TEMA 4
SUSTENTADOS PELA PALAVRA
Acolhimento e saudação entre os participantes
Cântico inicial (sugestão)
O templo de Deus é santo, o templo de Deus é santo,
e vós sois esse templo, e vós sois esse templo.
Não sabeis que sois templos de Deus,
e que o Espírito de Deus habita em vós?
Saudação e oração inicial
[Orientador] Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
[Todos] Ámen
[O] O Senhor ensina-me o que devo dizer.
[T] Cada manhã, Ele desperta os meus ouvidos.
[O] Confiantes na presença de Deus, que nos abre os ouvidos, rezemos juntos!
[T] Vem Espírito Santo, enche-me da Tua graça, abre os meus ouvidos; unge os meus lábios; ilumina a minha mente e o meu coração. Instrui-me, Senhor, segundo a Tua vontade e dá-me a alegria de Te amar e de Te servir. Ámen
1º Passo: «Lectio»
(leitura orante da Palavra)
– sentados
[O] Em silêncio e em oração, escutemos e acolhamos a Palavra que nos é oferecida.
[Leitor 1] Do livro de Isaías: «Discípulos que escutam» (Is 50,4-11)
4«O Senhor DEUS ensinou-me o que devo dizer, para saber dar palavras de alento aos desanimados. Cada manhã desperta os meus ouvidos, para que eu aprenda como os discípulos. 5O Senhor DEUS abriu-me os ouvidos, e eu não resisti, nem recusei. 6Aos que me batiam apresentei as espáduas, e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam. 7Mas o Senhor DEUS veio em meu auxílio; por isso não sentia os ultrajes. Endureci o meu rosto como uma pedra, pois sabia que não ficaria envergonhado. 8O meu defensor está junto de mim. Quem ousará levantar-me um processo? Compareçamos juntos diante do juiz! Apresente-se quem tiver qualquer coisa contra mim. 9O Senhor DEUS vem em meu auxílio; quem ousará condenar-me? Cairão todos esfrangalhados, como roupa velha, roída pela traça.» 10Quem dentre vós teme o SENHOR e escuta a voz do seu servo? Mesmo que caminhe nas trevas, privado de luz, confie no nome do SENHOR e firme-se sobre o seu Deus. 11Mas quanto a vós, que ateais o fogo, que preparais setas incendiárias, caireis nas chamas do vosso próprio fogo, por entre as setas que inflamastes. Assim vos tratará a minha mão, e haveis de jazer nos vossos tormentos». Palavra do Senhor!
[Leitor 2] Para ajudar a compreender o texto
No texto de Isaías 50,4-11 o Servo do Senhor escuta, aprende e cumpre fielmente a vontade de Deus. É chamado a comunicar palavras de alento aos desanimados, a enfrentar a adversidade com coragem e a permanecer firme diante da injustiça e da violência. O Servo não se deixa abater pelo sofrimento ou pelo ultraje; confia plenamente na presença e na proteção do Senhor. Para nós, cristãos, este texto aponta-nos Jesus, o Servo do Senhor, que nos dá exemplo de obediência, paciência e confiança em Deus. Ele mostra-nos que o ministério dos fiéis, o serviço na Igreja, a vocação que nos é confiada, exige escuta atenta de Deus, coragem diante das dificuldades e firmeza na fé. Mesmo quando enfrentamos dificuldades, oposição ou injustiça, somos convidados a permanecer fiéis, confiantes de que Deus é o nosso defensor e a nossa fortaleza. O texto encoraja-nos a exercer os ministérios que nos foram confiados com dedicação e esperança, e a aprender que a fidelidade a Deus produz a justiça e torna-nos luz, mesmo nas situações mais adversas.
[O] Ainda neste 1º momento da Lectio Divina, voltemos a ler, em silêncio, o texto de Isaías (se possível, usemos a nossa Bíblia). Deixemos a palavra impregnar-se na mente e entrar no coração. Coloquemos a nossa imaginação em ação. Como é o servo atento à Palavra? O que Ele espera de Deus? Se possível, sublinhemos o que mais nos chama a atenção. (máx. 3 min.)
2º Passo: «Meditatio»
(Meditação pessoal da Palavra)
[O] Este 2º passo ajudar-nos-á a colocar a Palavra na nossa vida. É o momento de dialogarmos com aquilo que o texto nos está a dizer pessoalmente. Procure perceber o que o texto «lhe» diz concretamente. A partir dos versículos e das perguntas que são aqui propostas respondamos intimamente à pergunta: o que me diz o texto? (máx. 2/3 min. para cada reflexão)
«O Senhor DEUS ensinou-me … desperta os meus ouvidos… abriu-me os ouvidos…»
O Servo reconhece que a iniciativa é sempre de Deus. É Ele quem instrui, desperta, forma e abre os ouvidos. Não se trata de falar por conta própria, mas de deixar que Deus eduque o coração. Também nós precisamos desta docilidade para escutar cada manhã, para nos deixarmos formar na oração, na liturgia e na vida.
Escuto a Palavra diariamente ou deixo que outras vozes (ansiedade, pressa, opiniões, etc.) determinem o que digo e faço? Peço ao Senhor, cada manhã, que abra os meus ouvidos e o meu coração para ser Seu discípulo? Tenho deixado Deus instruir-me no que devo dizer? Tem sido Ele a orientar os meus gestos e atitudes?
«Eu não resisti, nem recusei»
O Servo é obediente e está completamente entregue nas mãos do Senhor. Ele não só escuta. Ele acolhe e corresponde. Mesmo se a missão é exigente, ele não foge. A vida cristã pede-nos esta coragem humilde de dizer “sim” à voz de Deus, sem reticências e receios.
Como reajo quando Deus me pede algo difícil? Tenho resistências interiores à vontade de Deus? Há situações concretas nas quais sei o que Deus me pede, mas adio, recuso ou fujo?
«Aos que me batiam apresentei as espáduas… não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam»
O Servo aceita a perseguição, não por fraqueza, mas por fidelidade. A mansidão e a não violência tornam-se testemunho. É uma entrega confiante, semelhante a Cristo. Também nós enfrentamos humilhações e rejeições quando procuramos ser fiéis ao Evangelho.
Como respondo às agressões, críticas injustas ou faltas de compreensão? Recorro à violência, ao ressentimento, à fuga? Procuro permanecer firme, com paciência e mansidão, a confiar no Senhor?
«O Senhor DEUS veio em meu auxílio… o meu defensor está junto de mim»
A força do Servo não vem de si, mas de Deus. Por isso ele não teme, não se envergonha, não se deixa vencer pelo mal. A presença de Deus é defesa, justiça e amparo. Esta é também a nossa segurança: não estamos sozinhos.
Confio realmente que Deus está ao meu lado nas dificuldades? Deixo-me dominar pelo medo, pela autossuficiência ou pelo desânimo? Nos momentos de injustiça, lembro-me de que Deus é o meu defensor?
«Mesmo que caminhe nas trevas, privado de luz, confie no nome do SENHOR»
A fé é posta à prova, quando faltam certezas, quando não há respostas. O convite é para confiar mesmo quando não vemos o caminho. É nessa confiança que cresce a maturidade espiritual.
Como reajo nos momentos de escuridão espiritual, incerteza ou sofrimento? Confio no Senhor mesmo sem compreender tudo? Deixo-me levar pelo medo? Apoio-me em Deus com total confiança?
«… a vós, que ateais o fogo… caireis nas chamas do vosso próprio fogo»
O texto termina com um aviso: quem recusa confiar em Deus e prefere criar as suas próprias “luzes” e viver na autossuficiência, no egoísmo, na manipulação e no pecado, acaba preso nas consequências das próprias escolhas.
Tenho procurado iluminar o meu caminho com “luzes próprias” (orgulho, teimosia, vícios, soluções fáceis, etc.)? Reconheço que há ‘caminhos que são só meus’ e que me “queimam”? Estou disposto a converter-me e a regressar à confiança humilde no Senhor que me amou e que me chamou ao Seu Serviço?
3º Passo: «Oratio»
(«Oração pessoal», a partir da Palavra)
[O] Neste 3º passo da Lectio Divina, depois de termos dialogado com a Palavra, dialogamos agora com o Senhor através da Palavra. Louvemos a Deus pelo dom desta Palavra, por aquilo que, em concreto, é descrito nesta passagem bíblica e por aquilo que Deus falou pessoalmente com cada um. Primeiramente, em silêncio, louvemos o Senhor por aquilo que este texto significa, segundo a nossa compreensão imediata. Podemos rever os versículos sublinhados por nós, ou as palavras que achámos mais importantes e, no nosso íntimo, agradeçamos ao Senhor por aquilo que Ele nos disse. (máx. 2 min.)
[O] Agora louvemos juntos:
[T] Senhor meu Deus, Tu que despertas cada manhã os meus ouvidos para que eu escute como um discípulo, ensina-me a acolher a Tua Palavra com docilidade e coragem. Dá-me um coração que não recua, mesmo quando chegam as afrontas, as dúvidas e o desânimo. Que eu saiba oferecer o rosto ao vento das provações sem perder a confiança no Teu amor que sustenta. Tu és Aquele que me justifica, por isso não temo quem me acusa. Sê minha luz, quando a noite parece mais densa; sê meu amparo, quando as minhas forças fraquejam. Concede-me, Senhor, a firmeza do Servo fiel, que não vive por si mesmo, mas por Ti. Que a Tua mão me conduza, que a Tua voz me desperte, e que, sustentado por Ti, eu caminhe na obediência, na confiança e na esperança. Ámen.
4º Passo: «Contemplatio»
(«Contemplar», para colocar a Palavra na vida)
[O] Este 4º passo da Lectio Divina leva-nos à adoração. Contemplemos o Senhor através da Palavra. Se possível, fechemos os nossos olhos e coloquemo-nos diante d’Ele. Escutemos o Senhor que nos fala: «Eu desperto os teus ouvidos. Sê meu discípulo. Eu cuido de ti». Passemos os olhos pelas palavras e frases sublinhadas e relembremos a nossa meditação em louvor e adoração ([silêncio] máx. 2 min.)
5º Passo: «Actio»
(«Ação», cumprir a Palavra)
[O] Este 5º e último momento da Lectio Divina requer que, depois de termos discernido onde, na vida, podemos aplicar a Palavra que escutámos, tenhamos em mente ações concretas que podemos cumprir ou, de hoje em diante, passar a cumprir. Como sugestão, cada um reveja onde pensou que poderia aplicar a Palavra, pense numa ação a realizar ou os frutos que precisa dar e, se possível, escreva. (máx. 2 min)
Momentos finais
– Partilha
[O] Partilhemos, agora, o que nos disse pessoalmente a Palavra de Deus. Partilhemos, acima de tudo, algo que possa servir para o bem de todos.
Sugestão: Cada um pode dizer a palavra ou frase que mais o interpelou; ou partilhar espontaneamente, de modo breve, algo do que mais o tocou na meditação da Palavra; ou ainda, se se sentir impelido a isso, partilhar onde pensa que pode concretamente inserir e viver a mensagem desta Palavra ou que fruto o Senhor pede que eu dê de hoje em diante.
– Oração final
[O] A partir do que escutámos e vivemos neste tempo de meditação da Palavra de Deus, de pé, rezemos juntos a oração composta pelo Papa Francisco para o Jubileu do Ano Santo:
[T] Senhor nosso Deus, a Vós elevamos o nosso coração. Vós que cada manhã abris os ouvidos do vosso Servo, abri também o nosso, para que saibamos escutar a vossa Palavra. Tornai-nos firmes na fé, quando as provações nos cercam. Quando o cansaço nos desanima, recordai-nos que sois Vós quem nos ampara.Fortalecei em nós a coragem do Servo obediente, para que não recuemos diante das dificuldades. Fazei-nos caminhar na confiança. Ensinai-nos a acolher o dom do vosso amor. Ajudai-nos a sermos unidos, perseverantes e generosos, para que, iluminados pela vossa Palavra, possamos viver como discípulos fiéis. A vós, Deus fiel, entregamos o que somos e temos. Ámen.
– Cântico final (sugestão)
1. Quero ouvir teu apelo, Senhor, / e ao teu convite de amor responder;
na alegria Te quero servir / e anunciar o teu reino de amor.
E pelo mundo eu vou, / cantando o teu amor,
pois disponível estou / para servir-Te, Senhor. (2x)
2. Dia a dia a tua graça me dás / nela se apoia o meu caminhar;
se estás a meu lado, Senhor, / o que então poderei eu temer.
– Sinal da Cruz
[O] O Senhor nos abençoe + nos livre de todo o mal + e nos conduza à vida eterna +
[T] Ámen.
No seguimento deste encontro, procure cada um dedicar algum tempo, num ou mais dias da semana, para retomar a meditação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a vida no dia-a-dia. Pode-se também propor um gesto ou iniciativa comunitária. Sugestão: Escreva numa folha o versículo que mais tocou o seu coração e coloque-o num lugar de destaque, em casa ou no local de trabalho, onde várias vezes o possa ler novamente e a partir dele fazer a sua oração.











