
A catequese deve “criar oportunidades de silêncio, encontro e aprofundamento”, ajudando crianças e adolescentes a “encontrar sentido para a vida” num contexto marcado pela constante ligação ao mundo digital. A proposta foi apresentada pelo padre José Henrique Pedrosa, diretor do Serviço de Catequese de Leiria-Fátima, em declarações aos jornalistas no final da mesa-redonda «Inspiração catecumenal: recursos e dinâmicas que geram discípulos», que ontem decorreu no âmbito das Jornadas Nacionais de Catequistas, em Fátima.
“A catequese tem que ir àquilo que é o mais essencial e muitas vezes tem que ter a ousadia de propor outras coisas, de propor o tempo também de intimidade, o tempo de silêncio, o tempo de encontro, o tempo de aprofundamento, o tempo em que as pessoas possam encontrar consigo próprias”.
Para o responsável pela catequese de Leiria-Fátima a presença “das redes sociais e dos estímulos digitais” na vida dos mais novos não pode ser ignorada, mas também não deve “determinar todas as propostas catequéticas”. Num contexto em que crianças e adolescentes estão frequentemente “ligados aos dispositivos e em constante movimento”, o sacerdote considera que a proposta pode até fazer uma espécie de contraponto e considera ser importante criar espaços que favoreçam a interioridade e a descoberta pessoal.
“É uma das necessidades que se vai sentindo também no mundo atual, estão sempre tão ligados e estão sempre em movimento, é que as pessoas também tenham esta necessidade de poderem encontrar-se a si próprias e de poderem encontrar sentido para aquilo que é a sua vida”, explicou.
Neste sentido, a catequese não deve limitar-se a multiplicar atividades, mas proporcionar condições para a oração e para o encontro com Deus. Como referiu o responsável, é necessário criar “o espaço para o encontro e o encontro também naquilo que é o quarto secreto para estar em silêncio com o Senhor”.
Novos recursos desafiam catequistas e comunidades
O padre José Henrique Pedrosa destacou também a importância dos novos recursos catequéticos, estruturados segundo uma perspetiva de inspiração catecumenal e orientados para a formação de discípulos missionários.
O desafio, explicou, passa por acolher estas propostas e colocá-las em prática, envolvendo as famílias e as comunidades no percurso de fé das crianças e dos adolescentes.
“Procurar acolher com alegria, com abertura, com vontade, este sentido de querermos pôr em prática aquilo que é a proposta para a Igreja em Portugal”, afirmou, considerando que os materiais resultam da reflexão sobre a realidade concreta e procuram responder aos desafios atuais da Igreja.
Questionado sobre a receção dos novos recursos, o diretor do Serviço de Catequese de Leiria-Fátima referiu que as primeiras experiências têm sido positivas.
“As crianças e os adolescentes têm gostado muito dos novos recursos, o feedback que têm tido tem sido um bocadinho nessa perspetiva, mas sempre também com este sentido destes desafios que vai lançando e da novidade que tem”.
A aplicação das propostas exige, contudo, um processo de adaptação e preparação pois “nem sempre é fácil numa primeira fase poder colocar tudo em prática”, o que exige “um processo de adaptação”, reconheceu.
O sacerdote sublinhou, por isso, a importância da formação dos catequistas, para que conheçam melhor o itinerário e possam concretizá-lo nas suas comunidades.
“Também os catequistas têm agora este desafio grande de poderem fazer formação, de poderem estudar, de poderem estar mais próximos destas propostas para poderem depois aplicá-las nas suas comunidades”, afirmou.
A participação das famílias e da comunidade cristã constitui outra dimensão essencial do percurso, que procura ultrapassar uma catequese vivida apenas dentro do grupo. Entre os desafios apresentados estão a participação da comunidade nas atividades, a aproximação dos grupos à vida paroquial e o envolvimento das famílias na experiência de fé dos mais novos.






Uma catequese que ajuda a encontrar sentido
A reflexão do padre José Henrique Pedrosa aponta para uma catequese que não se limita à transmissão de conteúdos, mas que procura acompanhar crianças e adolescentes na construção de uma relação pessoal com Deus e na descoberta do sentido da própria vida.
A inspiração catecumenal, presente nos novos recursos, propõe um caminho que envolve diferentes dimensões da experiência cristã e convoca catequistas, famílias e comunidades a participar no crescimento da fé.
A mesa-redonda «Inspiração catecumenal: recursos e dinâmicas que geram discípulos» contou também com a participação dos padres Tiago Neto, diretor do Sector da Catequese do Patriarcado de Lisboa, e Luís Miguel Rodrigues, presbítero da Arquidiocese de Braga, catequeta e diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
As Jornadas Nacionais de Catequistas decorreram nos dias 17 e 18 de outubro, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, sob o tema “A inspiração catecumenal da catequese” e o lema “Ai de mim, se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16).
(Notícia publicada em https://educris.pt/jnc26-a-catequese-tem-de-propor-tempo-de-silencio-encontro-e-aprofundamento-lembra-o-padre-jose-henrique-pedrosa/)