Vivência(s) do Natal

A festa do Natal convoca-nos a estar presentes e a fazermo-nos presentes. É tempo de encanto, alegria, comunhão, partilha e abertura ao próximo.

Aqueles que nos são mais próximos recebem, nesta época de festa, grande parte do nosso tempo, mas o Natal amplia-se para lá da realidade familiar. Na comunidade de vida consagrada, no local de trabalho ou nas iniciativas solidárias, Deus faz-se presente no meio de nós e através destas diferentes vivências, cumpre-se o Natal de Jesus.

 

Os bombeiros

Uma família ao serviço das famílias

2014-12-24 Destaque 9O seu lema “vida por vida” é sinal inequívoco do seu altruísmo. Durante o ano, estão presentes quando a comunidade deles precisa, mas será que, no tempo que também é de paz, a sociedade se lembra dos “soldados da paz”?
José Ruivo é operador de central nos Bombeiros Voluntários da Batalha. Quando está de serviço, é ele que atende as chamadas que ali chegam. Este ano não vai estar no piquete da noite da Natal, mas já esteve, por mais que uma vez. Numa noite normal, já existe o hábito de, por volta das 23h30, fazer uma “bucha”, mas esta noite é especial.
Quem está de serviço na consoada, por norma, organiza um jantar especial ao qual os familiares dos bombeiros de serviço também são convidados, conta. “É bom termos ali a família, mas não é a mesma coisa, a qualquer momento podemos receber uma chamada e temos de abandonar prontamente o convívio… Afinal de contas, é para servir que lá estamos!” A farda da missão que vestem nesta época, não é diferente da que envergam nos restantes dias do ano, mas nesta noite em concreto, “o serviço é garantido apenas pelos efetivos voluntários da corporação”. Os cerca de sete elementos que compõem o piquete têm consciência de que estão ali para “acorrer às eventualidades”, mas as ofertas que espontaneamente ali chegam na noite de consoada, dão um outro sentido a esta árdua tarefa, refere José Ruivo. “Há pessoas, que, nesta altura, se lembram dos bombeiros e vão lá oferecer-nos um bolo ou umas filhós… Não é tanto o que levam, mas o facto de se lembrarem, que nos reconforta!”. São gestos pequenos, mas que fazem todo o sentido, sobretudo para quem abdica de estar com a família para garantir um serviço a todas as outras famílias.

 

Paz, amor e saúde

“Nesta época, há mais doentes que se ‘vão abaixo’”

2014-12-24 Destaque-4No Natal já se sente o novo ano à porta e com ele, vêm os tradicionais desejos. A saúde é um dos mais requisitados. Para que o desejo de muitos se torne uma realidade, há profissionais da área que, mesmo nesta altura, garantem os serviços necessários. Para muitos enfermeiros, médicos e outros profissionais de saúde, a noite de Natal não é mais que um “Feliz Natal” na troca de turno, ou uma mesa de consoada improvisada, com visitas alternadas entre o serviço que se estende pela noite a dentro.
Diana Santos é enfermeira há sete anos e trabalha na urgência geral do Centro Hospitalar de Leiria há dois. Este ano, a exemplo de anteriores, o turno da noite de Natal, que se estende da meia-noite até às 8h00 do dia 25, está também a seu cargo. “Normalmente calha ano sim, ano não… Num ano trabalhamos no Natal e no outro na passagem de ano. Só não é assim se conseguirmos trocar com alguém!” Mesmo de serviço, a consoada não é esquecida. “Temos uma lista afixada, onde os funcionários preenchem o que pretendem levar para que a consoada tenha um cheirinho a Natal.” Apesar desta ceia concertada, o convívio só é possível por escassos momentos e em dois grupos distintos, por forma a garantir o serviço. Ao PRESENTE, lembra a última noite de Natal que esteve de serviço. “Foi muito complicada, para além disso, nesta época, sinto que há mais doentes que psicologicamente se “vão abaixo”, especialmente os que têm doenças em estado terminal ou que estão em situações de prognóstico reservado.”
Por muito que goste do que faz, Diana confessa que não é fácil sair de casa nesta noite, deixar a família, para ter de ir trabalhar, mas depois de lá estar, não pensa muito no assunto e entrega-se ao serviço. A motivação de poder dedicar-se ao cuidado dos outros é o que mais a motiva na profissão que exerce e a noite de Natal não é excepção. “Aquelas vidas precisam de nós… Costumo lembrar-me a mim mesma que é aquele o meu destino, que é ali que Ele me quer e que, se ali estou, é porque tenho uma missão a cumprir.”

 

Natal da família

Tempo para um encontro mais disponível

2014-12-24 Destaque-1Natal é sinónimo de família. As mesas da consoada, de tamanhos diferentes, aperaltam-se com o mesmo objetivo: ser um momento de partilha e encontro com aqueles que mais amamos.
A família de Eduardo Caseiro, seminarista da Diocese, não é exceção. Do lado materno, os oito filhos já se encontram com regularidade ao longo do ano, mas a reunião da noite de Natal tem um significado especial. “A mesa é posta de maneira diferente e há outro disponibilidade entre nós”, revela. O local de encontro vai alternando entra a casa de cada um e, normalmente, “juntam-se sempre perto de vinte pessoas” à volta da mesa, com “muitas crianças à mistura”. Eduardo tem 24 anos e sempre se lembra de celebrar o Natal neste encontro familiar. A ceia “tem de ser o tradicional bacalhau”, a forma como é confecionado é que varia. Já no dia de Natal, é o cabrito que faz as delícias de todos. O serão é depois vivido com a serenidade típica daquela noite, apenas interrompida pela alegria que é difundida através da animação espontânea com que os membros mais novos presenteiam os presentes. Os outros presentes, são abertos à meia-noite, enquanto alguns vão à Missa do Galo. Eduardo é um deles. “O grupo de jovens da Barreira junta-se sempre na Missa e prepara uma dinâmica para a comunidade”. Quando regressa, ainda vem a tempo de abrir os presentes. Aliás, a troca de prendas é um dos momentos que Eduardo mais aprecia. “Lembro-me sempre da minha avó, quando era viva, tinha sempre a preocupação de não se esquecer de ninguém e dava sempre uma prendinha.”
Os avós maternos já partiram, mas fazem-se presentes na vontade do reencontro que a família mantém durante o ano e, com um significado especial, no Natal do Redentor.

 

Irmãs Clarissas, Monte Real

Natal na Clausura de Clara de Assis

2014-12-24 Destaque 8No Claustro de Santa Clara de Assis, o Natal é vivido com solenidade e ação de graças. No mistério de Jesus nascido num presépio está o dealbar da nossa vocação cristã e da nossa vida consagrada. Para o preparar, temos o Advento: um tempo muito forte, feito de oração e contemplação: “O Senhor virá”.
Acompanhando Maria, a partir do dia 15, rezamos e cantamos em Comunidade a Novena do Natal, que culmina no dia 24. Então, reunida a Comunidade no Coro, começa a celebração do Natal com o canto solene de Vésperas e Matinas (Ofício de Leituras), seguindo-se a Missa da noite. Na intimidade familiar da Clausura, a alegria expande-se como nova Primavera na fraterna consoada.
No dia de Natal, ainda antes do nascer-do-sol, já a Comunidade reunida no Coro eleva as vozes cantando, nas Laudes, o anúncio do nascimento do Senhor. A adoração Eucarística prolonga-se ao longo do dia e na Comunidade reina a alegria: canta-se ao Menino e, como os pastores, visita-se os presépios espalhados por todo o Mosteiro. Por fim, a celebração da Eucaristia é o ponto mais alto do dia de Natal. Prostramos a alma diante de Jesus que vem a nós na Palavra e no Pão, como há dois mil anos na fragilidade de um Menino recém-nascido. Durante o tempo litúrgico do Natal, beija-se o Menino ao fim do recreio.
No Natal descobrimos um glorioso programa de vida que projeta a nossa existência para Deus e para a Humanidade. Neste Tempo, encontramos o sentido, o encanto e a beleza da nossa Consagração.

 

Religiosas da Instrução Cristã, Leiria

A simplicidade do Natal em Comunidade

2014-12-24 Destaque-3Temos um modo muito próprio de celebrar o Natal do Senhor. Começamos com uma experiência de oração que abrange toda a preparação da quadra natalícia, uma experiência “institucional” e de unidade, pois cada religiosa “bebe da mesma fonte” em qualquer parte do mundo em que esteja.
Depois, passamos às pessoas que estão connosco na missão o que recebemos espiritualmente e comunitariamente, ampliando a graça de Deus que se espalha em cada coração e gerando uma corrente de bondade e do verdadeiro sentido do Natal. Este ano, realizámos um convívio com as pessoas que frequentam os nossos grupos de oração e formação, com a celebração eucarística presidida pelo padre Pedro Viva, seguindo-se a apresentação de músicas de Natal pelos jovens e adultos, a troca de prendas do “amigo secreto” e uma festa muito animada, em clima de fraternidade e amizade.
Mas a noite de Natal é passada na Comunidade Religiosa, em ambiente de simplicidade, para não perdermos o cerne, que é a pobreza de Belém, a encarnação do Verbo Divino entre nós. Assim, nada de exageros, com enfeites simples e uma ceia sem grandes variedades, para tudo acontecer como pede a pobreza religiosa expressa nas nossas Constituições. Participamos da Santa Eucaristia, que é para nós o centro da vivência do Natal, abrimos as prendas que recebemos em torno do presépio e da árvore de Natal, alegramo-nos em comunidade.
Por isso, não é costume passarmos o Natal fora da Comunidade, não aceitamos convites para a Ceia em casa de amigos, porque queremos viver este momento no verdadeiro sentido do Natal, que é alegria, esperança, misericórdia de Deus, mas também despojamento de um Deus cheio de bondade e amor, mortificação, abnegação, entrega total… Deus que assume a nossa carne pecadora, portanto, não devemos ficar apenas na festa pela festa, mas fazer dessa vivencia um momento de reflexão e de abertura à graça de Deus.

 

O Natal é quando três amigas querem

Jantar de consoada junta 100 pessoas sós e carenciadas

2014-12-24 Destaque-2Costuma dizer-se que “o Natal é quando o Homem quer”, mas neste caso é a iniciativa de três mulheres que, há já três anos, faz com que a noite de Natal aconteça de uma forma especial, sobretudo para aqueles que estão sós ou que menos têm.
O Jantar Solidário de Natal realiza-se na noite do dia 24, na Marinha Grande. Este ano foi a colectividade da Ordem que cedeu o espaço que irá acolher cerca de cem pessoas numa verdadeira consoada de partilha. A iniciativa já se realiza há três anos e partiu de três amigas que, atentas à realidade daqueles que estão mais sós e carenciados, resolveram organizar um convívio natalício. “Como é a noite da família, às vezes torna-se complicado criar um grupo de trabalho que prescinda de estar no seio da família, para trabalhar em prol dos mais necessitados”, refere uma das organizadoras. Isabel Gregório, Cristina André e Paula André fazem-no desde 2011, ano em que, após uma conversa, resolveram abdicar do conforto do lar na noite de Natal para estar com quem não tem família.
Os bens alimentares necessário para a confeção do banquete é garantida pela comunidade marinhense. Empresas, pessoas, espaços comerciais e amigos, todos contribuem de alguma forma para que a mesa esteja bem composta. “Fazemos sempre comida a mais, para que as pessoas, no dia seguinte, possam passar para levar alguma comida para casa”, conta Isabel Gregório. “É muito reconfortante ver os sorrisos das pessoas e ouvi-las dizer que sonharam toda a noite com a comida que confecionamos”, refere. Para além disso, é o grupo que também oferece a refeição da noite de Natal aos Bombeiros Voluntários da cidade que estão de serviço.
Quanto às famílias destas três amigas, ajudam no que é necessário e depois da consoada que se cumpre em casa, fazem também questão de participar no outro convívio familiar que ali se propicia e, juntos, celebram o verdadeiro Natal do acolhimento. 

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