promovem subjugação e apropriação de riquezas. Para D. José Ornelas, a Igreja deve ser “laboratório de sinodalidade”, promovendo diálogo, reconciliação e participação ativa de todos, em especial na acolha dos mais frágeis e na criação de redes de decisão e partilha.

O presidente da CEP recordou que o II Encontro Sinodal Nacional dá continuidade ao percurso iniciado pelo Papa Leão XIV, que pediu paz e reafirmou a sinodalidade como caminho de renovação da Igreja, capaz de responder aos desafios contemporâneos. Este percurso, sublinhou, permite avaliar os frutos do Documento Final do Sínodo e projetar os próximos passos da sua implementação.

O encontro, que reúne representantes de dioceses e organismos da Igreja em Portugal, decorreu sob o tema “Da escuta à missão: Espiritualidade sinodal e implicações pastorais”. Durante a tarde, os participantes trabalharam em grupos na metodologia sinodal de “conversação no Espírito”, promovendo a partilha de iniciativas que concretizam a sinodalidade e reforçam a participação do povo de Deus.

Participantes rejeitam o conforto e o medo da mudança

Cláudia Vieira, da Equipa Sinodal da Diocese do Algarve, apontou que “mobilizar as pessoas nem sempre é fácil” e que “o maior obstáculo é desmontar estruturas já existentes para criar novas”. A escuta mútua, disse, é fundamental, com respeito e cuidado por cada missão individual.

Clara Palma, da Diocese de Beja, referiu que o “medo de mudança” e o conforto travam a implementação da sinodalidade, apelando ao diálogo e à participação ativa de todos. Vanessa Reis, do Ordinariato Castrense, destacou a dificuldade causada pela dispersão territorial e constantes transferências de militares, mas sublinhou o papel dos leigos na continuidade do trabalho pastoral.

Ricardo Oliveira, de Viana do Castelo, testemunhou que a sinodalidade permite “quebrar barreiras e métodos obsoletos” e agregou esforços na preparação do jubileu da diocese em 2027. O padre Sérgio Torres, de Braga, salientou que a metodologia sinodal exige escuta, compreensão e paciência, afirmando que “o caminho é este” apesar dos obstáculos e resistências.

O encontro evidenciou que a sinodalidade depende da abertura do coração e da mente, do compromisso de leigos e sacerdotes e da vontade de caminhar juntos, construindo uma Igreja mais participativa e corresponsável.

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