Um Sim ao Amor: três novas clarissas no mosteiro de Monte Real

As Irmãs Ibrânia, Bernadete e Antonieta farão a sua Profissão de Votos Temporários na Ordem de Santa Clara, na celebração que terá início às 15H00 e que será transmitida online.

No próximo dia 11 de Junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o convento das clarissas de Monte Real está em festa. As Irmãs Ibrânia, Bernadete e Antonieta farão a sua Profissão de Votos Temporários na Ordem de Santa Clara, na celebração que terá início às 15H00 e que será transmitida online. Estas religiosas são os primeiros frutos da Fundação do Mosteiro em Tunu Bibi, Diocese de Maliana em Timor, aonde regressarão quando parecer oportuno.

A Profissão de Votos Temporários ou de Votos Simples, permite-lhes participar plenamente na vida da comunidade, continuando o seu processo formativo, explorando em profundidade os vários aspectos da vida de clausura.

Pede-se para rezar pela fidelidade destas irmãs, e elas ter-nos-ão muito presentes diante do Santíssimo Sacramento e da Imaculada Conceição, Padroeira da Ordem Franciscana. 

Uma sementeira que dá frutos

“Os começos fazem-se de esperança. E quase sem o semeador saber como… os alicerces fazem-se paredes, as paredes ganham vigas que as unem, um telhado começa a cobrir a casa e a deixar lá fora as intempéries. Ao fim vem a colheita e a alegria de sentir nas mãos os frutos de uma esperança sofrida mas enraizada e a prometer futuro. À volta vêm a cantar…”. O tempo da colheita faz-se de alegria. Uma alegria que não se fica na obra terminada, antes se projeta nas muitas sementeiras a fazer. Pois, afinal, esta não é uma obra para as Irmãs, é uma obra para Deus… e obras assim dão sempre fruto, ao ritmo sábio e infinitamente paciente de Deus”.(Pe. Manuel Brito Ferreira) E assim acontece.

Da esquerda para a direita, as irmãs Ibrânia, Bernadete e Antonieta

Após dois anos de Aspirantado no Mosteiro de Tunubibi na Diocese de Maliana, Timor Leste, mais um de Postulantado e dois de Noviciado em Monte Real, as três jovens Noviças Ibrânia, Bernadete e Antonieta, emitem os seus Votos Temporários. São os primeiros frutos desta seara que Deus projectou, sonhou e realizou na longínqua terra do sol nascente onde, há quase nove anos, chagaram as primeiras Irmãs desta Comunidade. A semente foi lançada à terra, germinou e vemos agora, nestas três Irmãs, os primeiros frutos da terra. 

A Irmã Ibrânia, tem 25 anos. Nasceu em Leorema, Distrito de Liquiçá. Ela diz-nos: “na minha família recebi uma sólida formação humana e cristã pois o meu pai era o catequista da terra. Sempre estive envolvida nas diversas atividades paroquiais que me ajudaram a centrar o coração e a olhar para o essencial da vida com olhar de fé e confiança, embora as coisas do mundo também exercessem alguma atracção em mim. Vivi a adolescência e juventude num misto de felicidade e inquietação pois cedo percebi que Jesus me  desafiava a mais e melhor. Ele é o Eterno “buscador” e quando pede a mão, é certo que deseja o braço, o ser a vida inteira… Não pede pouco ou muito, pede tudo”. 

A Irmã Bernadete tem 26 anos. Nasceu no distrito de Bobonaro, numa família com profundas raízes cristãs. “Tive uma infância e juventude normais. Era muito feliz e mimada por toda a Família. Tinha os meus projetos e sonhos. Participava nas actividades da Paróquia e outras iniciativas comunitárias. Desde sempre a minha Mãe manifestava desejo e esperança de que algum dos seus filhos se consagrasse a Deus. Este desejo inquietou-me e levou-me a questionar: E porque não eu? Dois dos meus Irmãos seguiram a vocação sacerdotal. Então comecei a pensar seriamente na vida consagrada. Mas a vida contemplativa nunca esteve nos meus horizontes até encontrar as Irmãs Clarissas. Antes pensava somente na Vida Activa. Mas o homem põe e Deus dispõe. Após uma experiência no Mosteiro com as Irmãs, senti-me atraída pela sua vida simples, pobre e alegre, pela sua espiritualidade Eucarística e Mariana. Quando se abre a porta ao querer de Deus tudo se torna muito mais fácil.”

A Irmã Antonieta tem 23 anos. É natural de Tidir Leguimea, Distrito de Ermera. “Nasci no seio de uma família cristã onde aprendi a valorizar o que é simples, recto e santo segundo os critérios de Jesus e do Evangelho. Na infância, adolescência e juventude fiz parte da Cruzada Eucarística, grupo vocacional e do coro paroquial. Era uma jovem alegre, ativa e dinâmica cheia de sonhos e projectos para o futuro. Ao acabar o 12º ano ofereceram-me uma bolsa de estudos para um curso de engenharia petrolífera, apoiado por uma universidade australiana. Era algo que me seduzia por causa do petróleo do mar de Timor. Mas Jesus bateu à minha porta e alterou os meus planos. E hoje é com a “maior alegria” do mundo que quero dar tudo Àquele que é o meu Tudo, Àquele que é o Senhor do petróleo e das engenharias. Encontrei um tesouro muito mais elevado e importante, mais valioso e sedutor, O único que faz parecer toda a riqueza do mundo como nada.”

As três jovens, têm em comum o fato de terem conhecido as Irmãs Clarissas – há escassos quatro anos da sua chegada à Diocese de Maliana em Timor – após a conclusão dos estudos secundários, ainda que em momentos e circunstâncias diferentes. Depois de terem ido conhecer in loco como as Irmãs viviam, regressaram às famílias e logo pediram para iniciar a sua Forma de Vida no Mosteiro, onde experimentaram o sabor das dificuldades, desafios e carências próprias da Fundação de um Mosteiro em terras de missão. Não foi fácil, confessam, mas muito gratificante e enriquecedora essa experiência pois, as obras de Deus são sempre um desafio à própria fé e um milagre do infinito amor da Divina Providência.

Depois desta experiência que se prolongou  por dois anos, chegaram a Portugal, ao Mosteiro de Santa Clara de Monte Real, em Março de 2018 onde continuaram a sua formação humana e espiritual e, hoje têm a alegria de emitir os Votos Temporários, de reafirmar mais uma vez, o seu SIM a Jesus, um sim ao Amor. Sabem que toda a vida consagrada é uma História de amor, uma realidade que não se explica com palavras meramente humanas, mas que se vive, que se sente no mais íntimo do ser. Se alguém pergunta se é fácil, a resposta é simples: depende de cada um porque da parte de Deus tudo é possível, tudo é viável, não obstante a fragilidade do barro de que somos constituídos, como diz S. Paulo.

Ser pobre, viver em obediência, não ser de ninguém

Têm a certeza que vale a pena arriscar tudo pelo TUDO, que é Deus. O seu olhar vivo e transparente transmite uma alegria imensa por poderem oferecer as suas vidas a Jesus pela Igreja, pelos Irmãos e por toda a Humanidade. “O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite; convida-nos a olhar os verdadeiros astros, ou seja, aqueles sinais tão variados que Ele nos dá para não ficarmos parados, mas imitarmos o semeador que observava as estrelas para poder lavrar o campo. Deus acende estrelas para nós, a fim de podermos continuar a caminhar: «Às estrelas que brilham alegremente nos seus postos, Ele chama-as e elas respondem». Mas o próprio Cristo é, para nós, a grande luz de esperança e guia na nossa noite, pois Ele é «a brilhante estrela da manhã», desafia o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica: “Cristo vive”. Também as Irmãs Ibrânia, Bernadete e Antonieta encontraram esta estrela de esperança na qual acendem as suas pequenas lanternas de vigia para se tornarem, pelo serviço humilde, doação, generosidade e gratuidade, a exemplo de Santa Clara, reflexos luminosos de amor e caridade para o mundo tão ferido pela dor e falta de esperança.

Como qualquer edifício, também a sua consagração assenta sobre pilares, tem alicerces: Viver o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, sem próprio, em obediência e castidade. Têm plena consciência que este não é o sentir da maioria das pessoas que procuram o prazer, o ter e o poder. Tudo é descartável e o que não produz é para ser eliminado. 

Ser pobre, viver em obediência, não ser de ninguém para ser de todos e oferecer a vida no silêncio do claustro, parece ser uma loucura. “Mas basta tão pouco para sermos felizes. Sentimos que estamos a remar contra maré, segundo o ditado português. Mas que importa se Jesus vai na nossa barca?!”

A Eucaristia e a adoração ao Santíssimo Sacramento é uma força, é um tesouro que não tem preço. Em Jesus Eucaristia encontram, dia e noite, a luz que conduz os seus passos. A Ele confiam, constantemente, os sofrimentos, dores e alegrias de todos os homens. Dar e receber, pois Ele nunca se deixa vencer em generosidade. 

Outra mão amiga sempre pronta a amparar e proteger é a presença de Nossa Senhora, a primeira consagrada do Pai. “Nela encontramos o modelo e exemplo da nossa consagração”.

Hoje querem entregar de novo as suas vidas por Amor e ao Amor de Jesus que desde toda a eternidade as amou, escolheu e chamou a seguir os seus passos na radicalidade.

Com esperança e alegria de quem encontrou o tesouro escondido, com palavras do Papa Francisco, deixam um desfio aos jovens que procuram um caminho de felicidade: Jesus caminha no meio de nós. Passa pelas nossas estradas, detém-Se e fixa-nos nos olhos, sem pressa. A sua voz é atraente, fascinante. Mas, hoje, a ansiedade e a velocidade de tantos estímulos que nos bombardeiam fazem com que não haja lugar para aquele silêncio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se ouve a sua chamada. Entretanto receberás muitas propostas que parecem belas e intensas, mas com o passar do tempo, deixar-te-ão simplesmente vazio, cansado e sozinho. Não deixes que isto te aconteça. Procura, antes, aqueles espaços de calma e silêncio que te permitam refletir, rezar, ver melhor o mundo ao teu redor e então sim, juntamente com Jesus, poderás reconhecer qual é a tua vocação nesta terra (Christus Vivit 277).

“Não tenham medo. Abram as portas a Cristo.” Aceitem ser felizes entregando-Lhe as vossas vidas. “Jesus não tira nada, tudo oferece.”

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