A Diocese de Leiria-Fátima iniciou, a 4 de outubro, um novo ciclo pastoral de quatro anos, dedicado à construção de comunidades sinodais, ministeriais e missionárias. O projeto pastoral 2026-2030 foi apresentado na Assembleia Diocesana de início do ano pastoral, que decorreu no Mercado de Sant’Ana, em Leiria, integrada no Dia da Diocese, e reuniu 170 pessoas. O encontro, aberto a todos os fiéis, incluiu a intervenção do bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, sobre as linhas de força do projeto, a apresentação da sua arquitetura pelo vigário-geral, padre Manuel Armindo Janeiro, e a de um programa de 20 objetivos para 2026-2027. Ao fim da tarde, seguiu-se a Eucaristia na igreja do Convento dos Franciscanos, que evocou também São Francisco de Assis.
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Do centro cultural ao projeto para a cidade e para a Diocese
O programa arrancou às 15h15, com o acolhimento, a que se seguiram um momento musical, a saudação inicial e a oração. O padre Manuel Armindo Janeiro recordou a história do espaço que acolheu a Assembleia: antigo convento feminino das Irmãs Dominicanas, construído em 1498, foi mercado municipal durante cinco décadas e é centro cultural desde 2002. «Juntamo-nos aqui por duas boas razões. Primeiro, porque o que queremos apresentar não é só para nós. É para a cidade e é para a Diocese. É um projeto pastoral para quatro anos», afirmou.
O vigário-geral explicou que a escolha de um espaço comunitário, cedido pela Câmara Municipal, procurou criar «uma dinâmica de envolvimento diferente» da dos anos anteriores, quando o projeto pastoral foi apresentado em conferência de imprensa. Agradeceu ainda aos serviços municipais do Centro Cultural, ao grupo musical que animou a tarde, com o padre Patrício, e a todos os que colaboraram na iniciativa.
A condução dos trabalhos coube a Lina Fernandes, membro da equipa de Acompanhamento das Unidades Pastorais, que enquadrou o novo caminho na continuidade do percurso dos últimos anos. «Uma Igreja sinodal, ministerial e missionária. Três palavras que nos dizem muito sobre a Igreja que queremos construir», disse. Lina Fernandes sublinhou que o lema do quadriénio, retirado da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, desafia cada fiel a assumir o seu lugar: «A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. Não somos espectadores da vida da Igreja. Cada um de nós tem um lugar, um dom e uma missão.»
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«Um projeto para estar junto»: as linhas de força do bispo
D. José Ornelas tomou a palavra para apresentar as grandes linhas da Carta Pastoral 2026-2030. Também agradeceu ao Município o espaço cedido e valorizou o facto de a Assembleia se realizar no centro da cidade, onde, disse, a Igreja quer viver. «O projeto que nós temos é precisamente esse, é um projeto para estar junto», afirmou.
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Filhos e irmãos: o batismo e as relações
O bispo começou por situar o projeto no Batismo, que torna todos «filhos e filhas de Deus» e, por isso, irmãos uns dos outros. Falou de uma Igreja que, como no Pentecostes, reúne a diversidade de origens e de línguas – também as que «se falam cada vez mais nas nossas ruas» – num só corpo. «A qualidade das relações que nós temos uns com os outros é o nosso projeto», sustentou.
D. José Ornelas recordou que a vida cristã é sempre comunitária. «Não existe cristão sozinho», afirmou, acrescentando que Jesus não veio «fazer um atalho para o céu», mas ensinar uma forma de viver bem aqui. Daí que tenha resumido: «A fé é sempre uma questão de relações. Como é que eu me relaciono com Deus? Como é que eu me relaciono com aqueles que estão ao meu lado? Como é que eu me relaciono com este planeta? Como é que eu me relaciono com os outros que não são da minha comunidade?»
A partir dos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos, o bispo lembrou que a comunidade das origens não foi um modelo ideal, mas enfrentou desonestidade, discriminação e conflitos sobre quem podia entrar na Igreja. «É uma comunidade que encontra dificuldades como nós», observou, vendo nessas dificuldades a origem de um caminho de escuta e discernimento comum.
Converter processos, instituir ministérios
O segundo eixo da intervenção foi o que D. José Ornelas designou como «converter os processos»: não apenas as relações, mas o modo de organizar e de fazer as coisas. «É preciso converter os processos, quer dizer, mudar estilos», disse, apelando a que cada fiel deixe de ser mero espectador. «Nós vamos a jogo. Nós estamos na comunidade. Esta comunidade precisa de nós e nós precisamos desta comunidade e cada um de nós tem uma função. E a pergunta a fazer é: Senhor, que queres que eu faça?»
Sobre o ministério ordenado, o bispo recordou que bispos, presbíteros e diáconos são um dom de Deus ao serviço da comunidade. Mas notou que, no ocidente, a falta de padres levou a concentrar neles muitas funções. «Não foi sempre assim, não tem de ser assim», afirmou, lembrando que o Concílio Vaticano II recentrou a vida da Igreja no Batismo.

Nessa lógica, D. José Ornelas referiu os três ministérios laicais instituídos – leitor, acólito e catequista –, que correspondem às realidades fundamentais da vida da Igreja: a Palavra, a Eucaristia e a catequese. A Diocese tem em estudo um documento sobre a matéria, que será dado às comunidades para discussão antes de se regulamentar o seu exercício. O bispo apontou o leitor como figura importante para aumentar o conhecimento da Palavra de Deus, o acólito como possível ponte para os idosos que vivem em casa ou em lares, e os catequistas como «uma das expressões bonitas e lindas da mãe-Igreja».
Dois outros ministérios estão em consideração para a Diocese: a celebração dominical na ausência de presbítero e a celebração das exéquias. O bispo afastou a ideia de ser um expediente por falta de padres: «A questão fundamental é que toda a gente tem a possibilidade de celebrar o dia do Senhor.» Evocou a sua experiência em Moçambique, onde tinha 52 comunidades, algumas a 100 quilómetros de distância, visitadas pelo padre duas ou três vezes por ano. E sublinhou que o objetivo não é aliviar os sacerdotes: «Não é para descanso deles, é para que eles possam também dar espaço para as outras dimensões do seu ministério.»
Quanto aos conselhos pastorais e económicos, órgãos de consulta e discernimento, o bispo reconheceu a dificuldade em encontrar pessoas disponíveis. «É preciso ter a coragem de convidar, de desafiar, e é preciso também ter a coragem de aceitar o desafio e de participar», afirmou.
Unidades pastorais: «limpar um terreiro para dançar»
O terceiro ponto foi dedicado às unidades pastorais, que o bispo enquadrou na imagem da rede. A paróquia continua a ser a unidade de base e o ponto de partida, mas «ponto de partida não quer dizer ponto de limitação». «A Igreja não só usa redes, ela é uma rede de irmãos e irmãs, ela é uma rede de evangelização, ela é uma rede de pessoas», disse. Deu como exemplos os pequenos grupos de jovens que ganham força quando se juntam aos de paróquias vizinhas e a formação de catequistas feita em conjunto. Lembrou ainda que os bispos da região centro do país trabalham em articulação, com formações comuns para padres e leigos.
D. José Ornelas pediu realismo quanto ao ponto em que a Diocese se encontra. «Isto é como limpar um terreiro para dançar. Está feito; agora vamos lá ver com o que é que a gente dança, com que ritmos e com que músicas», afirmou. E acrescentou: «Vai levar uma geração, no mínimo, para entrar nesta cultura. Agora eu acho que vale a pena fazer isto.»
Missão, Fátima e desafios
Na parte final, o bispo apresentou a Igreja ministerial como povo de discípulos missionários, chamado a continuar a missão de Jesus, e olhou para Maria como mãe e modelo dessa Igreja. Recordou uma conversa com o Papa Francisco sobre a Capelinha das Aparições, que o Papa via como imagem da Igreja: «Tem um teto, tem colunas para acolher quem chega, os peregrinos, mas não tem portas, porque de todo o lado se pode entrar.» É, acrescentou, uma casa de entrada, mas também de saída, que está «sempre a enviar».
Entre os desafios, D. José Ornelas pediu que se supere a ideia de uma pastoral de serviços. «Isto não é uma estação de serviço onde a gente vai abastecer, é onde a gente vai participar», afirmou. Apontou o reencontro com os batizados que esqueceram o caminho da Igreja, o acompanhamento dos jovens, o acolhimento dos imigrantes, o cuidado com a pobreza e a doença, o isolamento nas casas de saúde e nos lares de idosos e o mundo da comunicação, com as suas oportunidades e perigos.
Concluiu com o episódio evangélico da pesca abundante. «Tragam o peixe daquilo que o Espírito semeia no vosso coração, tragam as vossas energias, tragam as vossas dúvidas, tragam a vossa crítica, tragam a vossa vontade de participar deste jogo que Ele quer fazer connosco», pediu.
Diálogo com a assembleia: jovens, crisma e famílias
Seguiu-se um momento de perguntas, com três intervenções de participantes. A primeira questionou o papel dos jovens na construção das comunidades. D. José Ornelas respondeu que ir ao encontro dos jovens não é uma moda: «É uma questão de perceber aquilo que se está a passar no mundo onde nós queremos levar o Evangelho.» Defendeu que é preciso «ir ao encontro das perguntas que eles têm, e não simplesmente das questões que nós temos», e que a ausência de jovens deve levar a Igreja a perguntar-se porquê. Deu como sinais positivos o início da pastoral do ensino superior e os três jovens que este ano iniciaram o seminário. «É um sinal. Eu não digo mais do que isso. Mas agradeço muito a Deus», disse.
A segunda intervenção manifestou preocupação com a idade do Crisma, numa fase em que muitos jovens, batizados em bebés, já se afastaram da Igreja. O bispo admitiu que a questão pastoral é real e que o texto da Carta Pastoral prevê o estudo do Crisma, ligado aos ministérios e aos sacramentos. Referiu a experiência de um pós-Crisma em Setúbal, que «funcionou», e notou que o afastamento coincide muitas vezes com a saída para o ensino superior. «É o acompanhamento que se faz nesta idade e nestas fases de transição da vida» que importa reforçar, defendeu.
A terceira pergunta incidiu sobre o papel das famílias na transmissão da fé. D. José Ornelas constatou que «hoje não há um modelo de família que se encaixe assim tão facilmente como no passado» e que a Diocese não pode fazer tudo sozinha, devendo apoiar-se em movimentos e metodologias já existentes. Lembrou que o Papa Leão XIV convocou para Roma, na semana anterior, representantes das conferências episcopais de todo o mundo para refletir sobre a família e a exortação apostólica Amoris Laetitia. «O que interessa é que a Igreja esteja preparada e acompanhe, mesmo nos casos de ruptura», afirmou, apelando a «abrir as portas da misericórdia e da Igreja para estas pessoas».
Quatro anos, três níveis de ação
Depois do intervalo e de um novo momento musical, a Assembleia retomou às 18h00 com a apresentação geral do projeto pastoral, a cargo do padre Manuel Armindo Janeiro. O vigário-geral explicou que o projeto procura articular dois polos que não se anulam. «O ator principal é o Espírito Santo, mas há dois polos em permanente tensão, que nunca se anulam, nem no individualismo, nem no coletivismo. Qualquer ação pastoral deve visar isto, a pessoa e a comunidade, ao mesmo tempo», disse.
https://youtu.be/26WkRov7V54
O projeto estrutura-se em quatro anos: os três primeiros assentam nas grandes dimensões da missão da Igreja e o quarto tem um caráter mais celebrativo. O primeiro, que agora começa, é dedicado a servir o Evangelho. «A palavra ‘servir’ acompanha o quadriénio. Ministério é um serviço», afirmou. Neste ano, destacam-se os ministérios batismais laicais de leitor e de catequista, a consolidação das equipas de coordenação pastoral das unidades pastorais e as equipas dedicadas à pastoral do batismo, que abrangerão a infância, a adolescência e a juventude e os adultos.
O segundo ano será dedicado à dimensão litúrgica, com o ministério de acólito e uma formação comum a todos os ministérios, e coincide com o centenário do nascimento do padre Carlos Silva, que o vigário-geral recordou como mestre da renovação litúrgica, e com o terceiro centenário do milagre que está na origem do Santuário do Senhor Jesus dos Milagres. A inclusão deste último, explicou, mostra que também outras zonas da Diocese podem ver integrados no projeto acontecimentos relevantes.
O terceiro ano centra-se na dimensão caritativa. «Este é o nosso cartão, é o nosso bilhete de identidade», disse o padre Manuel Armindo Janeiro, avisando que há trabalho a fazer desde já: «Projetar significa também perceber o que é que hoje tem de ser feito para que amanhã possa acontecer.» O quarto ano, de memória e gratidão, assinalará os 1600 anos da morte de Santo Agostinho e o centenário do reconhecimento canónico das aparições de Fátima, datas ligadas aos dois padroeiros da Diocese. A iniciativa das celebrações em Fátima caberá ao Santuário, com a Diocese a participar.
O projeto desdobra-se em três níveis: o diocesano, que define linhas comuns, promove a formação e iniciativas de referência; o vicarial, que adapta as opções à realidade local e aos meios disponíveis; e o das unidades pastorais e paróquias, que acolhem as propostas e respondem com aquilo que entendem ser o bem da comunidade. «A geografia tem de ser variável, a forma de organização tem de ser compatível com o ritmo da vida das pessoas», sublinhou.
O vigário-geral deu conta de dois projetos herdados do anterior ciclo pastoral. O do batismo está em fase de implementação, aguardando a aprovação formal e os pormenores, que serão dados na terça-feira seguinte, em reunião de vigários. O outro, que já tem um documento prévio, será refletido nos órgãos diocesanos de participação e corresponsabilidade e depois nas unidades pastorais e vigararias.
Objetivos transversais: Batismo, formação, proteção dos mais frágeis
Alguns objetivos atravessam os quatro anos. Sobre a condição batismal, o padre Manuel Armindo Janeiro pediu que se leve «mais a sério» a iniciação cristã, como experiência de encontro pessoal com o Senhor. «Nós ainda estamos a viver sob o efeito de pensar que tudo se pode fazer em pouco tempo porque tudo é como era de antes. E não é verdade», afirmou. A formação, a todos os níveis e para todos os ministérios, ordenados, instituídos e outros a definir, é outro dos grandes desenhos.
O vigário-geral apontou ainda a integração da vida consagrada na dinâmica pastoral – neste momento, adiantou, estão inscritas 21 congregações para visitas às escolas da Diocese – e a cultura de proteção dos mais frágeis. Recordou que o Papa Leão XIV aludiu a um sintoma sistémico em algumas formas de funcionamento da Igreja, que tem de ser revisto: «É uma responsabilidade de todos cuidar da proteção dos mais frágeis.»
O padre Manuel Armindo Janeiro concluiu que o projeto só se tornará real com a apropriação de cada comunidade. «Ela torna-se tanto mais real e realista quanto mais for questionada e assumida por cada comunidade», disse, advertindo que «de nada servirá a proposta global e estratégica que se faça se depois não for assumida, trabalhada e, de alguma maneira, tornada pessoal».
Vinte objetivos para 2026-2027
Marco Daniel, membro da equipa de Acompanhamento das Unidades Pastorais, apresentou o programa para o ano pastoral 2026-2027, que se estrutura em 20 objetivos: oito ao nível diocesano, cinco ao nível vicarial e sete ao nível das unidades pastorais. «Se até aqui o mais importante já foi dito, a partir daqui o mais responsabilizante está por dizer», afirmou.
https://youtu.be/BdbG3mc7NHM
Com humor, notou que os objetivos «são mais do que as bem-aventuranças, são o dobro dos mandamentos, mas muito aquém das leis rabínicas». Não é preciso sabê-los de cor, acrescentou, mas é importante que sirvam «de bússola» para a ação ao longo do ano, com uma chave missionária assente em dois lemas: servir o Evangelho e ir e anunciar. Lembrou também que «trabalhar em unidade pastoral não anula a dinâmica paroquial, pelo contrário, potencia».
Nível diocesano
Ao nível diocesano, os oito objetivos visam, entre outros pontos, uma transformação pastoral assente na realidade batismal e ministerial, com acento na formação em torno da Palavra de Deus e da espiritualidade. Marco Daniel destacou que a reflexão teológica não está separada da reflexão sociocaritativa: «De nada nos serve cantarmos os louvores do Senhor se esse louvor não for cantado no serviço do lava-pés.»
Os objetivos prevêem a constituição de equipas pastorais ligadas ao Batismo de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Para as apoiar, a Diocese «assume publicamente» que haverá materiais de apoio: um guião-subsídio para as paróquias e um desdobrável para pais e padrinhos. Prevêem também a construção da Igreja através do ministério dos diáconos, a reflexão sobre os ministérios batismais laicais, a atenção à sociedade em situação de fragilidade, a consolidação das unidades pastorais, com formação para as equipas de coordenação pastoral, e um caminho orante no tempo pascal, inspirado no modelo do retiro popular.
«A palavra formação talvez seja das mais repetidas ao longo dos objetivos», observou Marco Daniel, que manifestou o desejo de que, dentro de um ano, seja possível «fazer uma grelha» a indicar o que foi cumprido, com as responsabilidades de cada nível.
Nível vicarial e unidades pastorais
No plano vicarial, os cinco objetivos passam por conhecer o território e os dons e carismas das comunidades, promover a formação que ligue as unidades pastorais e os ministérios, refletir sobre os ministérios laicais a instituir, cuidar do itinerário do catecumenado e articular a comunicação entre paróquias, unidades pastorais e serviços diocesanos.
Os sete objetivos das unidades pastorais incluem sistematizar o itinerário catequético da iniciação cristã de crianças e adolescentes, com a responsabilização de pais e comunidade, e identificar, estimular e formar os ministérios laicais. Contemplam ainda o acompanhamento do discernimento vocacional, a formação de equipas de pastoral do batismo, o acolhimento e a responsabilização dos jovens na vida e missão da Igreja, a criação de comissões para os assuntos económicos da unidade pastoral e a preparação dos novos ministérios. Neste ponto, Marco Daniel pediu que as comunidades «toquem a campainha dos serviços diocesanos» para concretizar o discernimento vocacional, e sugeriu aos participantes que solicitem aos párocos ou à Diocese o texto completo dos objetivos.
A apresentação incluiu um momento simbólico: duas crianças presentes na sala, Rafaela e Diana, foram convidadas a olhar em várias direções, para cima, para baixo, para os lados e para trás, num exercício que serviu de mote à reflexão final. Marco Daniel projetou o fresco da Ascensão, de Giotto, na capela dos Scrovegni, em Pádua, que mostra os anjos a interpelar os apóstolos de olhos postos no céu. «É este o desafio. É irmos e anunciarmos, não ficando parados a olhar para o céu», afirmou, lembrando que a Assembleia tirou os participantes «dos lugares de conforto» para o meio da cidade. E concluiu: «Tentemos dar o benefício da dúvida ao Senhor Bispo e ponhamos em prática.»
«Mãos à obra, o Senhor está connosco»
Nas palavras finais, D. José Ornelas agradeceu a presença de todos e pediu que o caminho apresentado seja levado «para as nossas paróquias, para as nossas famílias, para as nossas unidades pastorais» e para as comunidades religiosas. «Somos a Igreja do Senhor aqui. Ele conta connosco para estar presente nesta cidade», disse.
O bispo reconheceu que se trata de uma Igreja «sempre imperfeita» e que o projeto não abdica da exigência do Evangelho: as bem-aventuranças «continuam a ser sempre as bem-aventuranças». Partilhou também uma preocupação: desde que chegou à Diocese presidiu a 16 funerais de padres. «Esta Igreja precisa de padres, vai precisar sempre de bispos, vai precisar sempre de catequistas, vai precisar sempre de diáconos», afirmou, saudando os três candidatos que este ano iniciaram o seminário e o grupo de diáconos da Diocese.
A terminar, deixou um apelo à ação: «A gente não fica parada à espera de ver o que vai acontecer, nós ajudamos a acontecer. É isso que Jesus quer de nós. […] Mãos à obra, o Senhor está connosco.» Os trabalhos no Mercado de Sant’Ana terminaram às 18h45, seguindo-se a deslocação para o Convento da Portela.
Às 19h30, após o acolhimento pela comunidade, D. José Ornelas presidiu à Eucaristia na igreja do Convento da Portela. A celebração fez memória de São Francisco de Assis, no dia em que se assinalam 800 anos da sua morte, associando-se a Diocese ao Ano Jubilar Franciscano. No final, houve veneração das relíquias do santo.
O documento de convocação da Assembleia recorda que o Ano Jubilar Franciscano prevê a possibilidade de alcançar a indulgência plenária através da visita, em espírito de peregrinação, a uma igreja conventual franciscana ou a um lugar de culto dedicado a São Francisco, cumpridas as condições habitualmente estabelecidas pela Igreja.
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