No domingo, dia 4 de outubro, o nosso bispo D. José Ornelas apresentou, no Centro Cultural Mercado Sant’Ana, em Leiria, as grandes opções do novo Projeto Pastoral da diocese de Leiria-Fátima para os próximos quatro anos, numa assembleia de cerca de três centenas de fiéis leigos, religiosos e presbíteros.
Deste modo, no dia da Igreja Diocesana, deu-se início ao quadriénio pastoral com o olhar focado na renovação das Comunidades. Guiada pela carta pastoral “Igreja Sinodal, Ministerial e Missionária”, a nossa Diocese assume como grande prioridade o desenvolvimento e a organização dos ministérios ao serviço da comunhão e da missão, dando continuidade ao caminho sinodal impulsionado pelo Papa Francisco.
Enraizado no Concílio Vaticano II e nas conclusões do recente Sínodo dos Bispos, este Projeto Pastoral desafia cada batizado a redescobrir a sua identidade cristã e a assumir uma corresponsabilidade ativa na edificação da Igreja Diocesana.
1. Batismo, fonte de novas relações que impelem à conversão permanente
O Projeto sublinha que ser cristão não é uma vivência individual ou isolada, mas uma experiência comunitária. O nosso bispo apela, por isso, a uma verdadeira “conversão relacional”, onde a qualidade das relações humanas dentro das famílias e paróquias seja o termómetro da fidelidade ao Evangelho.
Neste sentido, a pastoral do Batismo será alvo de especial atenção, para que não seja visto como mero rito social, mas como transformação real que faça descobrir na Igreja a família de Deus e, na sua missão, a partilha da alegria de sermos filhos e irmãos em Cristo.
2. Para uma Igreja batismal ministerial: ministérios ordenados e laicais
O grande foco deste quadriénio reside na articulação e promoção dos diferentes dons e serviços. O Projeto propõe uma transição da antiga estrutura piramidal para um modelo de corresponsabilidade, estruturado em duas grandes frentes:
– ministério ordenado: não só nem principalmente pelo facto de os sacerdotes serem menos, mas para que a Igreja Diocesana possa dar testemunho do seu Senhor com o contributo de todos os dons e carismas que Ele lhe concede.
Neste quadriénio, queremos discernir e articular o serviço dos ministérios ordenados, instituídos e outros não instituídos, à Diocese e suas Comunidades.
Destaca-se, neste contexto, a dinâmica das Equipas Presbiterais (dos padres a trabalhar em conjunto nas Unidades Pastorais) e a forte aposta no Diaconado Permanente, de cujos candidatos, em preparação, se espera que deem um precioso contributo nos serviços da caridade, da pregação e da administração dos sacramentos.
O Projeto prevê ainda o repensar do Seminário Diocesano e do Serviço das vocações.
– ministérios laicais: seguindo as orientações do Papa Francisco e da Conferência Episcopal Portuguesa, a Diocese está a preparar a implementação dos ministérios instituídos do Leitor, Acólito e Catequista. Estes serviços irão para além da liturgia: ao Leitor pede-se que promova o conhecimento da Palavra de Deus; ao Acólito, que introduza a comunidade na contemplação dos mistérios que celebra e fomente a sua coerente tradução prática; ao Catequista, que caminhe com quantos desejam aprender a viver segundo o Evangelho de Jesus, numa comunidade de discípulos.
Além destes três ministérios, há mais dois ministérios laicais em estudo: o da “Presidência da celebração dominical na ausência de Presbítero” e o da “Presidência das exéquias” (funerais), para assegurar acompanhamento na dor e presença orante da Comunidade, num dos momentos mais delicados da vida das famílias.
3. Unidades Pastorais para criar novas ligações
A reorganização territorial da Diocese em Unidades Pastorais (UP) – processo iniciado em 2024 e concluído no ano seguinte – entrou na fase da consolidação. O objetivo não é extinguir a identidade das paróquias, mas sim colocá-las em rede para criar sinergias.
As UP oferecem o terreno ideal para a partilha de recursos humanos e lançamento de projetos comuns, tanto ao nível da formação como do desenvolvimento de novas iniciativas (para os jovens e a iniciação cristã…).
O Projeto prevê a criação de estruturas de coordenação ao nível das Unidades Pastorais e a revisão e ajuste dos estatutos dos Conselhos Pastorais e Económicos para que funcionem como órgãos de efetiva escuta e decisão sinodal.
4. Uma Igreja “em saída” face aos desafios sociais
O Projeto Pastoral rejeita uma postura de mera conservação e resignação, desafiando as Comunidades a ir ao encontro dos novos “areópagos” e carências da sociedade, tais como:
- afastados e jovens: para compreender as razões do abandono daqueles que se esqueceram da Igreja e criar novas estratégias para os jovens, com particular atenção ao crescimento do ensino universitário na região de Leiria;
- imigrantes: para promover o acolhimento digno e sem preconceitos dos novos habitantes que chegam ao território, integrando-os como verdadeiros irmãos;
- pobreza e doença: para fortalecer a rede sociocaritativa (Cáritas, Centros Sociais Paroquiais e outros grupos) da Diocese e reorganizar a assistência espiritual nos lares e nos novos hospitais presentes no seu território;
- comunicação e inteligência artificial: para desenvolver competências digitais e mediáticas, e colocar a informação e a comunicação ao serviço da evangelização, gerindo os riscos das novas tecnologias.
Por último, o nosso bispo referiu que a nossa Diocese, numa feliz coincidência, em 2030, celebra duas datas significativas dos seus padroeiros: os 1600 anos da morte de Santo Agostinho e os 100 anos do reconhecimento canónico das Aparições de Fátima “como dignas de crédito”, pelo então bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva.
Se de Fátima nos vem o anúncio profético da esperança em tempos difíceis – através do testemunho de três humildes Pastorinhos da Senhora do Rosário -, de Santo Agostinho nos chega o convite a não nos resignarmos, pois mais importante que o mundo velho que está a desaparecer é o mundo novo que está a nascer e no qual importa estar presente para anunciar o Reino de Deus, percorrendo caminhos de paz e de justiça, de solidariedade e amor fraterno, em colaboração com todos os homens e mulheres de boa vontade.