O Domingo XXIX (18.10.l2026) com coincidências surpreendentes pelas referências a imperadores antigos: Pérsia (Irão), Roma; com a alta hospitalar do Papa Leão XIV e regresso ao Vaticano, Dia das Missões e o telefonema da antevéspera entre o Leão XIV e Vladimir Putin sobre a guerra e a fome que provoca. Vejamos.
Dario substituiu Nabucodonosor da Babilónia, o ditador que cercou Jerusalém, saqueou e destruiu o templo e levou os judeus mais válidos para o cativeiro onde ficaram por 70 anos. Deus falou pelo profeta Isaías que Dario da Pérsia foi o escolhido por Ele para ir em socorro e libertação do seu povo: “ de Jacob seu servo, e de Israel, seu eleito”. Deus chamou-o para lhe revelar por Isaías que fora d’Ele não há outro Deus, e associou-o ao seu desígnio de libertar os cativos da Babilónia para voltarem para Jerusalém e reconstruirem o templo destruído por Nabucodonosor.
Também o imperador César, no Evangelho desse dia, é lembrado. Ele e os seus sucessores mantiveram o império romano, perseguiram os cristãos durante três séculos, mas a sua organização espetacular dos Césares entrava nos planos de Jesus Cristo, Senhor da História, como organização que facilitaria a evangelização de todos os povos romanos a quem Jesus antes de subir ao Céu, enviou os apóstolos a anunciar o Evangelho. Não apenas a esses povos; a missão destinava-se a “todas as nações” do mundo inteiro. Este ano celebra-se o Centenário do Dia das Missões instituído por Pio XI. E o Papa Leão XIV escolheu um tema para este ano cheio de sentido de unidade e reconciliação: ser «Um em Cristo, unidos na missão». Esta unidade e reconciliação em Cristo e com todos os irmãos e irmãs não é compatível com as guerras de destruição e morte. E o Papa, profeta dos tempos atuais, pediu a um “imperador” deste mundo, Vladimir Putin da Rússia, tréguas para se poderem alimentar e cuidar das vítimas da guerra em Oleshky (Kherson, Ucrânia) e permitir que os civis se refugiassem fora do território em guerra. E o Papa fez pedido semelhante ao Diretor da FAO das Nações Unidas, o chinês Qu Dongyu (Cf. A. Marujo, Sete Margens, 16.10,2026). Porque para responder ao bem comum são precisas paz e organização, esta eficaz e desarmada, como o Papa vai repetindo e o Presidente russo parece ter subscrito.
Um dos maiores desafios atuais e de todos os tempos é o uso da Inteligência Artificial (IA) desarmada de interesses de violência e morte das pessoas a favor do bem comum.
Este objetivo só é possível se cada pessoa usar a sua liberdade e o seu coração harmonizados pela consciência do bem de todos. A ameaça maior atualmente está na inundação da cultura pela IA com o risco de o pensar e agir deixarem de ser humanos e as máquinas funcionarem com ordens irresponsáveis. O risco estará na sua programação por homens desumanizados, de consciência moral neutralizada ou nas máquinas com autonomia para matar? Será que as tertúlias internacionais focam mais as tecnologias autónomas e ameaçadoras ou os controladores egoístas e desumanos, robotizados por condicionamentos sociais desalmados como tem estado a ser “fabricados” na França e noutros países? Falta apenas a harmonia de tecnologias programadas ou falta mais a harmonia da saúde relacional holística baseada no coração e consciência moral das pessoas? Em quem confiar? Nos falsos deuses auto separados da relação com o Ser afinador e ordenador de toda a realidade? Ou nos humanos de consciência habitada pela luz do “Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, que vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14,26).
Os alvos que se vão desenhando parecem orientar-se por extremismos ideológicos, políticos e religiosos, ambos para atingir o cristianismo. Uns de teor secularista e outro, talvez, mais de teor jihadista. O meio mais utilizado são diversos tipos de violências casuais e organizadas. Estas recorrendo a programas armadilhados com tecnologias de Inteligência Artificial de fontes ocultas e irresponsabilizáveis. Como desarmá-las se nelas não entrar “o Evangelho do amor fiel a Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo?” (Mensagem do Dia Mundial das Missões, 3).