Diácono Nuno Melo despede-se da paróquia dos Marrazes após missão em Leiria

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Diácono permanente, professor universitário e biólogo, Nuno Melo despede-se da paróquia dos Marrazes, em Leiria, após um período de missão em Portugal. Em conversa, partilha a sua trajetória, vocação e os laços construídos com a comunidade.

Nascido a 26 de maio de 1971, em Viseu, Nuno Filipe Alves Correia de Melo, 54 anos, é casado há 25 anos com Márcia Alexandra e pai de duas filhas, Ester Beatriz e Ana Rita. Aos 12 anos, mudou-se para o Brasil, onde construiu a sua vida pessoal, académica e familiar.

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Professor universitário e biólogo de formação, com mestrado e doutoramento na área da biologia, também é formado em Teologia. Nuno chegou a Leiria após receber uma bolsa para professor visitante durante um ano e escolheu, especificamente, a região central por ser o local onde o seu irmão reside. Atualmente, está a desempenhar funções de professor visitante no Instituto Politécnico de Leiria.

Melo recorda uma infância profundamente marcada pela fé católica, especialmente pela influência da avó, Ester de Jesus. “Foi ela quem zelou para que eu recebesse os primeiros sacramentos. Essa semente permaneceu viva, mesmo quando passei anos mais afastado da Igreja”, conta.

Um chamamento que nasceu da dor e do reencontro com a fé

Apesar de uma infância religiosa, foi na vida adulta que o caminho vocacional ganhou força. Um momento decisivo foi o falecimento do pai. “Esse acontecimento doloroso mexeu profundamente comigo e foi o marco do meu retorno definitivo à fé”, recorda. Um momento em que as orações e o testemunho que recebeu da avó voltaram a fazer eco no seu coração.

Em 2008, juntamente com a esposa, celebrou o Matrimónio religioso e iniciou um envolvimento mais ativo na vida paroquial, na Pastoral Familiar. Mais tarde, após concluir o sacramento do Crisma, sentiu o chamamento para ser catequista.

O ponto de viragem definitivo aconteceu em 2015, quando recebeu o convite do padre Severino, então pároco da paróquia da Imaculada Conceição, em Belém, para o diaconado. “Iniciou-se ali um profundo processo de reflexão e discernimento para compreender se era apenas um chamado ou, de facto, uma vocação”, conta.

Ainda em 2015, iniciou o período propedêutico na Escola Diaconal Santo Efrém, da arquidiocese de Belém. No ano seguinte, começaram os estudos teológicos e formativos, que duraram quatro anos. A ordenação, inicialmente prevista para o início de 2020, foi adiada devido à pandemia, mas acabou por acontecer a 26 de dezembro do mesmo ano – precisamente no aniversário do seu Batismo.

Uma chegada marcada pelo acolhimento

Após a sua chegada a Portugal, Melo rapidamente sentiu a necessidade de continuar a servir na Igreja. O primeiro contacto com a paróquia dos Marrazes aconteceu na Quinta do Alçada.

A primeira ponte com a comunidade foi através de Fernando, sacristão, que o apresentou ao pároco, padre Vítor Mira. “O padre Vítor prontamente levou o meu pedido ao bispo da Diocese, D. José, que autorizou de imediato que eu estivesse a servir e a desenvolver as minhas atividades como diácono na diocese de Leiria-Fátima”, conta.

Melo afirma que, desde o início, foi muito bem acolhido e isso facilitou a sua integração. De acordo com ele, o que mais o impressionou ao conhecer a comunidade foi o potencial do lugar: “Percebi que havia espaço para crescer na corresponsabilidade dos leigos e na vivência do acolhimento.”

Serviço, formação e proximidade

Durante o seu tempo na paróquia, destacou-se pela dedicação à formação. Acompanhou grupos de catecumenato de adultos e jovens, participou nas celebrações e esteve presente em momentos marcantes da vida comunitária, como exéquias, ritos fúnebres e teve ainda a oportunidade de fazer um retiro quaresmal.

“O diácono é aquele que serve. Não quer ser o primeiro, mas colocar-se à disposição das necessidades da Igreja e do povo de Deus.”

Entre as experiências mais marcantes, destaca a Visita Pascal. “Foi algo completamente novo para mim. A forma como fui recebido nas casas das pessoas foi profundamente emocionante”, relembra.

Para Nuno Melo, o ministério só faz sentido na proximidade. “Procurei estar perto das pessoas, partilhar alegrias e dores, ser acessível.”

O acolhimento da comunidade foi, segundo ele, uma das maiores riquezas desta experiência. “Essa troca sincera de afeto e respeito mútuo são as memórias mais fortes que guardarei deste convívio”, lembra.

Desafios, aprendizagens e despedida

Entre os desafios, destaca a necessidade de tocar o coração das pessoas e aproximá-las da vida comunitária construindo pontes: “Especialmente num contexto cultural e geográfico diferente daquele ao qual eu estava habituado no Brasil.”

Também destaca o que aprendeu com os sacerdotes da unidade pastoral, nomeadamente sobre o cuidado pastoral e o amor ao povo.

O seu regresso ao Brasil já estava previsto desde o início da experiência académica. Ainda assim, a despedida não será fácil. “Criei laços profundos aqui. Há um sentimento de saudade mútua, o que mostra que os vínculos foram verdadeiros”, reflete.

De volta ao Brasil, retomará a docência universitária e o serviço diaconal. Mas não descarta um regresso a Portugal. “Tenho o sonho de voltar e, se Deus permitir, meu desejo é escolher a região de Leiria e suas proximidades para viver e, consequentemente, continuar a servir esta Diocese”, adianta.

Melo leva consigo também o desejo de ver a comunidade crescer e alerta para que os leigos reconheçam a força que têm e participem ativamente na vida da Igreja.

Uma mensagem de gratidão e esperança

Ao despedir-se, deixa um apelo simples: que a comunidade continue a ser um povo acolhedor, unido e participativo.

Sobre como gostaria de ser lembrado, responde sem hesitar: “Como alguém que serviu.”

E, para quem sente o chamamento à vida religiosa, aconselha: “Não tenham medo de discernir. Vale a pena dizer ‘sim’ ao serviço do Senhor.”

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