Três pilares de uma comunidade cristã

Assistimos hoje, na sociedade, a uma acentuada tendência para o individualismo no modo como cada um se entende e organiza a sua vida. Esta atitude estende-se facilmente à vivência da fé, com consequências no assumir de uma posição de desconfiança em relação a tudo e todos e na dificuldade em se identificar e manter o sentido de pertença à comunidade cristã.

Assistimos hoje, na sociedade, a uma acentuada tendência para o individualismo no modo como cada um se entende e organiza a sua vida. Esta atitude estende-se facilmente à vivência da fé, com consequências no assumir de uma posição de desconfiança em relação a tudo e todos e na dificuldade em se identificar e manter o sentido de pertença à comunidade cristã. Acontece, por outro lado, que muitas comunidades cristãs não têm um ambiente fraterno, caloroso e cativante nas relações humanas que proporcionam e nas atividades que oferecem. Garantem serviços religiosos e promovem eventos festivos que preservam as tradições e uma certa identidade e vínculos comunitários. No entanto, as insatisfações, queixas e conflitos aparecem com alguma frequência, o que leva ao afastamento por parte de algumas pessoas em número crescente.

A Palavra de Deus escutada e meditada no XXIII domingo do tempo comum (Ez 33,7-9; Rom 13, 8-10; Mt 18, 15-20) indica-nos três pilares fundamentais na vida de uma comunidade cristã, seja ela a família, um grupo, uma comunidade religiosa ou de novas agregações ou uma paróquia. São eles: a palavra, o amor recíproco e a oração juntos.

 A palavra divina e humana.

Onde se escuta juntos a Palavra de Deus e se partilha o que recebe e se vive, aí se criam laços fraternos e se gera a comunhão que faz viver na alegria e na confiança. Como o profeta Ezequiel, todos os crentes, em certa medida, têm também a missão de profetas na comunidade cristã e são responsáveis uns pelos outros. Daí que devem assumir a missão de comunicar entre si palavras de Deus: para se instruírem, animarem, corrigirem, alimentarem a fé e a confiança…

Na comunidade, é indispensável que as pessoas falem umas com as outras, partilhem a vida e informações de si próprios. O uso da palavra é igualmente importante para corrigir comportamentos e atitudes, para comunicar ferimentos, pedir desculpa e até o perdão, para abrir caminho e oferecer a reconciliação fraterna.

Mandar, queixar-se, insinuar, ironizar, insultar, acusar, deixar de falar, responder com o silêncio… são modos impróprios de usar ou de abdicar da palavra que ferem relações e geram mau ambiente familiar e comunitário. «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão» – recomenda Jesus para se restabelecer a relação fraterna.

“Amai-vos uns aos outros”

O amor recíproco é o pilar fundamental das relações e da vida familiar e comunitária. Não apenas o amor afetivo ou de sangue, mas sobretudo aquele que o Espirito Santo derrama no coração humano: o amor que tem a graça e a força de Deus. Este amor, diz S. Paulo, “não faz mal ao próximo”, quer dizer, não engana, não trai, não fere, não rouba, não inveja, não murmura, não julga injustamente… Faz tudo para que o próximo não sofra por sua causa. E, de modo positivo, faz bem ao próximo, ou seja, comunica, partilha, cuida, ajuda, elogia, corrige quando necessário… A relação de amor há de ser recíproca. Só assim faz sentir-se bem, crescer interiormente e viver em paz e harmonia, no respeito, reconhecimento e edificação de todos os membros da comunidade.

O Apóstolo diz que os vários mandamentos de Deus sobre as relações humanas – “Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás…” – “resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo»”. E Jesus eleva a medida, dizendo aos discípulos: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Que alto desafio temos aqui para viver nas famílias e nas comunidades cristãs! É uma dívida permanente que temos uns para com os outros.

A oração juntos.

O amor recíproco une e reúne no nome e no amor de Cristo. Esta unidade entre os fiéis cristãos atrai a presença do próprio Cristo no meio deles, como Ele mesmo prometeu e nós professamos em cada celebração da Eucaristia: “Ele está no meio de nós!”. A oração feita nestas condições, garante Jesus, obtém o que se pede ao “meu Pai que está nos Céus”.

A oração juntos ajuda a família, o grupo e a comunidade cristã a manterem-se unidas e gera um ambiente de confiança, entreajuda, compreensão, alegria e fraternidade. É claro que esta oração não pode ser simplesmente formal, rotineira, para despachar uma obrigação. Tem que ser uma relação filial e verdadeiramente cristã da comunidade com Deus. É vital rezar pessoalmente, quando e como eu entendo por bem, mas não menos necessário é juntar-se à comunidade para a oração e a celebração com os irmãos na fé, especialmente a Eucaristia dominical.

Só comunidades assentes nestes três pilares podem atrair, corresponder às nossas exigências espirituais e dar testemunho da autêntica fraternidade cristã e da “alegria do Evangelho”. Ter estas bases bem sólidas depende de cada um de nós, do empenho de todos os fiéis e da graça e arte dos pastores, líderes e animadores.

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