Numa iniciativa da embaixada da Hungria em Portugal e da Associação Portugal-Hungria para a Cooperação foi evocado, no passado dia 7 de março, em Fátima, o cinquentenário do Calvário Húngaro, ocasião na qual também se homenageou o padre Luís Kondor, responsável com outro sacerdote húngaro, Elias Kardos, pela construção da via sacra e do monumento referido.
Durante a celebração da Eucaristia na capela do Calvário, presidida pelo cardeal primaz da Hungria, D. Péter Erdő, a homilia foi proferida por D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. Falou do Calvário Húngaro como “memorial da misericórdia de Deus”, num mundo que “tem necessidade deste amor misericordioso que vence o mal face às numerosas manifestações de sofrimento, de injustiça, de violência e de guerra, para que reine a paz”. E citou uma carta do cardeal, na qual Péter Erdő afirma: “Fátima é de facto um santuário importantíssimo para a nação húngara, símbolo da divina providência e da intercessão de Nossa Senhora também pelo nosso povo. Esta devoção manifestou-se também através da construção do Calvário Húngaro com a bela capela que continua a ser próxima ao coração dos húngaros que vivem na Hungria ou em qualquer outra parte do mundo”, informou a Sala de Imprensa do Santuário de Fátima.
Para além do Bispo diocesano e do Primaz da Hungria, o programa comemorativo contou ainda com a participação do Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, do presidente da República da Hungria, János Áder, e da embaixadora da Hungria em Portugal, Breuer Klára, entre outros representantes de entidades civis e religiosas.
De tarde, Marco Daniel Duarte, diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima, fez uma conferência sobre a história do monumento. Destacou, segundo nota da Sala de Imprensa do Santuário, que “a documentação que se encontra nos arquivos relativa à construção do Calvário Húngaro não deixa dúvidas de que esta edificação é uma bandeira identitária do sentir político e espiritual dos húngaros da diáspora”, uma obra entendida, “desde a primeira hora, como uma metáfora do ‘Calvário’ que viviam os húngaros que sentiam ser-lhes negada a liberdade, incluindo a liberdade religiosa, no seu país de origem”.
O que é o Calvário Húngaro
A capela de Santo Estêvão, mais conhecida por Calvário Húngaro, é a meta da Via-Sacra, interligada por um caminho de pedra, que se inicia na rotunda de Santa Teresa de Ourém. As 14 estações e a capela foram oferecidas pelos católicos húngaros refugiados no Ocidente, na década de 60 do século passado, durante o período comunista. A 15ª estação, de 1992, foi oferecida por uma paróquia húngara, em sinal de “gratidão pela ressurreição da Hungria”, após a queda do comunismo. A capela, remodelada em 1994, inclui mosaicos que representam as Aparições na Cova da Iria, as sete dores de Nossa Senhora e a consagração da nação húngara a Maria, feita pelo primeiro rei daquele país, Santo Estêvão, em 1038, santo que viria a dar o nome à capela.
Uma estátua ao padre Kondor

Na ocasião, o Presidente da República da Hungria traçou o percurso de vida e a obra do seu concidadão, dizendo: “Nenhum dos seus próximos era indiferente ao padre Kondor, que foi um bom homem e um bom pastor”.
Já na Missa da manhã, o bispo de Leiria-Fátima tinha lido uma mensagem do Papa Francisco, pela qual se unira a esta homenagem e convidava “quantos o conheceram e amaram a seguir o rasto por ele deixado no seu multiforme, jubiloso e incansável serviço à difusão da mensagem de Fátima”.