A Colónia Balnear da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima voltou a receber, neste verão, crianças, jovens e idosos, em duas respostas dirigidas a diferentes gerações. Cerca de 260 participantes, entre os 6 e os 16 anos, passaram pelos quatro turnos destinados aos mais novos, enquanto a Colónia Sénior encerra a edição de 2026 com um último grupo de 37 idosos.
As duas iniciativas têm no período de férias, no convívio e na proximidade do mar alguns dos seus elementos comuns, mas respondem a realidades distintas. Entre os mais novos, a Cáritas procura proporcionar atividades educativas, desportivas e socioemocionais, num contexto que junta crianças e jovens provenientes de diferentes situações familiares. Entre os idosos, o propósito passa sobretudo pelo combate ao isolamento social e pelo reforço dos laços pessoais e comunitários.
A edição deste ano da Colónia Balnear de Crianças e Jovens ficou concluída depois de quatro turnos, pelos quais passaram cerca de 260 participantes. A acompanhá-los estiveram cerca de 40 jovens voluntários, vários dos quais participaram em mais do que um turno.
Mais do que proporcionar alguns dias de férias, a resposta procura criar condições para o desenvolvimento de atividades educativas e desportivas e para o acompanhamento socioemocional dos participantes. A preparação dos monitores voluntários integra também o trabalho desenvolvido, com formação e acompanhamento destinados a assegurar a qualidade pedagógica, a proteção e a segurança das crianças e dos jovens.
Diferentes realidades no mesmo espaço
A Colónia Balnear destina-se a crianças e jovens dos 6 aos 16 anos, incluindo participantes sinalizados pelos serviços sociais e através de parcerias locais. Mas a composição dos grupos não se limita a crianças e jovens em situações de maior vulnerabilidade.
Participam também crianças e jovens da diocese de Leiria-Fátima provenientes de diferentes contextos familiares. Esta diversidade é uma opção assumida pela Cáritas, que procura evitar a criação de grupos identificados exclusivamente pela condição social dos participantes.
A intenção é proporcionar um espaço comum, no qual crianças e jovens de diferentes realidades possam participar nas mesmas atividades e receber o mesmo tratamento, evitando situações de rotulagem ou isolamento daqueles que vivem contextos de maior vulnerabilidade.
A dimensão social da iniciativa cruza-se, assim, com uma opção de inclusão: as diferenças de origem ou de condição familiar não determinam a experiência vivida durante os dias de colónia.
A realização dos quatro turnos implicou igualmente uma presença significativa de voluntários. Cerca de 40 jovens colaboraram ao longo do verão, alguns repetindo a participação em diferentes períodos. O voluntariado constitui, neste contexto, uma das componentes da própria resposta, não apenas pelo acompanhamento quotidiano dos participantes, mas também pelo processo de formação e responsabilização dos monitores.
Quando as férias também combatem a solidão
Terminada a programação destinada às crianças e jovens, a Colónia Balnear recebe também os mais velhos. O último turno da Colónia Sénior de 2026 começou a 3 de setembro, com 37 participantes e o acompanhamento de nove voluntárias.
Durante seis dias, o grupo participa numa experiência que combina lazer, convívio e acompanhamento junto ao mar.
Neste caso, o ponto de partida é uma realidade diferente daquela que está na origem da colónia destinada aos mais novos: o isolamento social entre a população idosa.
A Colónia Sénior é ainda uma iniciativa recente. Nasceu em setembro de 2024, inicialmente como projeto-piloto. Depois dessa primeira experiência, foram realizados dois turnos em 2025. Em 2026, a Cáritas voltou a organizar dois turnos, sendo o iniciado em setembro o último deste ano.
O crescimento de uma experiência inicialmente pensada como projeto-piloto traduz-se, deste modo, na continuidade da resposta ao longo de três anos.
Os destinatários são idosos não institucionalizados que se encontrem em situação de isolamento social e que podem apresentar baixos rendimentos ou fragilidade social. Estes fatores, contudo, não funcionam como critérios exclusivos ou determinantes para a participação. A prioridade é atribuída às situações consideradas de maior vulnerabilidade social e relacional.

Seis dias para criar relações
O programa procura proporcionar aos participantes experiências de lazer em condições de segurança e acompanhamento, mas a dimensão relacional ocupa um lugar central.
Fortalecer os laços comunitários e sociais, promover atividades de estimulação física e social e criar oportunidades de encontro são alguns dos objetivos definidos para a Colónia Sénior.
Também aqui o voluntariado faz parte da resposta. As nove voluntárias que acompanham este último turno participam na dinamização das atividades e no acompanhamento dos idosos durante os seis dias.
O propósito de combater o isolamento ganha particular significado numa fase da vida em que a redução das redes familiares e sociais pode deixar algumas pessoas com menos oportunidades de convívio e participação comunitária. É precisamente sobre essa dimensão relacional que a iniciativa procura atuar.
A Cáritas enquadra ainda o último turno deste ano no contexto vivido pelas comunidades da região depois da passagem da tempestade Kristin. Segundo a instituição, o episódio deixou, além das marcas materiais, sentimentos de receio e insegurança entre alguns idosos.
Nesse contexto, a instituição considera que experiências de acompanhamento e convívio podem contribuir para recuperar a confiança e reforçar o sentimento de pertença à comunidade.
Uma colónia, diferentes gerações
As duas respostas desenvolvidas na Colónia Balnear partilham o espaço e alguns princípios, embora sejam dirigidas a grupos etários e necessidades diferentes.
No caso das crianças e jovens, a edição de 2026 chegou ao fim com cerca de 260 participantes distribuídos por quatro turnos e com o envolvimento de cerca de 40 jovens voluntários. No caso dos idosos, o último dos dois turnos realizados este ano reuniu 37 participantes e nove voluntárias.
De um lado, estão as férias escolares e a oportunidade de proporcionar atividades educativas, desportivas e socioemocionais num ambiente inclusivo. Do outro, está o esforço para quebrar situações de isolamento, estimular relações e proporcionar alguns dias de convívio acompanhado.
Em comum permanece a opção por criar espaços de encontro entre pessoas e por envolver voluntários no acompanhamento das diferentes respostas.
É também essa dimensão intergeracional que marca a atividade desenvolvida na Colónia Balnear ao longo do verão de 2026: depois das crianças e dos jovens, são os mais velhos que ocupam o espaço e encontram junto ao mar alguns dias destinados ao convívio, ao lazer e à criação ou reforço de relações sociais.