Editorial Rede 9

Um dos temas em destaque desta semana é a comemoração do dia de BP que, este ano, se realizou nas freguesias da Memória e das Colmeias por organização do Agrupamento 1346.

Dentro deste destaque, parece-me oportuno fazer um outro, como quem tira uma matrioska de dentro de outra maior. Lembrei-me que, entre os muitos agradecimentos que normalmente se fazem nestas ocasiões, houve espaço, vários espaços até, para agradecer aos pais dos escuteiros. Num dos testemunhos é evidente que, se não fossem eles, os pais, não seria possível a existência do escutismo na nossa e noutras dioceses.

Não é que não seja uma constatação do óbvio, mas nunca será demais recordar e lembrar a importância que os pais têm na formação da cidadania dos próprios filhos. Será uma verdade lapilissiana não fosse, vendo assim à distância, o pormenor de haver aquela, não rara, espécie de progenitores que relegam a responsabilidade da educação para organizações como o Corpo Nacional de Escutas. E quem diz o CNE, diz a catequese, por exemplo, que tantas vezes funciona como repositório de fim-de-semana para a prole que precisa de mais uma atividade de tempos livres. Portanto, temos os pais merecedores de elogios, porque fazem o que, simplesmente, deve ser a sua obrigação, e temos aqueles a quem não ficaria mal sentarem-se de castigo na cadeira do canto por estarem a relegar para segundo plano a sua responsabilidade de pais.

Outro destaque é, certamente, o início do tempo quaresmal. Para alguns, um tempo que se estranha. Até nestas coisas da Igreja o medo da austeridade faz as suas mossas. Todavia, não é de jejum nem de abstinência que se trata quando se trata destes quarenta dias que antecedem a obra maior de Deus. O nosso Bispo terá a resposta para explicar o tempo da Quaresma:

A Quaresma, abrindo-nos os olhos à amarga realidade nua e crua do mal, oferece-nos também o remédio doce e eficaz da conversão e do perdão, para restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos. (Mensagem da Quaresma, 2009)

Se estivermos atentos à expressão do D. António, vemos nela a plasticização da função quaresmal que pretende, para além de uma transformação interior do coração, um novo vigor que é exteriorizado pela fisionomia do cristão. Quer isto dizer que, ser cristão, vê-se. O cristão exterioriza, através do seu semblante, a alegria que lhe advém do Cristo ressuscitado.

A Quaresma é, portanto, tempo para investir na alegria do cristão.

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