As férias são tempo livre para muitas escolhas. Uns optam mais pelas atividades e interesses cerebrais, outros pelas cardio-torácicas e um terceiro grupo pelas estomacais, como algumas tipologias as distinguem: conhecer, relações de coração e gastronómicas. Tem vindo a crescer o turismo de conhecimentos e relações sociais, o peregrinar de meditação e celebração. É comum viajar para negócios e formação recebida e dada. Limito-me às atividades mistas de experiência pessoal inseridas nas oportunidades de viagens de conhecer e dar formação a que se juntaram as peregrinações a santuários e igrejas pelo mundo fora. Lembro algumas. Em Reiquiavique, Islândia, um acaso levou-me a ser hóspede do Bispo e a concelebrar na catedral católica numa semana de congresso. Do outro lado do mundo, em semana de formação em Macau, fizeram-me hóspede do Bispo e concelebrante com ele. Em Pequim, os meus anfitriões levaram-me à catedral da Imaculada Conceição como única Igreja em que poderia celebrar ao domingo. Conheci um engenheiro francês da AIRBUS que fez um vídeo da missa e me ofereceu uma cópia.
As férias e saídas oferecem escolhas que cada um gere ao seu gosto e interesse. Em turismo organizado as escolhas decidem-se antes segundo o programa da agência, mais voltado para a história, a praia, a peregrinação ou a gastronomia. Em cada caso, as oportunidades são diversificadas.
As oportunidades deram-me para celebrar nos santuários dos mártires de Nagasaki e de Seul, e também na catedral desta cidade, e participar na missa dominical na moderna catedral de Tóquio. Falando de santuários, as experiências mistas de viajar, associadas a programas de formação nas áreas da saúde, psicologia, dinâmica de grupos, liderança e da vida consagrada, levaram-me ainda a peregrinações e celebrações diversas em que predominaram santuários de Nossa Senhora e de santos: Lujan, (Argentina,) Aparecida (Brasil), Igreja de S. Patrício de Nova Iorque, Santa Ana (Quebec), Guadalupe (México), Oryur (S. João de Brito) e Igreja de S. Francisco Xavier (Goa, Índia), Lurdes, La Sallette, Czestochowa, Chiquinquirá (Colombia), Mariazell (Áustria), Maipú (Chile), Nossa Senhora de Fátima de Saigão, N. Senhora de Fátima, Belém, Pará, Igreja de S. José, Singapura e de S. Pedro, Malaca.
Voltando às catedrais, lembro as visitas de peregrinação, oração e celebrações nas catedrais de Estocolmo, Oslo, Berlim, Banguecoque, Londres, Joanesburgo, Maputo, Nampula, Luanda, S. Paulo, Saigão, Atenas, Estónia, Notre Dame, Nova Delhi, Agra, Índia, Helsínquia, Estónia, Atenas, Nagasaki, Chenay (Madras) e Cochim (Índia), Sidney, Manila e Timor-Leste. As listas são incompletas, e as igrejas e santuários não foram apenas católicos. De qualquer modo, as recordações perduram na minha mente e coração como pontos de um panorama global de presença cristã viva, realizadora e omnipresente.
As viagens e os aspetos peregrinantes ficam na memória como realidades de sentido para a vida. Aos que reagirem com a impressão de que se trata de uma lista de nomes descarnados, convido a lerem alguns dos meus livros de viagens, sobre temas de cultura histórica e cristã. Alguns países oferecem uma riqueza de camadas históricas de passagens impressionantes de povos, clãs e culturas que oferecem conhecimentos complexos e inesgotáveis para várias visitas. Estou a rememorar alguns conhecimentos da Turquia e o mesmo se pode dizer de quase todo o Médio Oriente. É certo que o clássico livro “Imitação de Cristo” diz que “os que andam em muitas peregrinações raramente se santificam”, mas nem por isso Nossa Senhora deixou de vir pedir insistentemente que rezassem nos santuários instituídos por ela e Jesus Cristo disse que fossem por todas as nações anunciar o Reino de Deus (cf Mt.28,19). E a festa de 15 de agosto aconselha a lembrar a sua Assunção e a minha ordenação sacerdotal há 66 anos. E as peregrinações são tempos de vida espiritual, de fé e oração, sem pressa, de algum jejum, relacionamentos fraternos saudáveis, caminhadas ao ar mais puro dos campos a que se segue sono mais reparador. Tudo pode ajudar a saúde do corpo e da alma. Afinal, exercícios recomendados para desenvolver e manter o bem-estar integral que o turismo religioso pode favorecer.
Funchal, Férias de agosto de 2026