Quaresma de “alegria e verdade”

Parece contraditório, mas é de “alegria” que fala o Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma deste ano, tema que o Bispo de Leiria-Fátima retoma. Esta alegria, no entanto, é associada à palavra “verdade”, pelo que radica num caminho que não deixa de ser de conversão, penitência e oração, como é próprio da Quaresma.

Por Luís Miguel Ferraz

 

“Ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade” é a intenção que o Papa Francisco enuncia no início da sua mensagem para a Quaresma deste ano. Parece um contrassenso, ainda maior quando anuncia a frase que o inspirou: “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12). Afinal, a Quaresma é penitência, sacrifício, cinzas… ou alegria? E como pode ser de alegria, se Cristo avisa o crescimento da iniquidade e de amor resfriado?

O Papa explica, contextualizando o alerta de Cristo, na proximidade da sua Paixão, para o aparecimento de “falsos profetas” que “enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho”. Concretizando, é o perigo que corremos se ficarmos “encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade”, como quando cedemos à “ilusão do dinheiro” que nos torna “escravos do lucro ou de interesses mesquinhos”. Ou se acreditamos em “soluções simples e imediatas para todas as aflições”, como “o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos”, e até “o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo”.

O primeiro desafio é o de discernir quem são esses falsos profetas, mensageiros do demónio que “apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem”. Em resposta, há que “aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem”. Caso contrário, será inevitável o “resfriamento” do amor, cujas causas e consequências se misturam: “ganância do dinheiro”, “recusa de Deus”, “desolação”, “violência”, “terra envenenada”, “mares poluídos”, “céus sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte”, e outras que podem atingir as próprias comunidades cristãs.

“Que fazer?”, pergunta o Papa. Encontrar na Quaresma “o remédio por vezes amargo da verdade” e “o remédio doce da oração, da esmola e do jejum”. Mais oração, mais partilha com os irmãos, mais despojamento do que é supérfluo. “Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus”, diz o Papa.

Mas o seu apelo mais veemente é dirigido aos “os membros da Igreja”, para um caminho quaresmal apoiado “na esmola, no jejum e na oração”, ao encontro do amor de Deus que “sempre nos dá novas ocasiões para podermos recomeçar a amar”. Feito este caminho, então sim, a alegria na noite de Páscoa, em que “ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”.

 

2018-02-21 quaresma1Ajudas no caminho

Partindo desta mensagem, também o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, apela a um caminho “rumo ao fogo da Páscoa“. Aí se indicam algumas ajudas para a caminhada quaresmal, como o retiro popular, a iniciativa “24 horas para o Senhor” a 9 e 10 de março, a renúncia em favor da Igreja perseguida no Iraque e no Paquistão, a jornada de oração e jejum pela paz no dia 23 de fevereiro, e a Peregrinação Diocesana a Fátima no dia 18 de março.

Também como ajuda para a vivência quaresmal, o Serviço Diocesano de Catequese de Leiria-Fátima oferece alguns materiais para uso em celebrações com crianças e adolescentes. Um deles é um esquema para um tempo de adoração eucarística, que poderá ser usado nas “24 horas para o Senhor”. Um outro era especialmente indicado para a celebração do Dia dos Pastorinhos, a 20 de fevereiro, mas que pode ser usado como proposta de “mistérios da confiança” para a oração do terço.

Paralelamente, nas diversas comunidades, diversas são as propostas de maior vivência da fé e da prática cristã, desde ações de formação, retiros e encontros espirituais, até às celebrações da Reconciliação, da Via-Sacra e de outros atos de piedade, como as encenações da Paixão e as procissões do Senhor dos Passos e do Enterro do Senhor.

 

40 dias com o Papa Francisco

Rezar na Quaresma com o Papa Francisco é a proposta da Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP) – Portugal para este período de 40 dias, durante o qual os católicos se preparam para a Páscoa. Para cada um dos dias, de Quarta-Feira de Cinzas até ao Domingo de Páscoa, é disponibilizada uma oração, baseada em leituras bíblicas e breves meditações do Papa Francisco.

 

Santuário de Fátima anuncia programa “especial”

O Santuário de Fátima estrutura anualmente um programa celebrativo característico no período da Quaresma, para uma melhor vivência deste tempo que antecede a Páscoa. O programa “especial” teve início nesta manhã de Quarta-Feira de Cinzas e terá como celebração mais regular a Via-Sacra, todas as sextas-feiras, pelas 14h00, na Colunata, sendo aos domingos no Recinto, à mesma hora. No sítio do Santuário, poderá conferir todos os horários das celebrações até à Páscoa.

 

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Igreja perseguida no Iraque e no Paquistão

Segundo o mais recente relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, no Iraque os números da população cristã diminuíram dos 275.000em meados de 2015 para possivelmente cerca de 150.000 dois anos mais tarde. Se este declínio continuar ao mesmo ritmo, prevê-se até 2020 uma extinção literal da comunidade cristã do Iraque, uma das Igrejas mais antigas do mundo. O padre Martin Banni é um dos que acompanha a comunidade, no norte do país, tentando ajudar ao regresso de mais de 120 mil deslocados e à reconstrução das suas casas, destruídas pelo Daesh.

O mesmo relatório refere que, no Paquistão, o problema fundamental para a Igreja vem de células fundamentalistas proibidas. Muitos destes grupos foram proibidos pelo Governo, mas a óbvia incapacidade deste em reprimir aqueles grupos complicou efetivamente o problema da violência sofrido pelos Cristãos e outras minorias. A discriminação está a aumentar contra os Cristãos, sendo evidente nas escolas, incluindo nos livros escolares, no local de trabalho onde muitos cristãos têm empregos não qualificados e no tratamento jurídico.

E estes são apenas dois exemplos do que acontece em dezenas de países por todo o mundo.

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