Semana Missionária com o padre Nuno Rodrigues

A 4600 quilómetros de distância, na ilha de Príncipe, em S. Tomé e Príncipe, o Padre Nuno Miguel da Silva Rodrigues falou com os alunos dos 2.º e 3.º ciclos do Colégio Conciliar de Maria Imaculada.

A 4600 quilómetros de distância, na ilha de Príncipe, em S. Tomé e Príncipe, o Padre Nuno Miguel da Silva Rodrigues falou com os alunos dos 2.º e 3.º ciclos do Colégio Conciliar de Maria Imaculada (CCMI), sobre a sua experiência como missionário em África, no contexto do mês das missões, que é precisamente o mês de outubro.

Aos 23 anos, no último ano do seu curso de Teologia, foi-lhe proposto um estágio missionário em Cabo Verde, que ele aceitou prontamente sem saber o que o esperava, durante os catorze anos seguintes.

Foi acolhido de uma forma calorosa, com cânticos e danças, sons de tambor e guitarra, por pessoas para quem ele não passava de um simples estranho. Foi uma alegria contagiante que lhe encheu o coração e que perdura até hoje.

Foram muitos os desafios que teve que enfrentar: um clima muito quente e abafado, diferentes comidas como, por exemplo, a cachupa que, segundo ele, era um dos melhores pratos, uma barreira linguística e condições precárias em termos de habitação, pois não havia casas de banho e as ratazanas conviviam “pacificamente” com os humanos.

Ultrapassados os primeiros desafios, assumiu a sua função como professor de Filosofia, Psicologia e Sociologia do 7.º ao 12.º ano, e posteriormente, professor de Educação Física à falta de especialistas na área. Depois das aulas, sentava-se na cadeira de aluno e os seus “professores” eram os próprios alunos, que lhe ensinavam crioulo.

África é pobre, muito pobre! Sem recursos financeiros nem económicos, o senhor Padre Nuno recorreu à ajuda de familiares e amigos em Portugal para financiar casas de banho e cantinas, evitando assim que as meninas desmaiassem de fome e pudessem ter a dignidade higiénica necessária para frequentar as aulas. Nos campos de futebol, não havia divisões clubistas. Todos vestiam a camisola do Benfica, pois tinha sido esse o clube que generosamente fornecera equipamento e bolas.

As celebrações eucarísticas eram alegres. As duas, três horas de celebração eram cheias de cânticos e danças que ele próprio integrava, depois de ter tido algumas aulas. Apesar de pobres, e de não terem praticamente nada, o ofertório era de uma generosidade extraordinária. Os fiéis ofereciam os poucos géneros alimentícios que tinham, tirando muitas vezes da própria boca.

Foram muitos os países que percorreu em missão: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e, por fim, S. Tomé e Príncipe, mas em todos eles a mesma alegria, humildade e fé.

Neste momento, está a decorrer uma campanha de solidariedade para ajudar na construção e manutenção de uma escola secundária, nas Neves, em S. Tomé, que encerrará com uma gala no Teatro José Lúcio da Silva, no dia 21 de novembro, para a qual estão todos convidados.

Um bem-haja ao Padre Nuno e a todos os missionários que, por esse mundo fora, amam e servem os mais necessitados, testemunhando Jesus Cristo!

Escrito por: Matilde, Inês, Laura e Gonçalo – 8.º ano do CCMI

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