“Quem tem família é privilegiado, quem tem família grande é rico”

As XXV Jornadas Nacionais da Pastoral da Família decorreram de 18 a 19 de outubro, no Seminário do Verbo Divino, em Fátima. Casais e religiosos de várias dioceses, entre as quais Leiria-Fátima, refletiram sobre “O trabalho e a família”.

“A transformação da família não é uma realidade nova”, defende Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Católica Portuguesa, que orientou os trabalhos. Ela surge “com o advento das sociedades industriais”. Foi a revolução industrial que “separou o local de trabalho do local de habitação das famílias” e, em consequência, levou as “famílias a deixarem de ser unidades de produção e passarem a ser unidades de consumo”.

“Os filhos deixaram de ser uma força de trabalho e começam a ser fonte de despesa”, disse o orador ao explicar que estas alterações de base tiveram como outra grande consequência a “nuclearização das famílias”. As famílias começam a ser mais pequenas e “deixam de ser constituídas por várias gerações”. Os últimos censos nacionais não deixam margem para dúvidas, “assistimos a um crescimento do número de filhos únicos, de famílias monoparentais e, imagine-se, de famílias monopessoais”, diz Manuel Braga da Cruz.

“Por ser mais pequena, a família ganha maior mobilidade” e, graças aos novos meios de comunicação, evoluem para “redes familiares”. “Afastados geograficamente entre si, os membros de uma mesma família continuam em contacto”, ainda que não físico. E, assim também se vai perdendo “o sentido de doméstico e a própria identidade familiar se dilui”. “Se há bem pouco tempo as sucessivas gerações permaneciam na mesma casa, hoje, a mesma família conhece várias residências”, exemplifica.

Manuel Braga da Cruz acredita que “todos estes fatores trazem maior instabilidade à família e ao vínculo matrimonial”. “Há mais divórcios, mais casamentos civis e aumenta desmesuradamente o número de filhos fora do casamento”.

Assistimos hoje, nas nossas sociedades, à necessidade de reafirmação da família, combatendo o individualismo e o relativismo” e, “a Igreja é a instituição, de todas as instituições sociais e mundiais, aquela que em melhores condições está para propor uma revalorização da família nas sociedades modernas”, disse o orador.

 

Solidariedade familiar

Para o sociólogo, é “evidente que uma crise económica e financeira, com repercussões sociais tão fortes como esta que estamos a viver, afeta profundamente as famílias”.  Aliado à “precariedade do trabalho, instabilidade profissional, insuficiência salarial, o desemprego, uma realidade gravíssima sobretudo junto dos mais jovens que muitas vezes forçados à emigração”, dificulta “a constituição ou manutenção da família”.

Por outro lado, “o aumento da esperança de vida aliada à diminuição da taxa de natalidade criam uma grave insustentabilidade social”. “Esta crise tem consequências sobre todas as famílias” pois afeta “fortemente os orçamentos familiares e traz muitos problemas que afetam o papel social da família”.

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