Nota Pastoral para a Semana da educação Cristã (2 a 22 de outubro)

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Nota Pastoral da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé para a SEMANA NACIONAL DA EDUCAÇÃO CRISTÃ – 2 a 11 outubro 2026

1. Todos convocados

A Semana Nacional da Educação Cristã é um momento significativo para refletir sobre a missão educativa da Igreja nos tempos atuais e agradecer a todos aqueles que, diariamente, se dedicam ao serviço da formação humana, ética, espiritual e cristã das novas gerações. Conscientes de que educar é um bem comum e um ato de esperança, dirigimo-nos aos titulares de cargos de administração, direção e gestão escolar, aos educadores cristãos, professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, das escolas católicas, aos párocos e aos catequistas. Vocacionados e com sentido de responsabilidade, todos somos convocados para um pacto educativo que coloca a pessoa no centro da ação e da finalidade educativa, inclusiva e participada. Somos desafiados a envolver e a conduzir as crianças e adolescentes para o saber e, principalmente, para a sabedoria e a profecia, a partir da fonte de vida nova que é Cristo Ressuscitado.

Dirigimo-nos, especialmente, a todos os alunos e catequizandos que conservam a legítima expetativa de ver desenhado à sua frente um mapa seguro de crescimento e de realização integral, inspirado e norteado pelo Evangelho.

Caros alunos e catequizandos, não tenhais medo de sonhar, de traçar novos mapas, e de iluminar as comunidades educativas/paroquiais com o fulgor e o brilho de quem se dispõe a aspirar ao alto e à profundidade de ser mais e melhor pessoa.

2. “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5)

A criação e a humanidade não navegam para o absurdo ou para a errância, mas permanecem acompanhadas pela providência e assistência de Deus, que sempre faz novas todas as coisas. É Ele que inspira os que detêm a sublime missão educativa, chamando a revelar mapas de sentido e de destino, renovando formas, modos e linguagens de apresentar como nova a mesma rota de humanização plena. Trata-se de um longo itinerário educativo de pessoas com pessoas, que promove o encontro com a verdade, com a proximidade que humaniza, os valores humanos que escoram a personalidade, os pilares que formam a consciência, e as atitudes de diálogo que favorecem a escuta e o discernimento dos sinais dos tempos e das marés. Os que fazem parte da constelação educativa são, assim, chamados a criar, transformar e gerar respostas renovadas aos desafios com que se deparam, em cada uma das suas circunstâncias.

A educação cristã contribui para nutrir todas as dimensões do ser humano, dirigindo-se à formação da inteligência, da afetividade, da consciência, da espiritualidade e do sentido de responsabilidade para com o próximo. Pode, assim, ajudar a renovar a família, a escola, a comunidade cristã e a própria sociedade, promovendo uma cultura de reconciliação, perdão, paz, bem comum, justiça e diálogo, bem como de cooperação e de trabalho conjunto à maneira de Neemias. (Magnifica humanitas, 241)

3. Cultivar a relação e a interioridade com a sabedoria do coração

A par das emergentes possibilidades tecnológicas, assiste-se a sinais de uma particular preocupação com a sua humanização, com o acolhimento dos mais frágeis, a defesa dos direitos humanos e a sensibilidade ecológica. Numa época também marcada pela fragmentação cultural, pelo individualismo e pela crise das relações humanas, manifestas pelo isolamento social de muitos, pela solidão e pela fragilidade dos vínculos familiares e comunitários, importa traçar trajetórias de navegação segura, capaz de ancorar a pessoa em referenciais sólidos de repouso e de abrigo.

Especial reflexão merece o mundo digital, que oferece oportunidades extraordinárias para auxiliar a produção, gestão e mobilização dos seus resultados ao serviço da pessoa e da humanidade. Acarreta, no entanto, desafios relacionados com a verdade, o discernimento e a liberdade, comprometendo alguns dos mais humanos atributos da pessoa: a interioridade, a reflexão, o pensamento crítico, as decisões conscientes, a criatividade, os valores, a procura de sentido existencial e de realização pessoal. Acolhendo o pensamento e as preocupações do Papa Leão XIV, relembramos que a inteligência artificial é desprovida de coração e que é necessário, à luz da Doutrina Social da Igreja, saber “guiar com sabedoria a inteligência artificial, formando corações capazes de caridade, compaixão e responsabilidade” (Audiência com a Rede Internacional de Legisladores Católicos, 21/08/2026).

Vivemos um tempo que convoca os educadores cristãos a, no seguimento do Mestre e Senhor, serem bússolas no meio da complexidade e incerteza, astros que norteiam caminhos, construtores de pontes e semeadores de esperança, capazes de acompanhar as novas gerações e com elas navegar com propósito, sentido e coragem nos novos tempos, através de novos mapas.

Seja o educador cristão uma escola viva de humanismo e semente de esperança. Fazendo novas todas as coisas até então feitas, seja verdadeiro artífice de humanidade, na comunidade paroquial, na escola e na sociedade.

Confiamos esta Semana Nacional da Educação Cristã à Virgem Maria, Mãe dos Educadores e exemplo da sabedoria.

Saibamos seguir o exemplo de S. João Henry Newman, copadroeiro do mundo educativo, na procura da Verdade através da Educação.

Lisboa, 21 de setembro de 2026
São Mateus, Apóstolo e Evangelista

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