O Santuário de Fátima apresentou, esta segunda-feira, 12 de outubro, o Certificado da Peregrinação a Pé a Fátima, e a respetiva credencial, uma iniciativa destinada a reconhecer e valorizar a peregrinação a pé à Cova da Iria. A credencial estará disponível a partir de 13 de outubro, Dia Nacional do Peregrino, e parte do valor da sua venda reverterá para fins sociocaritativos.
A iniciativa foi apresentada pelo reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, durante a conferência de imprensa realizada no Santuário, por ocasião da Peregrinação Internacional Aniversária de outubro.
Designada «Via Pacis — Peregrinação a Pé a Fátima», a proposta inclui uma credencial que acompanha o peregrino durante o caminho e um certificado que poderá ser obtido após a chegada a Fátima, desde que sejam cumpridos os critérios definidos pelo Santuário.
Segundo Carlos Cabecinhas, a iniciativa «pretende valorizar a peregrinação a pé, promover os Caminhos de Fátima e reforçar a dimensão espiritual da experiência de peregrinar a pé à Cova da Iria», respondendo também a um pedido que vinha sendo feito por muitos peregrinos.
O reitor sublinhou que o objetivo não é apenas certificar a chegada. «Não se trata tanto de reconhecer e assinalar a chegada ao Santuário, como sobretudo valorizar o percurso na sua totalidade», explicou, referindo que isso significa «valorizar a partida, o caminho, a chegada ao Santuário e o regresso».

Credencial acompanha todo o percurso
A credencial foi concebida para acompanhar o peregrino ao longo de todo o itinerário. Em formato desdobrável, inclui campos para identificação, indicação do local e da data de partida, espaço para o carimbo da diocese ou paróquia de origem e para outros carimbos recolhidos durante o percurso.
O documento integra também um código de resposta rápida que permite aceder a uma página do sítio do Santuário de Fátima, onde estarão disponíveis um formulário de registo, o enquadramento da iniciativa, os critérios para a atribuição do certificado e as instruções necessárias para o obter.
Além da componente de identificação do percurso, a credencial inclui propostas destinadas à vivência espiritual, nomeadamente textos breves de oração para acompanhar o caminho, uma oração para a peregrinação e outra para a chegada e o envio.
A intenção, explicou o reitor, é «ajudar os peregrinos a viver o caminho, não apenas como deslocação física, mas como caminho interior, experiência de fé e experiência de encontro».
Carlos Cabecinhas salientou que é precisamente a motivação religiosa que distingue uma peregrinação de outras formas de deslocação. «Aquilo que distingue a peregrinação de uma outra deslocação é a sua motivação. A peregrinação é uma deslocação com motivação religiosa», afirmou.
Um euro e meio de cada credencial destinado a fins sociocaritativos
A credencial terá o preço de dois euros e poderá ser adquirida nos espaços comerciais do Santuário de Fátima e na loja em linha.
Dos dois euros pagos por cada credencial vendida diretamente pelo Santuário, 50 cêntimos destinam-se a suportar os custos de produção e operação e 1,50 euros serão encaminhados para uma finalidade sociocaritativa.
A primeira instituição beneficiária será a Associação Acreditar — Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Assim, a partir de 13 de outubro, por cada credencial vendida diretamente pelo Santuário, 1,50 euros reverterão a favor desta associação.
A instituição beneficiária será alterada periodicamente. De acordo com o reitor, o Santuário pretende definir anualmente a entidade a apoiar, permitindo que a iniciativa contribua para diferentes instituições de natureza caritativa.
Numa fase posterior, o projeto deverá também envolver dioceses, paróquias e movimentos eclesiais. A intenção é que estes organismos possam adquirir as credenciais ao preço de custo e destinarem a componente sociocaritativa às iniciativas que eles próprios decidam apoiar.
Percurso mínimo de 13 quilómetros
O Certificado do Peregrino de Fátima será emitido em nome de quem tenha realizado a peregrinação a pé e demonstre ter cumprido os critérios estabelecidos pelo Santuário.
Entre as condições está a realização de um percurso mínimo de 13 quilómetros, número escolhido pela sua ligação à história e à mensagem de Fátima.
A comprovação do percurso poderá passar pela recolha de carimbos ao longo do itinerário, incluindo o do lugar de partida. O Santuário incentiva a que esse ponto de partida seja um lugar eclesial, como uma Sé, uma igreja paroquial ou uma instituição da Igreja.
O reitor esclareceu, contudo, que estes elementos não serão considerados de forma «exclusiva nem inflexível». Para comprovar a peregrinação poderão ser utilizadas a nova credencial do Santuário, a credencial já existente dos Caminhos de Fátima ou outros suportes que permitam verificar o cumprimento dos critérios estabelecidos.
«A iniciativa do Santuário não pretende excluir nenhuma das iniciativas que já existem», frisou Carlos Cabecinhas, acrescentando que o objetivo é «integrar todas essas iniciativas pré-existentes».
Antes de iniciar a peregrinação, o peregrino poderá ainda preencher um formulário em linha com os seus dados de identificação e informações sobre o percurso, incluindo o local e a data de partida e a data prevista de chegada.
Certificados começam a ser emitidos a 29 de novembro
Embora a credencial esteja disponível para aquisição a partir de 13 de outubro, a emissão dos primeiros certificados só terá início em 29 de novembro, primeiro domingo do Advento e início do novo ano pastoral.
A partir dessa data, os peregrinos que cumpram os requisitos poderão solicitar o certificado nos serviços de atendimento do Santuário de Fátima, apresentando os elementos necessários à verificação da peregrinação realizada.
Com a nova iniciativa, o Santuário pretende reconhecer a peregrinação a pé como uma experiência que articula o esforço físico com a dimensão espiritual, reforçando também a ligação do peregrino à comunidade de onde parte.
«Esta proposta procura também reforçar a dimensão eclesial e comunitária da peregrinação, valorizando a saída a partir da Igreja ou da comunidade local e o caminho percorrido até à chegada à Cova da Iria», explicou o reitor.
O certificado pretende, por isso, reconhecer uma experiência que, segundo Carlos Cabecinhas, «não se esgota na chegada ao Santuário», mas se desenvolve ao longo de todo o percurso e se prolonga no regresso do peregrino à sua vida quotidiana.
A iniciativa integra-se, acrescentou, na missão do Santuário de Fátima de acolher os peregrinos e favorecer a vivência da mensagem de Fátima, contribuindo para afirmar a Cova da Iria como «lugar de chegada, de encontro e de renovação espiritual» para quem peregrina a pé.