Donativos

DATANomeDestinoValor
30/1Bruno ProençaLaudate5,00€
16/1José FirminoRede10,00€
8/1Lucília FerreiraRede15,00€
5/12/2025Lucília FerreiraRede15,00€
18/2Província Portuguesa CSRede35,00€
10/2Lourenço AleixoRede10,00€
1/2Paula HenriqueRede100,00€
16/3Margarida MoreiraRede12,00€
9/3Lucília FerreiraLaudate15,00€
16/3António GasparLaudate10,00€
16/3Armindo AlvesLaudate10,00€
28/2Legião de MariaRede20,00€
26/2Arnaldo FebraRede25,00€
14/2DesconhecidoRede25,00€
6/2Josefa AlvesRede25,00€
7/2Lucília FerreiraLaudate15,00€
8/2DesconhecidoRede50,00€
3/2Ana e Luís BarataLaudate20,00€
2/2DesconhecidoRede25,00€
1/2Catarina SilvaRede100,00€
31/1DesconhecidoRede10,00€
31/1DesconhecidoLaudate30,00€
29/1José Manuel MoreiraRede50,00€
29/1DesconhecidoLaudate10,00€
27/01M Rita Azinheiro NetoRede10,00€
23/1M Celeste CecílioRede100,00€
21/1DesconhecidoRede50,00€
16/1DesconhecidoLaudate20,00€
18/1DesconhecidoLaudate10,00€
9/1Jacinta SantosRede25,00€
ENTREGUE VVV
10/1Graça Mota30,00€
7/1DesconhecidoRede80,00€
6/1DesconhecidoLaudate20,00€
5/1DesconhecidoLaudate20,00€
2/1José RoqueRede40,00€
28/12AnónimoRede25,00€
30/12DesconhecidoRede100,00€
19/12Maria da Graça e Carlos FernandesRede20,00€
11/11Marco Canelas10,00€
4/11Lucilia FerreiraRede15,00€
15/12Mª José Silva30,00€
15/12Fernando Rosas30,00€
12/12Isabel RabaçoLaudate20,00€
10/12M. Cecília VazRede10,00€
9/12Nelson MarquesRede20,00€
8/12Alvaro JerónimoRede50,00€
8/12Maria Eugénia MarquesRede20,00€
7/12DesconhecidoRede10,00€
17/11Filipe Pereira10,00€
26/11Margarida Monte20,00€
2/12António Pinto10,00€
27/11Legião de MariaRede20,00€
26/11Manuel PrataLaudate20,00€
25/11DesconhecidoRede20,00€
26/11Anónimo da Diocese do AlgarveLaudate20,00€
24/11DesconhecidoLaudate10,00€
21/11João CostaLaudate25,00€
23/11DesconhecidoLaudate25,00€
19/11DesconhecidoRede10,00€
17/11DesconhecidoRede450,00€
12/11Américo SabinoRede25,00€
25/10Carlos VieiraRede20,00€
25/9Arelindo FarinhaLaudate40,00€
6/10Lucilia FerreiraRede15,00€
9/10DesconhecidoLaudate10,00€
25/10DesconhecidoLaudate20,00€
27/10DesconhecidoLaudate15,00€
20/10Manuel Carvalho20,00€
20/10Fernando Rosas30,00€
10/9Maria Fátima Dinis5,00€
16/10AnónimoRede20,00€
14/9Anónimo da Boa VistaRede20,00€
20/9Carolina Maian/a5,00€
23/9DesconhecidoRede20,00€
17/9DesconhecidoRede80,00€
4/8Lucília FerreiraRede21,00€
14/9Jéssica Rodriguesrede2,00€
28/7AlfaOmega ltdn/a50,00€
26/7Celeste Ferreiran/a25,00€
12/7Gonçalo Pereiran/a30,00€
6/7Lucília FerreiraRede15,00€
9/6Vitor Casan/a10,00€
6/5Lucília FerreiraRede15,00€
30/8DesconhecidoLaudate20,00€
1/9Maria do Céu LucasRede35,00€
18/8Maria MorgadoRede10,00€
8/8DesconhecidoRede20,00€
23/8DesconhecidoRede10,00€
24/8DesconhecidoRede10,00€
1/8Paulo Santosn/a30,00€
4/8DesconhecidoRede10,00€
31/7António Lameirorede20,00€
26/7DesconhecidoRede10,00€
22/7Celeste CecilioRede100,00€
19/7DesconhecidoRede30,00€
15/7Marlene Batistan/a20,00€
11/7Francisco Cardoson/a20,00€
30/6Vítor HenriquesRede50,00€
30/6José GuedesRede15,00€
22/6DesconhecidoRede150,00€
9/6Ramiro SantosRede50,00€
10/6DesconhecidoRede10,00€
8/6DesconhecidoRede40,00€
8/6Amândio LopesLaudate35,00€
5/6Daniel TeixeiraLaudate10,00€
2/6José FirminoLaudate20,00€
29/5DesconhecidoRede15,00€
23/5Francisco CardosoRede20,00€
23/5Maria Graça CarreiraRede20,00€
16/4António Teixeiran/a15,00€
7/4Lucília FerreiraRede15,00€
9/5José C GonçalvesLaudate20,00€
11/5DesconhecidoRede10,00€
17/4Pe. Joaquim J JoãoRede30,00€
11/4DesconhecidoRede25,00€
10/4Francisco MoreiraRede20,00€
6/3Lucília FerreiraRede15,00€
6/3Ana Carolinan/a40,00€
4/4DesconhecidoRede20,00€
25/3DesconhecidoRede15,00€
14/3Virgílio GordoRede10,00€
13/3Ir. S. José ClunyRede30,00€
5/2Lucília FerreiraRede15,00€
10/3António OliveiraRede20,00€
3/3José FirminoLaudate10,00€
21/2José HenriquesRede20,00€
28/1António Farian/a10,00€
8/1Lucília FerreiraRede15,00€
7/1Fernando Rosasn/a30,00€
19/2Rita AzinheiroRede10,00€
19/2Legião de MariaRede20,00€
6/2Celeste CecílioRede100,00€
27/1Josefa AlvesRede25,00€
30/1DesconhecidoRede20,00€
23/1CelesteRede50,00€
19/1DesconhecidoRede30,00€
16/1Samuel AlmeidaLaudate9,23€
15/1DesconhecidoRede50,00€
13/1Jacinta SantosRede20,00€
2/1António MonteiroRede20,00€
28/12Palmira GaioLaudate20,00€
24/12Francisco PintoLaudate20,00€
14/12Maria Eugénia MarquesRede20,00€
13/12Aguinaldo NevesLaudate20,00€
31/12Artur Pereira Gomesn/a20,00€
24/12Alberto Antunesn/a25,00€
32/12Luis Lopesn/a10,00€
18/12Manuel Pratasn/a20,00€
13/12Jose Guedesn/a10,00€
10/12Cecilia Vazn/a10,00€
9/12Lucilia Ferreiran/a15,00€
9/12Agostinho Franciscon/a10,00€
7/12AlfaOmega ltdn/a25,09€
13/1António Santosn/a20,00€

DIOCESE

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Semana Santa: o tempo maior do calendário cristão

Do Domingo de Ramos à Vigília Pascal, a Igreja entra no coração do mistério de Cristo, onde a cruz se torna promessa de vida nova

A Semana Santa ocupa um lugar singular na vida da Igreja: não é apenas a última etapa da Quaresma, mas o centro de gravidade do ano litúrgico, o tempo em que a comunidade cristã entra de modo mais intenso no mistério da salvação. Aqui, a liturgia deixa de ser apenas recordação e torna-se celebração viva da Páscoa de Cristo. A Igreja não contempla um episódio distante da história; celebra, sacramentalmente, a passagem do Senhor da morte à vida, da humilhação à glória, da cruz à ressurreição.

No contexto eclesial português, este tempo é vivido com especial densidade nas dioceses, nas paróquias, nos santuários e nas diversas comunidades, através de celebrações litúrgicas, procissões, vias-sacras, vigílias e gestos de piedade popular que continuam a marcar a memória crente do povo. Na Diocese de Leiria-Fátima, onde a espiritualidade mariana, penitencial e pascal se entrelaça de modo fecundo, a Semana Santa oferece uma oportunidade preciosa para renovar a fé, aprofundar a participação litúrgica e reanimar o compromisso missionário da Igreja.

Agenda das Celebrações http://l-f.pt/pascoa26

O mistério pascal, centro da fé cristã

A Semana Santa não se compreende sem o mistério pascal de Cristo. Toda a vida de Jesus converge para a sua “hora”, em que se revela plenamente o amor do Pai pela humanidade. A Escritura apresenta esse itinerário com notável densidade: a entrada messiânica em Jerusalém, a ceia com os discípulos, a agonia, a prisão, o julgamento, a crucifixão, a morte e, por fim, a ressurreição. Este é o núcleo da fé cristã, proclamado desde as origens da Igreja: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia” (1 Cor 15,3-4).

A centralidade da cruz e da ressurreição não é apenas uma verdade doutrinal; é a chave da existência cristã. O discípulo não segue um Mestre apenas porque ensinou o bem, mas porque nele encontrou a revelação definitiva de Deus. Na cruz, Jesus não é derrotado por um poder exterior ao amor; é precisamente no acto de se entregar que manifesta a plenitude do amor divino. A ressurreição, por sua vez, não apaga a cruz, mas revela o seu sentido último: a vida doada não é perdida, é fecundada.

O Catecismo da Igreja Católica recorda que, na liturgia, Cristo “significa e realiza principalmente o seu mistério pascal”, tornando presente o único acontecimento da salvação que não passa. Isto quer dizer que a Semana Santa não é uma mera evocação devocional, mas uma entrada real da Igreja no mistério da redenção. Cada celebração é uma porta aberta para a vida nova, porque o Senhor ressuscitado continua a agir no meio do seu povo. A liturgia não é, por isso, um teatro religioso; é ação de Cristo e da Igreja, memória viva, sacramento de comunhão e anúncio de esperança.

Domingo de Ramos: a alegria ferida da cidade de Deus

A Semana Santa começa com um gesto paradoxal: o povo aclama Jesus com ramos, mas o mesmo povo acabará por assistir ao caminho da cruz. O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor junta, numa só celebração, o entusiasmo messiânico e a memória dolorosa da Paixão. É um domingo profundamente pedagógico, porque nos mostra a instabilidade do coração humano e, ao mesmo tempo, a fidelidade de Cristo.

Nas comunidades portuguesas, a bênção dos ramos, as procissões de entrada e a leitura solene da Paixão continuam a reunir famílias, crianças, idosos e agentes pastorais. Quando bem preparadas, estas celebrações podem ser ocasião de evangelização simples e profunda. A liturgia não é apenas solenidade: é anúncio. E a Palavra proclamada nesse dia faz-nos entrar no contraste entre a aclamação e a rejeição, entre a esperança humana e a obediência filial de Jesus ao desígnio do Pai.

O Domingo de Ramos é também uma ocasião para revisar a autenticidade da nossa fé. É fácil aclamar Cristo quando a esperança parece triunfante; mais difícil é permanecer com Ele quando a cruz se aproxima. A liturgia interpela-nos precisamente aí. Ela desmascara as ilusões de uma religião cómoda e recorda que seguir Jesus implica atravessar com Ele o escândalo da cruz. Por isso, este domingo abre a Semana Santa com um apelo à fidelidade, à vigilância e à conversão.

O Tríduo Pascal: uma única celebração em três dias

O ponto mais alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal, que começa na Missa vespertina da Ceia do Senhor e culmina na Vigília Pascal, prolongando-se até às Vésperas do Domingo da Ressurreição. A tradição da Igreja ensina que estes três dias não são celebrações isoladas, mas uma única grande celebração do mistério da Páscoa. O Tríduo não é um simples conjunto de ritos sucessivos; é o coração do ano litúrgico, onde a Igreja contempla a passagem de Cristo da morte à vida.

Quinta-feira Santa: o dom da Eucaristia e do serviço

Na Quinta-feira Santa, a Igreja celebra a instituição da Eucaristia, do sacerdócio ministerial e do mandamento novo do amor. A Missa da Ceia do Senhor convida toda a comunidade a contemplar Jesus que se inclina para lavar os pés aos discípulos, revelando que a autoridade cristã é inseparável do serviço. O gesto do lava-pés tem, por isso, uma força simbólica e pastoral extraordinária, sobretudo quando envolve pessoas que representam a diversidade do povo de Deus.

Neste dia, a Eucaristia aparece como aquilo que é no seu âmago: dom de si, presença real de Cristo e escola de comunhão. Celebrar a Quinta-feira Santa é reconhecer que a Igreja não se constrói a partir do poder, mas da entrega. É no partir do pão que o Senhor nos reúne; é no lavar dos pés que nos ensina a lógica do Reino. A Ceia do Senhor é também o lugar onde se torna visível a inseparabilidade entre culto e caridade, entre sacramento e missão.

Na realidade pastoral portuguesa, a Quinta-feira Santa é muitas vezes o momento em que as comunidades sentem de forma mais viva a centralidade da mesa eucarística, da fraternidade e da ligação entre liturgia e vida quotidiana. Em muitas paróquias, a adoração eucarística após a Missa prolonga em silêncio a contemplação do mistério, ajudando os fiéis a permanecerem com Cristo na sua agonia. Esse silêncio é igualmente catequético: ensina que o amor não se mede pela quantidade de palavras, mas pela fidelidade da presença.

Sexta-feira Santa: a cruz como revelação do amor

A Sexta-feira Santa é um dia de sobriedade, silêncio e contemplação. A Igreja não celebra a Eucaristia, mas reúne-se para escutar a Paixão segundo São João, adorar a Cruz e receber a comunhão com as espécies consagradas no dia anterior. É um dia em que a liturgia fala através do despojamento. A cruz, longe de ser apenas sinal de sofrimento, torna-se revelação plena do amor de Deus.

O Papa Bento XVI escreveu que a cruz é o lugar onde o amor de Deus se manifesta até ao extremo. Esta afirmação ganha especial densidade quando olhamos para as cruzes concretas da vida: a solidão, a doença, a pobreza, a incompreensão, o luto, a fragilidade das famílias e das comunidades. A cruz de Cristo não elimina o sofrimento humano, mas ilumina-o por dentro e abre-lhe um horizonte de esperança.

A veneração da cruz, tão profundamente enraizada na piedade cristã, não é um acto de dor resignada, mas de fé amorosa. Ao beijar a cruz, a Igreja reconhece que Deus entrou de verdade na história humana e a assumiu até ao fim. Não há sofrimento humano que fique fora da compaixão de Cristo. Esta é uma verdade decisiva para a pastoral contemporânea: os que sofrem não são espectadores distantes da salvação, mas lugar privilegiado do encontro com o Crucificado.

Em muitas comunidades, a Sexta-feira Santa continua a ser marcada por vias-sacras, procissões do Enterro do Senhor ou celebrações de intensa sobriedade. Quando estas expressões são bem acompanhadas, ajudam os fiéis a passar da emoção exterior à adesão interior. O essencial é que o silêncio, o canto e o gesto conduzam ao coração do mistério: o Filho de Deus entregou-se por amor para abrir a humanidade à vida nova.

Vigília Pascal: a noite em que a luz vence as trevas

A Vigília Pascal é o coração da celebração cristã. Nela, a Igreja vela na esperança e proclama a passagem das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. A bênção do fogo novo, a proclamação do Exsultat, a riqueza das leituras bíblicas e a renovação das promessas batismais fazem desta noite a mais solene do ano litúrgico.

O Missal Romano e a tradição litúrgica insistem no carácter singular desta celebração: é a noite em que a Igreja experimenta, de modo sacramental, a vitória de Cristo ressuscitado. Por isso, a Vigília não é um simples prolongamento da Sexta-feira Santa, mas a irrupção jubilosa da nova criação. É a partir daqui que tudo se relê: a história pessoal, a vida comunitária, os fracassos, as esperanças, as feridas e as promessas.

A estrutura da Vigília é, em si mesma, uma pedagogia da fé. A luz que se acende na escuridão recorda que Deus age no lugar onde tudo parece fechado; a Palavra proclamada em abundância mostra que toda a história da salvação converge para Cristo; a água do Baptismo renova a identidade dos filhos de Deus; a Eucaristia sela a comunhão pascal da Igreja. Tudo converge para um anúncio simples e decisivo: a vida venceu a morte.

A Semana Santa é também um lugar privilegiado de encontro entre liturgia e piedade popular. Em Portugal, as procissões do Senhor dos Passos, as vias-sacras, os encontros com a imagem do Senhor morto e da Virgem das Dores, ou as encenações da Paixão são expressões que atravessam séculos de fé e cultura. Quando integradas numa autêntica pastoral litúrgica, estas manifestações ajudam o povo a aproximar-se do mistério pascal com linguagem afectiva, simbólica e comunitária.

O Papa Francisco recorda que a piedade popular é uma verdadeira força evangelizadora, expressão da fé inculturada e lugar onde muitos simples encontram uma linguagem acessível para se aproximarem de Deus. O desafio pastoral não é opor liturgia e piedade popular, mas ajudá-las a iluminar-se mutuamente, para que tudo conduza ao essencial: Cristo morto e ressuscitado. A piedade popular ganha autenticidade quando se deixa purificar pela liturgia; a liturgia, por sua vez, encontra na piedade popular sinais de proximidade, emoção e enraizamento cultural que podem favorecer a evangelização.

Na Diocese de Leiria-Fátima, esta dimensão adquire particular relevo. A proximidade de Fátima, com a sua espiritualidade de oração, conversão e reparação, oferece um quadro de leitura muito fecundo para a Semana Santa. Maria, que permanece junto da cruz e acompanha os discípulos na espera pascal, torna-se ícone da Igreja que contempla, guarda e anuncia o mistério do seu Senhor. A Mãe de Jesus não substitui Cristo; conduz-nos a Ele. E essa é também uma importante lição pastoral: toda a verdadeira devoção mariana é cristocêntrica e pascal.

Um tempo para a formação e a participação

A Semana Santa é igualmente um grande momento de formação dos fiéis. Não basta “assistir” às celebrações; é preciso aprender a celebrá-las. A participação plena, consciente e activa exige preparação litúrgica, catequética e espiritual. Leitores, acólitos, cantores, equipas de liturgia, catequistas, ministros extraordinários da comunhão e agentes da pastoral devem ser ajudados a compreender melhor o sentido dos ritos e a sua ligação à vida da comunidade.

Esta preparação é tanto mais importante quanto a cultura contemporânea tende a fragmentar o tempo, a esvaziar os símbolos e a reduzir a experiência religiosa a um sentimento vago. A liturgia, pelo contrário, educa para a profundidade, para a memória e para a paciência da fé. Ensina a esperar, a escutar, a contemplar e a responder. Por isso, a Semana Santa é um verdadeiro exercício espiritual de maturidade cristã.

Numa Igreja que deseja ser missionária, este tempo pode e deve ser ocasião para renovar a formação dos adultos na fé, abrir espaços de reconciliação sacramental, envolver os jovens e redescobrir gestos simples de caridade concreta. Uma paróquia que celebra bem a Semana Santa não está apenas a cumprir um calendário; está a educar o seu povo para viver pascalmente, isto é, com a lógica da entrega, da comunhão e da esperança.

Também aqui há um desafio muito concreto para o contexto português: oferecer celebrações dignas, bem preparadas e acessíveis, sem cair nem no improviso nem no excesso formalista. A beleza litúrgica não é luxo; é serviço ao mistério. E, quando bem vivida, torna-se linguagem pastoral que ajuda a crer.

A vida nova da Igreja

No fim, a Semana Santa não termina no silêncio do sepulcro, mas na alegria da Páscoa. O cristianismo nasce da convicção de que a morte não teve a última palavra. A ressurreição de Jesus não é um detalhe da fé, mas a chave que abre toda a interpretação da história e da existência. A Igreja vive deste anúncio e é chamada a testemunhá-lo em cada geração.

Por isso, este tempo maior do calendário cristão não pode ser reduzido a tradição cultural ou a manifestação folclórica. Ele é um acontecimento de salvação, uma escola de fé, um caminho de comunhão e uma fonte de missão. Cada comunidade cristã é convidada a atravessar com Cristo a estrada da cruz para chegar à luz do Ressuscitado.

Na Diocese de Leiria-Fátima, como em toda a Igreja, a Semana Santa continua a ser um dom e uma responsabilidade. Dom, porque nela Deus se dá a conhecer como amor fiel. Responsabilidade, porque cabe à Igreja celebrá-la com verdade, beleza e profundidade, para que o mundo possa ainda ouvir, com esperança renovada: Cristo morreu e ressuscitou por nós. Aleluia.


Referências bibliográficas

BENTO XVI. Deus Caritas Est. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2005.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Lisboa: Secretariado Nacional de Liturgia / Paulus, 1994.
FRANCISCO. Evangelii Gaudium. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2013.
JOÃO PAULO II. Dies Domini. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 1998.
MISSAL ROMANO. Edição portuguesa. Braga: Secretariado Nacional de Liturgia, várias edições.
SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA. Semana Santa; subsídios litúrgicos em liturgia.pt.

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Sexta-feira, 27 Março, 2026

Obras na antiga Casa Episcopal para acolher projeto educativo internacional

Tiveram início as obras de requalificação da antiga Casa Episcopal, em Leiria, no âmbito de um acordo estabelecido entre a Diocese de Leiria-Fátima e a Leiria International School (LIS), entidade à qual foram cedidos os direitos de intervenção e exploração do edifício.

Esta imagem não tem texto alternativo. O nome do ficheiro é: Casa-Episcopal-em-obras-3-1_otimizada.jpg

A intervenção, integralmente da responsabilidade da LIS, destina-se à instalação de um novo pólo educativo. A instituição assegura já a gestão do campus localizado no antigo Colégio Diocesano Afonso Lopes Vieira, na Marinha Grande.

O projeto permitirá recuperar e valorizar um imóvel do património diocesano, colocando-o ao serviço da comunidade, em particular na área da educação, e contribuindo para a dinamização da cidade de Leiria.

“A requalificação deste edifício representa uma oportunidade para dar nova vida a um espaço com significado na história da Diocese, colocando-o ao serviço das pessoas e da comunidade”, afirma o bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas.

No âmbito do acordo celebrado, a Diocese de Leiria-Fátima não tem qualquer papel na gestão pedagógica ou institucional do estabelecimento de ensino a instalar.

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Link: https://lefa.pt/?p=76799
Quinta-feira, 26 Março, 2026

Santuário de Fátima inicia plantação de novas árvores no Recinto de Oração

Depois da tempestade Kristin ter provocado a queda e o enfraquecimento da maior parte dos cedros que ladeavam o Recinto de Oração, o Santuário começou, esta semana, a receber novas árvores.

O Santuário de Fátima está a iniciar, esta semana, o plano de rearborização do Recinto de Oração, na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin que levaram à queda e ao enfraquecimento de centenas de árvores.

A intervenção prevê a plantação de novas espécies e, em simultâneo, a melhoria das condições de circulação e acessibilidade para os peregrinos.

A maioria dos cedros que, até há poucos meses, preenchia as laterais do Recinto de Oração, caiu ou ficou irremediavelmente danificada. Os que restaram deixaram de cumprir as funções de criar sombra e proteger o espaço. Essa foi a razão pela qual o Santuário de Fátima decidiu remover todas as árvores e avançar com um novo plano de arborização.

Na zona pavimentada do Recinto serão plantadas cerca de 40 novas árvores da espécie liquidambar styraciflua, uma árvore de folha caduca, escolhida por proporcionar sombra no verão e permitir maior entrada de luz no inverno, quando perde a folhagem. A espécie, que apresenta também maior resistência a fenómenos meteorológicos extremos, como ventos fortes, trará novas cores ao Recinto de Oração no outono. Nessa estação do ano, a coloração da folhagem variará entre o verde, o amarelo, o laranja e o vermelho.

Além destes exemplares, o plano de rearborização prevê a plantação de centenas de outras árvores, arbustos e plantas nos canteiros laterais que envolvem o Recinto de Oração. Muitas das espécies escolhidas são autóctones das serras de Aire e Candeeiros e características da paisagem local, de que são exemplo as estevas, a madressilva, o rosmaninho, o alecrim ou a lavanda.

No seu conjunto, a vegetação terá também a função de reforçar a “cortina verde” que separa o Recinto de Oração do exterior, criando uma barreira visual e sonora que ajuda a preservar o ambiente de recolhimento e a espiritualidade do lugar.

Melhores acessos

Paralelamente, o novo desenho da arborização prevê mudanças pontuais na organização do espaço. Se anteriormente existiam duas filas de árvores junto à zona pavimentada, no futuro existirá apenas uma. Na origem desta alteração está a necessidade de reduzir obstáculos à circulação, melhorando as condições de mobilidade para todos os peregrinos.

Está igualmente em curso a reposição de pavimentos de calçada que se encontravam degradados e desnivelados, dificultando a circulação, bem como, a melhoria da iluminação, reposicionamento do mobiliário e a reformulação de algumas rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, tornando-as mais largas e com melhores condições de utilização.

A plantação das árvores deverá estar concluída até ao Domingo de Páscoa. Nessa ocasião, as árvores ainda estarão sem folhagem, mas espera-se que, em maio, os peregrinos já encontrem o Recinto de Oração com as novas copas em desenvolvimento e com uma paisagem renovada.

Embora alguns trabalhos possam prolongar-se para além dessa data, o objetivo é que o Santuário esteja já significativamente povoado de árvores quando milhares de peregrinos voltarem a reunir-se em Fátima para a primeira grande peregrinação do ano.

Santuário de Fátima!autor
Link: https://lefa.pt/?p=76753
# Rede1, # Santuário de Fátima

TOME NOTA

Celebrações Pascais 2026

· Diocese

Já está disponível a agenda das celebrações durante o Tríduo Pascal de 2026. A lista integra os horários das paróquias que fizeram chegar a informação aos serviços diocesanos.

Mais info: http://l-f.pt/pascoa26

Missa crismal

2 de Abril, 11:00 · Sé de Leiria

A celebração da missa crismal terá lugar na próxima quinta-feira santa, 2 de abril de 2026, na Catedral de Leiria, com início às 11h00, sendo presidida por D. José Ornelas. Esta celebração, uma das mais significativas do calendário litúrgico diocesano, reúne o presbitério em torno do seu bispo. Durante a Eucaristia, os sacerdotes renovam os compromissos assumidos na sua ordenação e são benzidos os santos óleos que serão utilizados ao longo do ano nas celebrações sacramentais.

Mais info: https://lefa.pt/?p=76707

ENDIBA 2026 – Encontro Diocesano de Adolescentes

18 de Abril · Colégio de São Miguel, em Fátima

A 18 de abril, sábado, em Fátima, os adolescentes do AM3 e AM4 (7.º e 8.º catecismos) da diocese de Leiria-Fátima, são convidados para um dia de encontro, partilha, atividades, descoberta e festa. «A aventura de ser feliz», uma viagem interplanetária com o Principezinho, volta a ser o mote para a proposta de um dia vivido com as Bem-Aventuranças, com início pelas 9h00, no Colégio de São Miguel, em Fátima, e conclusão pelas 19h00. 

Mais info: https://lefa.pt/?p=75767

Jubileu das Vocações

30 de Maio · Santuário de Fátima

A Diocese de Leiria-Fátima realiza, no próximo dia 30 de maio, o Jubileu das Vocações, no Santuário de Fátima. O encontro destina-se a todos quantos celebram, em 2026, 1, 10, 25, 50 ou 60 anos de matrimónio, sacerdócio, vida religiosa ou de especial consagração na vida secular. A iniciativa é promovida pelo Serviço da Pastoral Familiar e pelo Serviço da Pastoral Vocacional, em nome de D. José Ornelas, bispo da Diocese de Leiria-Fátima.

Mais info: https://lefa.pt/?p=76606

PARÓQUIAS

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Barosa inicia celebrações da Semana Santa com Domingo de Ramos

A paróquia da Barosa celebrou com fé e alegria o domingo de Ramos, marcando o início da Semana Santa. A celebração teve início no exterior da igreja, com a bênção dos ramos, seguindo-se o cortejo até ao seu interior, recordando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

A celebração prosseguiu com especial destaque para a leitura do Evangelho, que foi proclamada pelos jovens, envolvendo-os de forma ativa neste momento tão significativo da vida da Igreja.

Esta celebração foi um convite a todos para caminhar com Jesus ao longo da Semana Santa, preparando o coração para viver os mistérios centrais da fé com esperança e renovação espiritual.

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António Rebelo!autor
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# Barosa
Segunda-feira, 30 Março, 2026

Comunidade da Barosa percorre Via-Sacra de rua em momento de oração e silêncio

Na sexta-feira 27 de março, a paróquia da Barosa reuniu-se para viver a Via-Sacra de rua, num momento profundo de oração, silêncio e reflexão.

Ao longo das estações, os fiéis foram convidados a acompanhar Jesus no caminho da cruz, numa forma especial de viver o tempo da Quaresma e de recordar o seu amor e entrega por todos nós. Foi um tempo de fé vivido em comunidade, que ajudou a preparar o coração e a renovar a esperança.

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Que esta caminhada inspire a viver a Quaresma com mais amor, coragem e confiança em Deus.

António Rebelo!autor
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# Barosa
Segunda-feira, 30 Março, 2026

Urqueira celebra Semana Santa, depois das tempestades, criando «mensageiros da Ressurreição»

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Leiria, 28 mar 2026 (Ecclesia) – O pároco de Urqueira, na Diocese de Leiria-Fátima, destacou a resiliência da comunidade após a destruição da igreja local, anunciando a criação dos “mensageiros da Ressurreição” para assinalar uma Semana Santa e Páscoa diferentes, por causa das recentes tempestades.

“Eu sinto a comunidade com alguma ânsia de voltar à Igreja, mas também com o desejo de viver e de construir aquela Igreja espiritual que temos experimentado nas instalações provisórias”, disse o padre Jacinto Gonçalves, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O sacerdote aborda os desafios de celebrar a Semana Santa com três igrejas da paróquia danificadas pelo mau tempo, obrigando à deslocação das celebrações para o salão paroquial.

“Temos estragos, mas temos uma Igreja viva, uma Igreja de pedras vivas e que se adapta também a esta provação que agora estamos a viver”, assinala o responsável.

A impossibilidade de utilizar o templo principal, na terra natal do patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, motivou o surgimento de uma nova resposta pastoral, que vai prolongar a tradicional visita pascal ao longo de todo o ano.

“Nasceu esta iniciativa para que o ‘mensageiro de Ressurreição’ continue durante todo o ano junto das pessoas que estão em dificuldade e nos doentes, para que seja um sinal de vida”, precisa o padre Jacinto Gonçalves.

O sacerdote explica que cada mensageiro vai receber uma imagem de Cristo na noite da Vigília Pascal (4/5 de abril), assumindo o compromisso de se fazer presente junto dos vizinhos e das famílias da aldeia que precisem de acolhimento e de ajuda humana ou espiritual.

Nós não vamos refletir para deprimir, mas antes somos pedras vivas e estamos de pé e queremos levantar ainda mais o coração diante dos obstáculos que a natureza e o próprio mundo nos vai oferecendo.”

A preparação para os dias centrais do calendário católico incluiu a adaptação dos textos da Via-Sacra, que o pároco escreveu com uma linguagem concreta para incorporar o sofrimento provocado pela tempestade e os ecos da guerra, apontando sempre para a esperança.

“Passando pela experiência da fragilidade e da morte, não esquecemos nunca o amor que daí renasce, e por isso nós iremos depois passar aos dias seguintes anunciando a vida nova”, adianta.

A reconstrução física dos edifícios está em marcha, suportada por uma onda de solidariedade que ultrapassou as fronteiras da diocese, contando com donativos anónimos, apoio de empresas para a reconstrução do telhado e campanhas de partilha organizadas por outras comunidades, como a Vigararia de Barcelos, na Arquidiocese de Braga.

“Tem sido um sinal de comunhão da Igreja, mesmo de pessoas que não nos conhecem, e temos recebido donativos avultados de pessoas que não sabem onde é que fica Urqueira mas fazem a sua partilha”, indica o sacerdote.

A entrevista, gravada ao som dos sinos que voltaram a tocar na aldeia, depois de semanas de silencio, termina com um apelo à valorização da fraternidade, com o pároco a sublinhar que a tragédia, que não causou vítimas mortais por ter ocorrido durante o período noturno de descanso, acabou por unir a população.

“Esta situação pode tornar-nos mais próximos, mais solidários, mais humildes e, no fundo, mais irmãos”, conclui o padre Jacinto Gonçalves.

A entrevista está em destaque na emissão do Programa ECCLESIA deste Domingo de Ramos, a partir das 06h00, na Antena 1 da rádio pública.

Agência Ecclesia!autor
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# Urqueira
Segunda-feira, 30 Março, 2026

Agrupamento de Amor celebra compromisso de 16 novos escuteiros

Na noite de 13 de março, integrada nas 24 Horas para o Senhor, na igreja paroquial de Amor, o Agrupamento 1166-Amor viveu a vigília “As fontes de água-viva”, como preparação espiritual para as promessas dos noviços e aspirantes.

A partir da imagem do poço de Jacob, relembramos a importância da “Água Viva” na nossa vida e do encontro da verdadeira felicidade em Cristo, que sacia a sede mais profunda do coração e que alimenta as raízes da nossa Fé.

Ao depositar os lenços junto ao poço e ao proclamar as Máximas, Princípios e Lei do Escuta, os novos elementos do agrupamento exprimiram o desejo de deixar que Deus inunde e fortaleça a sua caminhada escutista, enraizada no Evangelho e no serviço da comunidade.

Ao final da noite, à luz do encontro de Jesus com a Samaritana e de outros textos da Escritura, os escuteiros foram ainda convidados a uma reflexão e oração pessoal neste encontro íntimo com o Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Celebração das promessas e compromisso comunitário

No dia 14 de março, o agrupamento juntou-se à comunidade paroquial na Eucaristia, na igreja do Casal dos Claros e Coucinheira, para testemunhar as promessas dos 16 aspirantes e noviços das várias secções.

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Foi num ambiente de grande alegria que os sete novos lobitos da alcateia, os seis novos exploradores da expedição, os dois novos pioneiros da comunidade e a nova caminheira do clã fizeram o seu compromisso para com Deus, com a comunidade e para com a Lei do Escuta, recebendo assim os respetivos lenços e insígnias.

Por fim, o agrupamento felicita os novos elementos que se juntaram à fraternidade escutista e que vêm fortificar as raízes do Agrupamento 1166-Amor.

Paróquia de Amor!autor
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# 1166, # Amor, # Escutismo
Quinta-feira, 26 Março, 2026

Concerto de Páscoa solidário chega ao Santuário dos Milagres

A Academia Coral Mezzo promove um concerto especial de Páscoa no próximo dia 28 de março, pelas 21 horas, no Santuário do Senhor Jesus dos Milagres.

A iniciativa alia música e solidariedade, convidando a comunidade a participar num momento cultural e, simultaneamente, apoiar quem mais precisa.

O concerto integra a cantata “Portraits in Grace”, do compositor Joseph M. Martin, uma obra inspirada nos momentos mais marcantes da Paixão de Cristo. A apresentação contará com a interpretação do Coro Adulto da Academia, acompanhado por grupo instrumental, incluindo ainda momentos de projeção e narração que ajudam a contextualizar a narrativa musical.

Com entrada livre, o evento terá também um carácter solidário. O público é convidado a partilhar com quem mais precisa, trazendo um bem alimentar, que será posteriormente encaminhado para ajudar pessoas afetadas pela recente tempestade que atingiu a região de Leiria.

A organização espera assim reunir a comunidade para uma noite de música, reflexão e entreajuda, num concerto que pretende celebrar a época pascal e reforçar o espírito de solidariedade.

O concerto é organizado pela Academia Coral Mezzo, com o apoio de várias entidades locais e institucionais.

Boletim Anjo!autor
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# Concerto, # Milagres
Quinta-feira, 26 Março, 2026

Via Sacra regressa a Fátima com novidades e edição noturna

A Paróquia de Fátima convida toda a comunidade a participar na encenação da Via Sacra, que terá lugar no próximo sábado, 28 de março, com início às 21h, junto ao Monumento do Coração de Francisco. O percurso seguirá pela Avenida D. José Alves Correia da Silva e pela Avenida Irmã Lúcia de Jesus, terminando na igreja matriz.

Este ano, a iniciativa apresenta várias novidades. Pela primeira vez, a Via Sacra decorrerá em horário noturno, dando resposta ao desejo de um dos seus principais impulsionadores, o professor Leonel Marques, que acredita que este ambiente proporcionará um momento de maior recolhimento, silêncio e reflexão.

Outra das inovações passa pela utilização de interpretação ao vivo, substituindo a habitual gravação dos textos. Para Beatriz Jacinto, atriz e encenadora, esta opção tornará a encenação “mais vivida e autêntica”. Entre os participantes, destaca-se o pároco de Fátima, padre Leonel Batista, que dará voz à figura de Jesus, acompanhado por outros quatro elementos.

A componente musical também ganha um novo destaque, com a participação dos diferentes coros da paróquia, que interpretarão os cânticos ao longo do percurso, enriquecendo o ambiente de oração e tornando a experiência ainda mais envolvente.

A encenação contará com mais de meia centena de participantes, entre atores amadores e figurantes – alguns dos quais ligados à catequese e aos diferentes movimentos da paróquia, reunindo rostos já conhecidos e novos elementos. Entre eles, encontram-se membros do AMITAF – Grupo de Teatro Amador da Casa do Povo de Fátima. O papel de Maria será interpretado por Suzete Vieira, que regressa a este papel, enquanto Jesus será representado por um membro da Comunidade Cenáculo.

Na terça-feira, durante a entrega das vestes – feitas por Lurdes Pereira, o ambiente vivido foi de entusiasmo e expectativa. Lúcia Silva, uma das coordenadoras, acredita que a iniciativa voltará a mobilizar a comunidade, à semelhança das edições anteriores. Esta será já a 12.ª edição, consolidando-se como um evento marcante no calendário local.

Tal como em anos anteriores, a organização contará com o apoio do agrupamento de escuteiros de Fátima, na orientação do público ao longo do percurso, bem como da GNR.

Fernanda Frazão!autor
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# Fátima, # Via Sacra

DINAMISMOS

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Comunidade educativa do Colégio Nossa Senhora de Fátima celebra Via Sacra da Paz e da Esperança

Na quarta-feira, 25 de março de 2026, a comunidade educativa do Colégio Nossa Senhora de Fátima reuniu-se para viver um momento especial de fé, reflexão e união com a realização da Via Sacra da Paz e da Esperança, no interior das instalações do colégio.

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A iniciativa contou com a participação ativa de um significativo número de alunos, professores, encarregados de educação, funcionários e familiares, que, juntos, percorreram as várias estações, num ambiente de recolhimento e partilha.

Ao longo do percurso, os participantes foram convidados a refletir sobre o caminho de Jesus até à cruz, relacionando-o com os desafios atuais e com a necessidade de promover valores como a paz, a solidariedade e a esperança no mundo de hoje. As diferentes estações foram dinamizadas pelos alunos, professores, encarregados de educação, colaboradores e irmãs dominicanas, que assumiram um papel central na leitura dos textos, tornando o momento ainda mais significativo.

A presença da comunidade alargada reforçou o espírito de união e pertença que caracteriza o colégio, evidenciando a importância destes momentos na formação integral dos alunos, não só ao nível académico, mas também humano e espiritual.

A Via Sacra da Paz e da Esperança constituiu, assim, um momento marcante da vida escolar, deixando uma mensagem de compromisso com a construção de um mundo mais justo, fraterno e cheio de esperança.

Carlos Araújo!autor
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# Colégio de Nossa Senhora de Fátima, # Via Sacra

EXTRAMUROS

Quinta-feira, 26 Março, 2026

Comunicado: Conclusão do processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica em Portugal 

O processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais sofridos enquanto menores ou adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica em Portugal, livremente iniciado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e pela Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e definido pelo Regulamento publicado a 25 de julho de 2024, chega agora ao seu termo. 

Ao concluir-se este processo, queremos dirigir-nos, antes de mais, a quantos foram vítimas destes abusos. Fazemo-lo com profundo respeito pela sua dor e com consciência de que estamos perante feridas profundas, que marcaram as suas vidas de forma duradoura. Reconhecemos a gravidade do sofrimento vivido, tantas vezes carregado em silêncio durante anos, agradecemos verdadeiramente o testemunho que nos confiaram e renovamos o nosso pedido de perdão por todo o mal causado.

Sabemos que a atribuição de uma compensação financeira não apaga o que aconteceu nem elimina as consequências dos abusos na vida de quem os sofreu. Com este gesto concreto, a Igreja em Portugal deseja reconhecer o sofrimento e a dignidade de cada pessoa que passou por tais atentados, procurando a reparação possível dos danos sofridos. Este não é um gesto isolado, mas parte de uma responsabilidade que a Igreja deve assumir humildemente, inserida num compromisso mais amplo que inclui a escuta, o acompanhamento, a prevenção e a intervenção através das estruturas competentes. 

Durante o prazo para apresentação dos pedidos de compensação financeira foram recebidos 95 pedidos. Desses, 78 foram considerados elegíveis para apreciação final e 17 foram arquivados liminarmente. Estes últimos correspondem a situações não enquadráveis no Regulamento, bem como a situações em que as pessoas denunciantes não compareceram à entrevista com as Comissões de Instrução ou deixaram de responder aos contactos para o respetivo agendamento.

Dos 78 pedidos elegíveis, foram já aprovados 57 pedidos de compensação financeira, no montante global de 1 609 650 euros. Existem ainda 9 pedidos em fase final de análise para definição do montante a atribuir e 1 pedido pendente, a aguardar decisão da Santa Sé. Os restantes 11 pedidos foram indeferidos. As compensações financeiras a atribuir a cada uma das pessoas têm como valor máximo 45 mil euros e como valor mínimo 9 mil euros. Estes valores foram estabelecidos pela CEP, na Assembleia Plenária extraordinária de 27 de fevereiro de 2026, com a presença do Presidente e da Vice-Presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, tomando em consideração os pareceres das Comissões de Instrução e da Comissão de Fixação da Compensação.

Os motivos de indeferimento incluem decisões da Santa Sé que determinaram o arquivamento do processo; situações em que a pessoa denunciante era maior de idade à data dos factos e não se apurou tratar-se de um adulto vulnerável; situações em que a pessoa acusada não pertencia ao clero, nem exercia funções ou responsabilidades no contexto da Igreja; e situações que não configuravam violência de natureza sexual.

A definição das compensações neste processo teve por base a análise individual de cada situação, tendo em conta os factos apurados, a gravidade dos abusos, o dano sofrido e o respetivo nexo de causalidade entre os acontecimentos e as consequências na vida da vítima, nos termos do Regulamento aprovado para este efeito. Procurou-se, deste modo, que a compensação atribuída correspondesse, de forma tão justa, proporcional e solidária quanto possível, à realidade de cada pessoa e ao sofrimento que lhe foi imposto. Mais do que um número, cada pedido corresponde a uma história concreta, a uma dor confiada à Igreja e a um ato de coragem de quem aceitou apresentar o seu testemunho.

Após contactos telefónicos prévios com as pessoas cujos pedidos vieram a ser indeferidos, e que foram realizados numa perspetiva de explicação pessoal da decisão, estão agora a ser enviadas, por escrito, as notificações com a decisão devidamente fundamentada a todas as pessoas que apresentaram pedido e cujo processo foi considerado elegível, independentemente de a decisão final ter sido de aprovação ou indeferimento.

Os dados tornados públicos são apresentados apenas em termos gerais, no respeito pela confidencialidade do processo, pela proteção dos dados pessoais e pela dignidade das pessoas interessadas. Cada situação está a ser acompanhada individualmente com a atenção, o cuidado e a delicadeza que o assunto exige, sendo o pagamento das compensações atribuídas efetuado mediante a formalização individual adequada, nos termos previstos para o efeito.

O encerramento deste processo não significa o fim da responsabilidade da Igreja. Continuaremos disponíveis para acolher, escutar e acompanhar as vítimas, e reafirmamos o nosso compromisso em prosseguir uma cultura de responsabilização, cuidado e prevenção. Através do Grupo VITA, das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis e sua Coordenação Nacional e das estruturas de proteção existentes nos Institutos de Vida Consagrada, queremos garantir, tanto quanto possível, que situações de abuso não se voltem a repetir e que os ambientes eclesiais sejam espaços seguros e capazes de proteger todas as pessoas.

Renovamos a nossa gratidão a todas as pessoas que aceitaram participar neste processo. O vosso testemunho honra a verdade e responsabiliza a Igreja a não desviar o olhar, a não esquecer e a não recuar no dever de transformação.

Lisboa, 26 de março de 2026

Conferência Episcopal Portuguesa
Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal

Quinta-feira, 26 Março, 2026

A cruz escondida: Religiosa irlandesa vive entre o povo Dinka, no Sudão do Sul

Orla Treacy tinha um sonho. Queria ter uma família grande. Mas Deus andava desde há muito a desassossegar a sua consciência. Até que tomou uma decisão radical. Vendeu o carro, comprou um bilhete de avião, foi para a Austrália, gastou todo o dinheiro que tinha e divertiu-se à séria. Uma semana depois, bateu à porta das Irmãs do Loreto. E a sua vida mudou para sempre. Agora está no Sudão do Sul e é feliz.

Nasceu na Irlanda, queria casar, ter muitos filhos. Mas Deus tinha outros planos para Orla Treacy. Tudo começou quando ela decidiu vender o carro, comprar um bilhete para a Austrália para umas férias, para se divertir. “E diverti-me imenso”, explica à Fundação AIS. Só que uma semana depois estava a bater à porta do Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, conhecidas como Irmãs do Loreto. E tudo mudou na sua vida. Não casou, é verdade, mas a sua família agora é enorme, muito maior do que todos os filhos que poderia alguma vez imaginar…. Hoje, Treacy vive no Sudão do Sul. A vida no Sudão do Sul é muito difícil. Depois de mais de duas décadas de guerra civil, conseguiu a independência, que foi proclamada a 9 de Julho de 2011. Mas, desde então, a história do mais jovem país do mundo tem estado marcada sempre pela violência e sofrimento. Uma desavença política entre o presidente Salva Kiir e o então vice-presidente Riek Machar transformou-se, em 2013, num conflito aberto que degenerou também em guerra. As origens dos dois dirigentes ajudarão a explicar um pouco o que aconteceu, pois Kiir pertence à etnia Dinka e Machar ao povo Nuer, as duas principais etnias do Sudão do Sul.  E é precisamente entre o povo Dinka que vamos encontrar agora a Irmã Treacy.

Distinguida com o prémio ‘Mulheres de Coragem’

“Para mim, tem sido uma bela história de amor estar aqui”, diz a religiosa. “Estamos no contexto da tribo Dinka. Eles são um povo que ama o gado. Em algumas das nossas comunidades, as vacas são mais preciosas do que as nossas meninas. A nossa congregação tem um carisma particular em relação à educação e ao ministério com mulheres jovens. Por isso, fomos convidadas a construir um internato secundário para meninas”, explica. Quando as Irmãs do Loreto chegaram a Rumbek, no Sudão do Sul, o país tinha acabado de sair dos tempos tenebrosos da guerra civil. “A educação era uma grande prioridade, porque havia um sentimento de tentar elevar a dignidade das pessoas, mas também o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo e o seu reconhecimento de que fazem parte de uma Igreja mais ampla”, diz à Fundação AIS.  Hoje em dia, a Irmã Treacy é a directora da escola primária e secundária Loreto Rumbek, que acolhe meninas em situação de vulnerabilidade. O seu trabalho tem sido notável a tal ponto que foi distinguida em 2019 com o prémio “Mulheres de Coragem”, pelo Departamento de Estado dos EUA, que tem reconhecido o papel de mulheres que, ao redor do mundo, têm demonstrado coragem e liderança na defesa da paz, mas também da justiça, dos direitos humanos e da promoção feminina. E é incrível perceber que, na verdade, Orla Treacy nunca desejou mesmo ser missionária. Ela própria o confessa: “Nunca quis ser missionária… Realmente, queria ter uma família também. Mas o desejo por Deus e pela vida religiosa era maior”, diz. E foi então que tomou a decisão radical que haveria de mudar tudo e que a levaria a entrar para as Irmãs do Loreto. Hoje, quando olha para trás, não tem qualquer traço de arrependimento. Bem pelo contrário. “Fico feliz em dizer que essa paixão e desejo por Deus e por Jesus continuam tão fortes hoje como sempre. Em parte, isso deve-se à realidade do lugar onde vivemos”, explica.

“Nós ficamos com as pessoas…”

Falar com a Irmã Treacy é inspirador. Ela explica, com simplicidade desarmante, o papel único que os consagrados realizam nos quatro cantos do mundo. Não é um trabalho de ocasião, não é certamente algo que é feito a pensar no elogio do mundo e muito menos no sucesso. E essa verdade faz toda a diferença e tem sido essencial também para a afirmação do papel da Igreja também no Sudão do Sul e especialmente ali, em Rumbek. “Tem sido muito importante para nós que as pessoas nos vejam como religiosos que vieram evangelizar, e não como uma ONG. Sempre que há uma guerra, as ONG evacuam o seu pessoal. Nós ficamos com as pessoas. Se as pessoas estão aqui, nós estamos aqui. Se as pessoas se mudam para o mato por causa da insegurança, nós mudamo-nos para o mato com elas. Acho que nenhum de nós teria sobrevivido aos muitos anos de dificuldades que passámos aqui se não amássemos verdadeiramente a missão e as pessoas com quem estamos”, explica a irmã. Estas não são apenas palavras. São um testemunho poderoso do que significa ser missionário. A Irmã Treacy, que se deixou enamorar por Deus, tem ajudado a transformar a vida de centenas de meninas e jovens no Sudão do Sul. O seu trabalho, assim como o das Irmãs do Loreto, que é apoiado pela Fundação AIS, é exemplo do que significa uma entrega amorosa aos outros, aos mais necessitados, aos que precisam mais de ajuda. Hoje, Rumbek é a casa da Irmã Orla Treacy. Por ali está a família que ela abraçou, estão os seus filhos e filhas, os seus irmãos de fé, os seus amigos. Por ali, Orla Treacy tem vindo a descobrir o que é a felicidade. Ainda bem que Deus a desassossegou…

Paulo Aido

Quinta-feira, 26 Março, 2026

Médicos católicos saúdam revogação da lei sobre identidade de género

Lisboa, 24 de março de 2026 (Ecclesia) – A Associação dos Médicos Católicos Portugueses manifestou “concordância e satisfação” com a aprovação, na Assembleia da República, de três projetos de lei que revogam a legislação relativa ao direito à autodeterminação da identidade de género.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a direção nacional da associação afirma que a anterior lei se baseava numa perspetiva que “se afasta da realidade do ser humano” e que pode prejudicar o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Os diplomas foram aprovados a 20 de março, com votos favoráveis do PSD, Chega e CDS-PP, seguindo agora para análise na especialidade, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A associação indica que está disponível para contribuir “tecnicamente e do ponto de vista bioético” na redação final.

A Associação dos Médicos Católicos Portugueses recorda que já se tinha pronunciado contra a lei de 2018, defendendo que esta afastava o processo da sua base médica e científica. Em particular, alerta para a necessidade de enquadrar a disforia de género como condição clínica, com diagnóstico adequado e acompanhamento especializado, sobretudo na infância e adolescência.

No mesmo documento, os médicos referem mudanças registadas noutros países europeus, como o Reino Unido, Finlândia e Suécia, onde foram revistas práticas clínicas nesta área, nomeadamente quanto à utilização de bloqueadores da puberdade em menores.

Invocando o princípio bioético “primeiro, não causar dano”, a associação sublinha que esta preocupação orienta a sua intervenção no espaço público e a prática clínica dos seus membros.

Quinta-feira, 26 Março, 2026

Equipas de Nossa Senhora acolhem com alegria reconhecimento do fundador como venerável

Lisboa, 25 de março de 2026 (Ecclesia) – As Equipas de Nossa Senhora (ENS) em Portugal receberam com “grande emoção e alegria” a declaração do padre Henri Caffarel como venerável, autorizada pelo Papa Leão XIV, considerando que este momento “ficará gravado na história” do movimento.

“Agora, é tempo de dar graças a Deus e de perseverar na oração, com insistência e confiança, para acelerar o caminho até à canonização do nosso fundador”, afirmam Fátima e António Carioca, casal responsável pelas ENS em Portugal, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Os responsáveis sublinham que o reconhecimento das virtudes heroicas de Henri Caffarel confirma “a profundidade espiritual da sua vida e missão”, apresentando-o como “um testemunho fiel do Evangelho”. Sacerdote francês, nascido em 1903, fundou as Equipas de Nossa Senhora em 1938, propondo o matrimónio como caminho de santidade.

A decisão foi tomada durante uma audiência ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério das Causas dos Santos, na qual foram também reconhecidas as virtudes heroicas de outras cinco pessoas.

As ENS destacam que o movimento continua a ser, hoje, um espaço de crescimento espiritual para milhares de casais e sacerdotes, oferecendo “uma pedagogia adequada e robusta” para viver o caminho cristão em conjunto. Presente em 93 países, o movimento reúne cerca de 160 mil membros.

Em Portugal, a estrutura integra mais de 18 mil participantes e estende-se também aos países africanos de língua oficial portuguesa, mantendo-se como uma das maiores associações de fiéis da Igreja Católica dedicadas à espiritualidade conjugal.

Quinta-feira, 26 Março, 2026

Fundação Jornada apoia 20 projetos juvenis com 500 mil euros

A Fundação Jornada, do Patriarcado de Lisboa, anunciou a seleção de 20 projetos no âmbito do programa ‘Jovens Agentes de Esperança’, com um apoio financeiro global de 500 mil euros, valor superior aos 360 mil inicialmente previstos, devido à elevada adesão e qualidade das candidaturas.

Em comunicado divulgado a 25 de março, a diretora executiva, Marta Figueiredo, destaca o “entusiasmo” pelo arranque da iniciativa, sublinhando que “a qualidade das candidaturas superou as expectativas”. Ao todo, foram analisadas mais de 600 propostas, num processo de avaliação conduzido por um júri externo independente.

Os projetos escolhidos distribuem-se por três áreas – Aproximar, Capacitar e Impulsionar – e abrangem várias regiões do país, dos Açores ao Alentejo. Segundo a fundação, as iniciativas vão beneficiar diretamente mais de 10 mil jovens, combinando dimensão nacional com forte ligação às comunidades locais.

A maioria dos projetos é liderada por jovens e incide em áreas como saúde mental, espiritualidade, inclusão social, educação e participação cívica. Entre os exemplos estão iniciativas de diálogo sobre fé em contextos informais, programas de literacia política, mentoria para a empregabilidade de pessoas com deficiência e ações de combate à dependência digital.

Para além do financiamento, os projetos vão contar com acompanhamento e ações de capacitação. A Fundação Jornada, criada a partir do legado da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, tem como missão promover o envolvimento dos jovens como agentes de transformação social.

PAPA LEÃO XIV

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Papa lembra cristãos impedidos de celebrar Semana Santa devido à guerra

Cidade do Vaticano, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV apelou à paz no Médio Oriente e manifestou a sua proximidade espiritual aos cristãos da região que não podem viver plenamente os ritos da Semana Santa devido ao conflito.

“No início da Semana Santa, estamos unidos em oração aos cristãos do Médio Oriente, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem celebrar plenamente estes dias santos”, afirmou no final da celebração de Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro.

Antes da recitação do ângelus, o pontífice sublinhou que a provação dessas comunidades interpela a consciência de todos. O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, anunciou recentemente o cancelamento da tradicional procissão de Ramos e o adiamento da Missa Crismal.

Leão XIV estendeu a sua oração a todos os povos feridos pela violência global e aos marítimos vítimas da guerra, recordando também os migrantes falecidos num naufrágio recente ao largo de Creta. “A terra, o céu e o mar foram criados para a vida e para a paz”, declarou.

A Semana Santa, momento central do calendário litúrgico, prossegue com a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e culmina na Vigília Pascal, celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Papa desafia jovens a trocar ‘likes’ pelo amor e a oração

Mónaco, 28 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV apelou aos jovens para que resistam à dependência da aprovação virtual e encontrem na relação com Cristo e na oração o antídoto para o vazio interior.

No encontro na Igreja de Santa Devota, padroeira do Mónaco, o pontífice respondeu às dúvidas de vários jovens e catecúmenos, incluindo Andreia, de 24 anos, que destacou a dificuldade de manter a fé perante acontecimentos como guerra, doença ou perda de entes queridos.

“O vazio interior não se preenche com coisas materiais, likes ou pertenças artificiais”, afirmou Leão XIV, sublinhando que o amor exige fidelidade, constância e sacrifício diário. O Papa encorajou os presentes a aprofundar a oração e a Eucaristia, recordando São Carlo Acutis, canonizado em 2025, que chamava a Eucaristia de “autoestrada para o Céu”.

Aos catecúmenos Ethan e Sophie, destacou que o testemunho cristão se constrói na troca com Deus e com quem sofre. “O Mónaco pode ser um grande laboratório de solidariedade e uma janela de esperança. Levai o Evangelho para as vossas escolhas profissionais e sociais”, pediu.

O arcebispo D. Dominique-Marie David deu as boas-vindas, considerando os jovens um desafio que exige responsabilidade. Após a bênção, Leão XIV seguiu em carro aberto para a residência do arcebispo, onde decorreu o almoço.

Segunda-feira, 30 Março, 2026

Papa questiona modelo económico centrado no lucro

Mónaco, 28 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou à comunidade católica do Mónaco para um “discernimento crítico e profético” da sociedade, desafiando-a a questionar o atual modelo económico e a proteger a vida humana em todas as suas fases.

Na Catedral da Imaculada Conceição, Leão XIV questionou se a sociedade vigente é justa e solidária, alertando contra a lógica do lucro como fim em si mesmo. “Uma fé viva é profética, suscita perguntas e provoca: estamos a defender o ser humano e a dignidade da pessoa?”, interrogou.

O pontífice evocou Jesus como advogado dos oprimidos e pediu que a Igreja assuma papel semelhante na defesa dos marginalizados. Sublinhou a importância de construir espaços que não criem barreiras por origem ou condição social e reforçou que a pluralidade na Igreja não divide, mas acolhe todos como filhos de Deus.

Citando o documento do Vaticano ‘Quo vadis, humanitas?’ sobre inteligência artificial, Leão XIV alertou para o secularismo que reduz o ser humano ao individualismo e orienta a vida apenas para a produção de riqueza. Incentivou também o uso de novas linguagens, incluindo digitais, para anunciar o Evangelho.

A chegada do Papa contou com receção oficial do príncipe Alberto II e da princesa Charlene, e a passagem pelas ruas do Principado reuniu milhares de pessoas, com bandeiras de vários países, incluindo Portugal. O programa inclui visita à Igreja de Santa Devota e encontros com jovens e catecúmenos.

Sexta-feira, 27 Março, 2026

Papa destaca doação de órgãos como gesto de fraternidade e alerta para riscos de mercantilização

Cidade do Vaticano, 26 de março de 2026 – O Papa afirmou que a doação de órgãos constitui uma expressão concreta de fraternidade universal, sublinhando a necessidade de afastar qualquer forma de mercantilização do corpo humano. A posição foi assumida num encontro com especialistas em transplantes, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé.

Na sua intervenção, Leão XIV defendeu critérios justos e transparentes neste campo, alertando para os riscos de submeter a dignidade humana a lógicas económicas. O Papa destacou que a possibilidade de salvar vidas através de transplantes depende da generosidade dos dadores, valorizando o contributo de profissionais, especialistas e voluntários que acompanham situações de grande fragilidade.

A propósito do 70.º aniversário da primeira doação de órgãos em Itália, o pontífice recordou o testemunho do beato Carlo Gnocchi, que doou as suas córneas após a morte, permitindo devolver a visão a dois jovens. Segundo Leão XIV, esse gesto ajudou a despertar a consciência social e a promover o desenvolvimento de enquadramento legislativo.

O Papa evocou ainda o percurso do magistério da Igreja nesta área, desde Pio XII até aos dias de hoje, insistindo que a doação deve manter-se um ato gratuito, enraizado numa cultura de vida e esperança. Num contexto em que prevalecem critérios de eficiência e interesse, considerou essencial preservar a centralidade da pessoa.

A mensagem incluiu também um apelo ao avanço da investigação científica, para responder à escassez de órgãos, defendendo que o progresso deve ser sempre acompanhado por uma reflexão ética rigorosa e orientado para o bem integral da pessoa.

VOX POPULI

Segunda-feira, 30 Março, 2026
Pe. Jorge Guarda
Diocese de Leiria-Fátima

Mário Ganhão Pereira, um leiriense empenhado na Igreja

Recentemente, recebi de Rui Ganhão Pereira uma carta a comunicar a morte do seu irmão Mário Ganhão Pereira. Dava testemunho de como o seu familiar viveu e se empenhou na família, na profissão e na Igreja. Na sua homenagem e em relação a Leiria, onde nasceram e cresceram, testemunha que o seu irmão era “um homem bom” e que, “sempre presença discreta, ‘batalhou’ à sua maneira por uma Igreja viva”, tanto em Leiria, na juventude, como em Lisboa, na idade adulta. Respigo o essencial do que continha a missiva.

Mário Ganhão Pereira nasceu em Leiria a 29-11-1935 e faleceu em Lisboa, onde residia, a 31-12-2025, aos 90 anos. Estudou na cidade de Leiria e foi para Lisboa, onde frequentou a Faculdade de Direito, como estudante trabalhador. Concluído o curso, dedicou-se à gestão de empresas, em várias áreas, fixando residência na capital.

Na Diocese de Leiria-Fátima, enquanto jovem, empenhou-se nas “Congregações Marianas de Leiria”, com o Padre Francisco Vieira da Rosa, promovendo a vivência cristã através da devoção à Virgem Maria. Entretanto, a convite do Padre José Galamba de Oliveira, haveria de pertencer à Direção diocesana da Juventude Escolar Católica (JEC). Nessa altura, começou também a colaborar no jornal “A Voz do Domingo”, fundado pelo mesmo sacerdote. Os seus escritos e participação no jornal diocesano prolongar-se-iam por muitos anos, como eu próprio me lembro de ver o seu nome e o do irmão na página literária chamada “Arrancada”. Com outros jovens, realizaram atividades de angariação de fundos para a construção de  3 casas, na Calçada do Bravo, que seriam entregues a famílias carenciadas de Leiria.

Já em Lisboa, entre outras colaborações eclesiais, com a esposa, foi um dos impulsionadores do Congresso da Família, no Patriarcado, com grandes repercussões na época nas famílias e na sociedade, contribuindo para despertar “muitas e muitas consciências entretanto adormecidas, em particular nos mundos da política, do Social e, até, no campo da Comunicação Social”.

Aqui fica esta nota sobre a vida e morte de Mário Ganhão Pereira, que bem merece ser conhecida e apreciada. Deus o acolha junto de si, na eternidade, e conforte os seus familiares, como só Ele sabe e pode.

Link: https://lefa.pt/?p=76649
Segunda-feira, 30 Março, 2026
Joaquim Mexia Alves
Paróquia da Marinha Grande.

SEMANA SANTA

Deixa-te tocar pelo amor.

Veste-te de serenidade.

Caminha com passos de esperança.

Segue os passos do teu Senhor

que te levam à eternidade.

A dor que Ele agora sente

não é por causa d’Ele

é por causa de ti

por causa de toda a gente.

Aproxima-te d’Ele

pede para Lhe levar a Cruz

porque Quem suporta o peso da tua

é Ele

o bom Jesus.

E crê

e confia

e espera em oração

porque Aquele em que acreditas

Aquele que apenas sabe amar

vai morrer por ti

para depois ressuscitar.

Link: https://lefa.pt/?p=76858
Sexta-feira, 27 Março, 2026
Pe. Armindo Janeiro
Diocese de Leiria-Fátima

Fátima, um rasto luminoso de esperança!

Vivemos nestes dias a nossa peregrinação ao Santuário de Fátima…

O evento que lhe dá origem, enquanto expressão da solicitude amorosa de Deus Pai, traduzido em gestos maternos, não só atualiza o convite de Maria nas bodas de Caná – “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5) – como nos faz centrar o olhar na contemplação daquele dinamismo profundo da história da Salvação, em que Deus, mistério de Amor misericordioso, Se foi revelando progressivamente até à loucura da Cruz e à alegria indescritível da manhã da Páscoa! 

Não admira, por isso, que a Divina Providência, perante a deriva do homem moderno – que não só lançou suspeitas (Gn 3,1-5) sobre Deus e sobre a bondade da Sua ação, como Lhe moveu um processo e O expulsou da cidade dos homens, substituindo-O por ideologias totalitárias, degradantes da condição humana –, nos tenha querido visitar, através do Anjo da Paz e da Senhora do Rosário, confiando a três crianças os seus «desígnios de misericórdia».

A escolha de crianças (Mt 19,14) para interlocutores desta Iniciativa divina, recorda-nos que Deus sempre realizou os seus projetos com a colaboração dos simples e dos humildes; e, ao imergi-los na beleza e na alegria do Seu mistério de amor, revela-nos que essa mesma experiência está ao alcance de todos nós! Na medida em que dermos espaço à ação do Espírito Santo, Jesus e o Pai virão ao nosso coração e farão nele a Sua morada (Jo 14,23).

Foi nesta experiência que os Pastorinhos enraizaram a sua confiança inabalável em Deus e nos seus Mensageiros; denunciaram o pecado dos homens, que nos afasta de Deus e dos irmãos, e fizeram-se profetas do Seu perdão; celebraram a Sua paz e indicaram o caminho, antigo e sempre novo, da liberdade que o amor de Deus nos dá ao atrair-nos para Si! Esta liberdade divina, que não conhece limites nem pede licença para intervir, aconteceu em Fátima!  

Ali se cumpriram duas liberdades numa “dança luminosa”: a de Deus, na Sua livre e amorosa iniciativa, e a do Homem, em resposta confiante de adesão a Cristo e mudança de vida, admiravelmente testemunhada pelos Pastorinhos.  

Ali, ao contrário do homem moderno – que vê Deus como concorrente e seu inimigo – três crianças viveram plenamente uma relação íntima e feliz com Deus, sentindo-O totalmente confiável, ao ponto de elas, mesmo ameaçadas, afirmarem que não a trocariam por nada deste mundo, mesmo correndo o risco de perder a própria vida.

Em Fátima, por isso, somos convidados, pelos Pastorinhos e pelos Mensageiros celestes, a redescobrir o coração da nossa fé e a crescer na confiança filial em Deus – Trindade Santíssima para que, vivendo como filhas e filhos muito amados, sejamos suas testemunhas na alegria e na esperança do Ressuscitado.

Santa Páscoa do Senhor!

Link: https://lefa.pt/?p=76793
Sexta-feira, 27 Março, 2026
Joaquim Mexia Alves
Paróquia da Marinha Grande.

CONHECIMENTO

Senhor, precisamos adquirir mais conhecimentos, lendo mais, refletindo mais, para melhor Te conhecermos e melhor Te amarmos.

Mas todo esse conhecimento que possa vir do estudo, da leitura, da reflexão, da procura, só levará a um amor maior por Ti, e em Ti pelos outros, se nos abrirmos decididamente a Ti, em oração, para recebermos de Ti o Espírito Santo, porque só com Ele e por Ele tudo se pode transformar na Vida Nova, por Tua graça.

Que interessa o muito conhecimento e o muito estudo se for apenas para nos vangloriarmos do nosso pretenso saber, da nossa pretensa sabedoria.

Se assim for tudo o que possamos adquirir fecha-se em nós e só nos serve a nós, acabando por não constituir uma vida aberta aos outros, mas apenas fechada às nossas inclinações humanas.

Se tudo isso não nos levar ao Teu encontro e a encontrarmos-Te nos nossos irmãos, de nada vale.

Se, no entanto, em todo esse estudo, essa procura de conhecimento, nos colocamos nas Tuas mãos para melhor amar e servir, então tudo serve para os outros, porque será a Tua luz a brilhar em nós e não a nossa fraca e débil inteligência.

Que interessa ao homem ser admirado e elogiado, ser servido pelos homens, se a sua vida, o seu saber, não serve a Deus servindo os outros?

Haverá sempre quem vai mais longe do que nós, e aqueles que se fecham em si próprios e vivem para si próprios, rapidamente são esquecidos e nada têm para dar, e, assim sendo, o muito ou pouco que têm de nada lhes servirá e até lhes será retirado.

De Ti, Senhor, vem a sabedoria, vem a luz, vem o amor, e, por isso mesmo, só em Ti o homem pode encontrar a verdadeira sabedoria, a verdadeira luz e o verdadeiro amor, que nos fazem cada vez mais à Tua imagem semelhança.

Quanto mais nos aproximamos de Ti mais livres e felizes seremos, porque o Teu amor nos enche e se faz amor em nós.

Ajuda-nos, Senhor, a procurar apenas a Tua vontade em tudo o que fazemos, porque só na Tua vontade seremos aqueles por quem Tu desta a vida e ressuscitaste para nos salvar.

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Sexta-feira, 27 Março, 2026
Pe. Aires Gameiro
Padre, psicólogo e professor universitário no Funchal

Todos diferentes e iguais em quê? Em Quem?

Este tempo de guerras, mortes e da Paixão e morte de Jesus Cristo, convida a buscar sentido de vida. As diferenças das pessoas dominam mais que a igualdade: uma escreve uma linha; outra, uma página. Esta, nada. Aquela diz uma palavra, esta explica em longa conversa o que outra diria em dez segundos e outra fala até cansar quem a ouve. Todas diferentes em mil outras maneiras de ser e fazer. As ciências não as conseguem esgotar todas, nem as conversas de tertúlia, opiniões de comadres, opiniões de multidão. O homem, o cientista, o místico, o espiritual precisariam de ser dotados de uma inteligência divina. E para entender a igual dignidade das pessoas e a sua semelhança com o Criador, como a Bíblia se exprime, seria ainda mais difícil e indizível. Um santo da hospitalidade cristã atreveu-se a dizer que uma pessoa (ele dizia uma alma) vale mais que todos os tesouros do mundo (Bento Menni).   

 Há séculos, a Revolução Francesa clamou o refrão da “igualdade”: “todos iguais”. Iguais nisto e naquilo, mas ficou pouco claro, na teoria e na prática, e não evitou as injustiças de começar a guilhotinar cabeças. As diferenças gritaram mais alto, as aparências dão mais nas vistas. E alguns filósofos afirmam, de variadíssimos modos, que para tratar bem as pessoas, os doentes, os alunos, os cidadãos de um país todas as diferenças devem ser postas entre parênteses, escondidas, como se não existissem, e olhar cada pessoa e vê-la igual a todas as outras, igual a mim. Igual em quê? Mas não fica claro o que cada um quer dizer quando diz igual, nem o que significa a igualdade dos cidadãos e muito menos porquê muitas pessoas não são consideradas cidadãos em nenhum país.

Cada pessoa de mediana inteligência poderá tentar reconhecer que cada pessoa é uma entidade, um ser simultaneamente corpo (soma) e espírito (sopro/pneuma) unidos a funcionar, a existir e exprimir-se como corpo (material) e espírito (não material). Quando, porém, se pedisse para dizer essa maravilha cientificamente e racionalmente tenderiam a falar para cá dos limites materiais, da animalidade sem conseguir estender-se ao espiritual sem limites.

 A Bíblia no Antigo Testamento vem em socorro desta incapacidade quando narra que são iguais porque à imagem e semelhança do Criador que lhe soprou o pneuma (espírito).O Evangelho e a Igreja dizem que as pessoas são todas iguais na dignidade (a que o Papa Francisco chamou «dignidade infinita» desde a conceção à morte e para além da morte. A Igreja, desde há vinte séculos ensina que os batizados são todos eminentemente filhos de Deus e recebem uma dignidade divinizante que não anula, mas sublima a igual dignidade de pessoas criadas por Deus.

Muitos afirmam que as pessoas são iguais na espiritualidade e até muitos organismos e instituições também o dizem quando discorrem sobre o conceito de saúde que alguns cidadãos, deste ou daquele país, e que só são bem cuidados se os cuidadores deles respeitarem que esta espiritualidade (dignidade) torna iguais os doentes, sejam quais forem as suas diferenças. E serão tratadas de igual modo, por todas as ciências e todas as opiniões, e à base de todas as experiências de vida de todas as pessoas? Quem dera! Infelizmente não faltam pensares, de ciência, de filosofia, ideologia e opiniões mal verificadas e erradas, por ignorância e atrevimento, que as comparam a animais, a coisas e a objetos de abuso.  As ciências, duras e moles, estudam as diferenças das pessoas para melhor as conhecerem e cuidarem. E têm razão nesse esmiuçar em mini análises as diferenças de funcionamento. Descobrem que são diferentes no seu corpo, sistemas orgânicos e capacidades. Continuam iguais, mas não para todas as escolas, serviços, empregos, funções, em todos os países, etc. Estas e outras diferenças levam alguns a negar a igualdade, a dignidade; e a considerar algumas mais dignas, como Lévinas, ou “mais iguais”, como na “república dos porcos”. Alguns pensadores e filósofos colocam outras abaixo de animais ou eliminam-nas, como Hitler e os promotores dos Gulags,Holodomors e outros genocídios. E já antes Darwin e Nietzsche, mantiveram posições de eugenia de não as deixarem viver, como há hoje correntes semelhantes. A Semana Santa cristã, naturalmente, ou antes, espiritualmente falando (divinalmente) une as diferenças e a dignidade das pessoas em Jesus Cristo Deus-Homem encarnado que disse: Eu “estava doente e visitaste-Me (Mt.25.36”; “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós os deveis lavar uns aos outros” (Jo. 13,12-15) como iguais e semelhantes a Mim. 

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Quinta-feira, 26 Março, 2026
Pe. Augusto Ascenso Pascoal
Sacerdote da Diocese de Leiria-Fátima

NA HORA DA ORFANDADE

Nascido a meio do penúltimo ano de pontificado de Pio XI, creio bem que as primeiras memórias de alguma conversa ouvida em casa e que se referia ao sofrimento do Papa, por causa da guerra, falava de Pio XII.

A respeito dele, diziam as pessoas, na sua linguagem hiperbólica, mas não sem um profundo significado eclesiológico, que “o Padre Santo de Roma, sofria e rezava tanto pela paz, que tinhas os joelhos em sangue”.

O Padre Santo, naqueles tempos e naquelas terras, quando e aonde não haviam chegado ainda os anglicismos, precursores do colonialismo cultural americano, que nos ficaria como mais uma das grandes tragédias derivadas da última Grande Guerra, o Padre Santo de Roma era o sucessor de São Pedro, que nós, entretanto começámos a chamar Santo Padre; até que a secularização da nossa cultura, veiculada sobretudo pelos órgãos de comunicação social, começou a ver no bispo de Roma, apenas o Papa, ou, pior ainda, o Chefe da Igreja Católica.

Vão por aqui as minhas reflexões desta manhã chuvosa – não sei se a Primavera está ainda para vir, ou se já nos deixou, com vergonha dos nossos disparates – desta manhã chuvosa em que a liturgia romana, depois de celebrar essa figura extraordinária de mulher do século XV, que foi Santa Catarina de Sena, recorda São Pio V, junto da sepultura do qual, repousam desde anteontem os restos mortais do nosso querido Papa Francisco.

Apetecia-me recuperar a expressão tão simples e tão carinhosa da minha infância: os restos mortais do Padre Santo de Roma.

Francisco e Pio, sepultados lado a lado, numa igreja dedicada por um Papa mal-amado, à Virgem Santíssima, Maria, que Deus, ao fazer-se homem, por nós e connosco, quis que fosse sua e nossa mãe.

Mãe e figura da Igreja, no seio da qual, pelo Baptismo, nascemos para a vida que, com tanta dor, nos mereceu o Filho, na sua morte e ressurreição.

Todo este mistério se descobre por detrás do sinal que é a figura do sucessor directo de Simão Pedro. Por isso há quem teime em pensar que esta é a hora do luto, da orfandade. E, num certo sentido, tem razão.

Com o máximo respeito pelos corações mais colados à imanência, à saudade do transitório, atrevo-me a dizer que é sobretudo a hora de aprofundar a consciência da nossa filiação divina, encarnando de uma vez para sempre, na mente e nas acções, aquilo que acabou por ser o último apelo de Papa Francisco: a fraternidade universal.

E transformarmos a hora da orfandade no tempo e no espaço de luta por uma reabertura do coração aos irmãos, de perto e de longe, desistindo finalmente de criar barreiras, tantas vezes com o pretexto sacrílego de servir Aquele que, na cruz, abriu os braços para acolher a humanidade inteira.

Todos na intimidade do Pai, cujo reconhecimento, como dizia o Papa Francisco, é absolutamente necessário para percebermos o que significa ser irmão, nesta família dos que, como diz o quarto evangelho, “não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus” (Jo 1, 13).

Há que fechar a boca e os ouvidos, para não dizer nem escutar palavras que, em vez de construírem pontes, cavam abismos, acirrando as diferenças no secundário, quando do que temos necessidade é de que se aprofunde o essencial.

Não se perder no oceano de conjecturas com que, consciente ou inconscientemente, acirramos lutas internas, reduzindo, às vezes de modo verdadeiramente drástico, os caminhos da unidade e da paz.

Copio a fórmula de súplica, para estes dias de espera, que me chegou, agradeço e utilizo, na minha oração pelo novo Papa:

“Suplicamos, ó Deus, com humildade: que vossa imensa piedade conceda à Sacrossanta Igreja Romana um Pontífice que pelo seu zelo por nós, Vos possa ser agradável, que seja assíduo no Governo da Igreja para glória e reverência do Vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Sano, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amen.”

Pedir a Deus, com humildade!

Porque sabemos que só Ele sabe e pode.

Tão humildes, tão humildes, que evitemos os discursos daqueles que às vezes parecem querer ensinar o Espírito Santo; quando não têm mesmo o tom de uma reivindicação, da qual há que pedir perdão, primeiro porque ofende a Deus, depois porque, em qualquer dos casos, como todos sabemos pela história milenar da Igreja, produz um ninho de anticorpos que condicionarão tanto a escolha como o ministério do futuro Papa.

Porque muito do que se diz nas tribunas indiscretas da opinião pública tem a marca das quezílias, dos ciúmes e das de escolas, teológicas ou não, atrevo-me a terminar com algumas palavras respigadas de um comentário da Santo Agostinho ao Salmo 103 (104): segundo o santo bispo e Doutor, Deus, que não maldiçoa ninguém que desapareçam os todos os ímpios da terra: “que quer dizer isto? Que deixem de ser iníquos: que sejam santificados, de tal modo que já não seja iníquos”.

Por outras palavras: não se trata de saber quem é mais santo, mas de o sermos todos cada vez mais.

(Iniciado a 30 de Abril, concluído e publicado em 25.05.01)

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Quinta-feira, 26 Março, 2026
Sérgio Carvalho
Professor de EMRC

Wokismo sob olhar católico

Nos últimos anos, o chamado “wokismo” entrou no vocabulário comum como sinal de uma nova sensibilidade social. Nasceu como apelo à vigilância moral face às injustiças, sobretudo raciais e sociais, mas rapidamente se tornou num fenómeno mais complexo, atravessado por dimensões culturais, políticas e ideológicas. Perante este cenário, importa perguntar: qual é, afinal, a resposta católica?

Antes de mais, convém evitar caricaturas. A tradição cristã nunca foi indiferente à dor do mundo. Pelo contrário, a defesa da dignidade de cada pessoa humana está no centro do Evangelho. Quando o “woke” significa atenção ao sofrimento dos marginalizados, denúncia de discriminações ou compromisso com a justiça, não há conflito com a fé cristã; existe, até, convergência. A Doutrina Social da Igreja, desenvolvida ao longo de mais de um século, insiste precisamente na centralidade da pessoa, na solidariedade e no bem comum.

O problema surge quando essa sensibilidade se transforma numa ideologia fechada. E é aqui que a tensão se torna evidente. Em muitos dos seus desdobramentos contemporâneos, o wokismo assenta numa visão fragmentada da sociedade, dividida entre opressores e oprimidos, onde a identidade de grupo tende a sobrepor-se à dignidade pessoal. A lógica deixa de ser a da reconciliação e passa a ser a do conflito permanente.

Além disso, a recusa de qualquer verdade objetiva (traço comum de certas correntes culturais atuais) entra em choque direto com a antropologia cristã. Para a Igreja, a liberdade não é criação arbitrária de si mesmo, mas resposta a uma verdade inscrita na própria natureza humana. Quando tudo se torna fluido, também a própria ideia de pessoa se torna instável.

Outro ponto crítico é a crescente intolerância à opinião divergente. A chamada “cultura do cancelamento” manifesta-se frequentemente como uma nova forma de exclusão: não se combate o erro com argumentação, elimina-se o interlocutor. Ora, o cristianismo propõe precisamente o contrário: diálogo, paciência, possibilidade de mudança. A misericórdia não é cumplicidade com o erro, mas também nunca é condenação sem esperança.

Dito isto, a resposta católica não se resume a uma rejeição. É, acima de tudo, uma proposta. Propõe uma síntese exigente entre verdade e caridade, entre justiça e perdão, entre liberdade e responsabilidade. Recusa tanto a indiferença perante a injustiça como a instrumentalização ideológica das causas humanas.

Num tempo marcado por polarizações fáceis, talvez o maior contributo do pensamento cristão seja este: recordar que nenhuma causa justa pode florescer, verdadeiramente, sem uma visão integral da pessoa humana. E que a verdadeira transformação social não nasce da imposição ou do confronto, mas da conversão pessoal e comunitária.

Entre a justiça e a ideologia, a Igreja continua a apontar um caminho mais difícil, mas também mais humano.

Link: https://lefa.pt/?p=76733
Quinta-feira, 26 Março, 2026
Paulo Adriano
Assessor de comunicação. Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.

A cobertura mediática da Marcha pela Vida como teste de coerência democrática

A recente Marcha pela Vida em Lisboa foi alvo de um ataque com um engenho incendiário lançado contra famílias, mulheres grávidas e crianças. O incidente podia ter tido consequências dramáticas. Mas o que este episódio veio também revelar — de forma particularmente nítida — vai além da violência física: expôs a assimetria com que a opinião pública é moldada pela linguagem dos meios de comunicação.

Não está apenas em causa o modo como se noticia um incidente grave. Está em causa a forma como, de forma sistemática, se enquadram as causas pró-vida e pró-aborto no espaço público.

Basta olhar para os títulos. Quando cobrem a Marcha pela Vida, muitos órgãos recorrem quase automaticamente ao rótulo “marcha anti-aborto” ou “manifestação contra o aborto”. O próprio nome da iniciativa — “pela Vida” — é relegado para segundo plano, substituído por uma etiqueta que define o movimento apenas pelo que combate.

Ao contrário, quando se trata de mobilizações a favor da liberalização do aborto, os títulos falam de “direito ao aborto”, “direitos reprodutivos” ou “direito de escolha das mulheres”. Um lado é apresentado como “anti”; o outro como “direito”. Esta diferença não é inocente: molda desde logo o campo de simpatia do leitor.

Se descermos dos títulos ao corpo das notícias, a assimetria continua. No caso da Marcha pela Vida, os textos reconhecem que se trata de uma manifestação pacífica, com famílias, jovens e crianças. Muitas vezes transcrevem declarações sobre dignidade da vida humana, apoio a mulheres em crise, alternativas ao aborto ou cuidados paliativos. Mas esses elementos quase nunca chegam à manchete.

O que fica em grande plano é o rótulo “anti-aborto” e, este ano, o incidente violento. O leitor apressado não vê um movimento com uma proposta social positiva; vê “conservadores anti-aborto envolvidos num caso polémico”.

Em sentido inverso, quando os media cobrem eventos pró-aborto, a gramática é a dos direitos fundamentais: “direitos reprodutivos”, “igualdade de género”, “saúde pública”, “autonomia da mulher”. Não se fala de “marcha pró-aborto”. O vocabulário é cuidadosamente limpo de qualquer termo que possa soar negativo. A causa é apresentada como luta por direitos, não como defesa de uma prática concreta.

A seleção de fontes reforça este desequilíbrio. Do lado pró-vida, as notícias citam sobretudo a Federação Portuguesa pela Vida e representantes da Igreja. Aparecem como vozes morais ou religiosas — o que é verdade —, mas raramente como interlocutores qualificados sobre políticas de família, demografia ou justiça social. Os organizadores são descritos como “movimento católico” ou “conservador”.

Nas peças sobre eventos pró-aborto, são frequentemente escutadas associações feministas, gabinetes governamentais, juristas, médicas e académicas. Falam em nome da ciência, da saúde e do direito. A sua posição é apresentada como racional, técnica e moderna. Se há contraditório, muitas vezes é reduzido a uma declaração moral de grupos pró-vida, apresentados como “religiosos” ou “fundamentalistas”. O leitor é subtilmente pressionado a ver um lado como “especialista” e o outro como “crente”.

O ataque e o que ele revelou

Uma iniciativa pacífica, com milhares de pessoas, mulheres grávidas, idosos e crianças, foi alvo de violência que podia ter tido consequências gravíssimas. Houve condenações claras de responsáveis políticos e vários órgãos destacaram a gravidade do sucedido — e isso merece ser reconhecido. Mas subsistiu, em muitos casos, a tentação de reduzir o acontecimento a “incidente numa marcha anti-aborto”, como se o essencial fosse o rótulo ideológico da manifestação e não a gravíssima violação da liberdade de expressão e reunião.

Uma verdadeira cultura democrática não pode aceitar este tipo de filtro sem o denunciar. Não se trata de pedir uma imprensa “católica” em todos os meios, nem de exigir que os jornalistas partilhem da visão cristã sobre a vida. Trata-se de pedir algo mais básico: coerência e honestidade.

Se as mobilizações pró-aborto são apresentadas como lutas por direitos, então é intelectualmente desonesto negar que a Marcha pela Vida também defende direitos — o direito à vida do nascituro, o direito das mulheres a não serem empurradas para o aborto por falta de apoio, o direito dos idosos e doentes graves a não serem pressionados para a eutanásia.

Lucidez e coerência precisam-se

Do ponto de vista católico, este momento pede duas respostas complementares.

A primeira é a lucidez crítica: formar os fiéis — especialmente os mais jovens — para ler notícias com ferramentas de análise de linguagem. Aprender a desconfiar de títulos facciosos, a verificar quem é citado, que termos são usados, que temas são omitidos. Não basta consumir notícias; é preciso discernir.

A segunda é a coerência propositiva: quanto mais a Marcha pela Vida for visivelmente um movimento de serviço concreto — de apoio à maternidade, de ajuda a famílias em dificuldade, de defesa de cuidados paliativos, de combate à solidão — mais difícil será aprisioná-la na caricatura de “grupo de conservadores contra tudo”.

Num tempo em que se invoca tanto a liberdade de expressão, é paradoxal que uma das poucas manifestações que coloca no centro os mais silenciosos — o embrião, o doente frágil, o idoso descartado — seja tantas vezes empurrada para as margens do debate.

A Igreja não deve resignar-se ao papel de “minoria ruidosa” que a cultura dominante lhe quer atribuir. Deve, com humildade e firmeza, reclamar para a causa da vida o que ela realmente é: não um capricho confessional, mas uma exigência de justiça inscrita na própria dignidade humana.

O maior serviço que um órgão de comunicação católico pode prestar hoje não é apenas dar boas notícias sobre as suas iniciativas. É ensinar a ver como a verdade é, tantas vezes, distorcida pela gramática do poder cultural. Ao desmascarar os vieses e propor uma presença pública serena, respeitosa e firme, ajudamos a sociedade portuguesa a redescobrir que uma democracia que não protege a vida frágil está, ela mesma, em risco de se tornar frágil.

Algumas hiperligações

Marcha pela Vida em Lisboa e ataque

Cobertura pró‑vida, linguagem usada e números

Eventos e enquadramento pró‑aborto / direitos reprodutivos

Link: https://lefa.pt/?p=76728

Agendas