Quando o namoro começa no adro da Igreja

É mais comum do que possa parecer. Provavelmente, qualquer um dos leitores deverá conhecer algum casal que se conheceu no âmbito de uma atividade da Igreja. O Presente Leiria-Fátima reuniu o relato de alguns dos protagonistas, que nos contaram os episódios de um namoro que começou no adro da Igreja.

Num encontro de um movimento, numa peregrinação, num retiro… Inúmeros são os espaços que abriram portas para um caminho a dois. Como denominador comum, está a vivência e partilha de uma fé que fomenta o conhecimento mútuo e se projeta na vocação do matrimónio.

 

Sara Faustino e Ricardo Lopes

Tudo começou num retiro quaresmal…

2015-07-29 Sara-Faustino-e-Ricardo-Lopes

Primeiro as redes sociais na internet, depois a troca de mensagens por telemóvel, foi assim que Ricardo Lopes e Sara Faustino começaram a saciar o desejo que tinham de saber mais um do outro. A vontade do conhecimento mútuo, essa despertou num evento bem definido no tempo e no espaço: um retiro quaresmal organizado pela pastoral juvenil vicarial, em abril.

A diferença de sete anos que têm não foi impedimento para que, antes desse encontro, já tivessem reparado um no outro, nos espaços que partilhavam na paróquia da Cruz da Areia: ela ligada aos escuteiros e ele à catequese e ao grupo paroquial. Mas só em abril, num retiro que juntou jovens das paróquias dos Marrazes, Cruz da Areia e Barreira, é que começaram a conhecer-se melhor. Na altura, ela estava a concluir o 12.º ano e ele a terminar o ensino superior. A timidez inicial de ambos foi-se dissipando noutros encontros no âmbito eclesial e naqueles que eles programavam: nas longas conversas que tinham nas caminhadas à beira rio ou nas festas da padroeira.

“No início, as nossas conversas eram muito sobre os temas da Igreja”, lembra Ricardo, enquanto fala da importância de haver espaços que promovam este encontro entre os jovens. “Se não existirem estes grupos ligados à pastoral juvenil, torna-se difícil aos jovens assumirem o seu papel na comunidade e para saberem que existem outros jovens como eles na Igreja.”

A semana passada fez três anos que começaram a namorar. Enquanto par, têm procurado participar em propostas diocesanas da pastoral familiar para namorados. Agora, para além de manterem e partilharem as dinâmicas nas quais já participavam ao nível paroquial, nos escuteiros, no grupo de jovens e na catequese, integram também, na Diocese, o Serviço de Animação Vocacional, que ajuda os fiéis na descoberta da própria vocação.

O facto de partilharem a mesma fé, tem sido um contributo importante para o crescimento da relação, confirma Ricardo. “Nós colocamos Deus na nossa relação e sentimos que, dentro da Igreja, temos crescido muito ao nível pessoal e na nossa relação, enquanto namorados.”

 

Fátima e Lúcio Crespo

“O encontro das nossas vidas”

2015-07-29 Fatima-e-Lucio-Crespo

Fátima e Lúcio Crespo nasceram na paróquia do Arrabal. Apesar de sempre terem vivido na mesma paróquia, só reparam um no outro quando participaram nos encontros de jovens promovidos pelo pastoral juvenil diocesana, conta Fátima. Na coordenação, estava o padre Augusto Gonçalves, com quem, ainda hoje, mantém uma grande amizade. “Cedo ele descobriu que a grande amizade que nos unia nos levaria mais além.”

Foi o sacerdote que os incentivou a preparar a primeira Páscoa jovem, em Fátima, em 1977. “Foi o primeiro grande marco na nossa vida e um grande empurrão para o caminho, que começamos a traçar em comum”, refere, enquanto recorda pormenores do encontro.

“Foi o encontro jovem das nossas vidas, toda a preparação seria feita, durante semanas, até a caminhada para Fátima. As celebrações da Semana Santa, com centenas de jovens de mãos unidas por uma Igreja renovada e dinâmica, deu-nos o impulso para voltarmos à nossa paróquia e participarmos na nova era que a Igreja e a sociedade pós 25 de Abril começava a viver.”

Enquanto namorados participaram no movimento da Legião de Maria, catequese, grupo coral e outras atividades na paróquia. Estivemos sempre disponíveis para ajudar no que fosse necessário.

Mais tarde, já casados, colaboraram, durante muitos anos, com a catequese.

Actualmente, integram uma equipa dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM), da vigararia dos Milagres e fazem parte das Equipas de Nossas Senhora (ENS) já há 28 anos. Para além disso, participam na animação litúrgica, conselho pastoral paroquial e noutras atividades e encontros.

O casal que hoje são, com 35 anos de vida matrimonial, quatro filhos e dois netos formou-se no seio da Igreja e é nela que querem continuar a evoluir, asseguram, “partilhando com toda a gente a grande riqueza que é a pertença a uma Igreja Universal”, através da graça que receberam no dia do Matrimónio.

 

Mariana e Patrício Duarte

Alerta um para o outro e para os outros

2015-07-29 Mariana-Duarte-e-Patricio-Duarte

Mariana e Patrício Duarte estão casados de fresco. Ainda só passaram quatro meses e meio do dia em que disseram o sim perante Deus e a Igreja, a mesma que os juntou, numa atividade do Corpo Nacional de Escutas (CNE).

Ele é de Amor e ela de Pataias e, em comum, tinham a ligação com o movimento escutista católico. “Vivíamos as nossas aventuras, enquanto escuteiros, sem nos conhecermos ainda durante muito tempo e se nos cruzámos, nunca ligámos uma ao outro”, conta a Mariana. A distância encurtou quando participaram no projeto “Leiria Alerta”, que o CNE dinamizou em protocolo com a proteção civil, na prevenção dos incêndios florestais. Calhou ficarem os dois na base, a coordenar o trabalho.

“Depois, continuámos a conversar, através da internet. Voltamos a encontrar-nos num ACAREG (acampamento regional escutista), no Souto da Carpalhosa, em agosto desse ano. A partir daí, já nos víamos noutras atividades e passámos a ligar um ao outro com mais frequência. No mês de outubro, começámos a namorar.”

O tempo que mediou o primeiro encontro e o dia em que começaram a namorar serviu para se conhecerem melhor um ao outro e, logo aí, deu para perceber que, para além da ligação ao escutismo e a fé, “o conceito de família” era algo que também partilhavam. “Ambos crescemos no seio de famílias muito católicas e acabámos por perceber que, em casal, podíamos continuar a viver a nossa espiritualidade.”

Estão agora a saborear “a vida a dois”. “Isto tinha de ser como manda a regra: só depois de casados é que fomos viver juntos. Achámos que a receita que serviu para os nossos avós e para os nossos pais, era a receita que serviria para nós também. Assim, quisemos fazer tudo como os nossos ideais nos indicavam.”

Foram morar para a Marinha Grande e, por enquanto, continua cada um no seu agrupamento de escuteiros, que partilham no ideal, tal como na vocação pelo vida em casal.

 

Diana e Pedro Santos

Um convívio que criou relação

2015-07-29 Diana-e-Pedro-Santos

Antes de se conhecerem, Diana e Pedro Santos tinham vidas muito diferentes: ela era enfermeira, em Torres Vedras, e ele trabalhava em Mira de Aire. Não fosse um encontro de jovens e a improbabilidade de um encontro era elevada. O destino juntou-os em Fátima, em 2009, depois de ambos se terem inscrito num retiro dos Convívios Fraternos, dinamizado pela pastoral juvenil diocesana.

“Quis Deus que nos encontrássemos ali, em Igreja. Podemos  dizer que não nos teríamos conhecido se não tivéssemos aceitado um convite para participar neste retiro dos Convívios Fraternos.”

O encontro fez com que partilhassem o seu testemunho de vida com todos os participantes e que se aproximassem um do outro. Aquele convite foi um momento de mudança na vida de ambos, garantem.  “(Re)encontrámos Cristo, e através d’Ele, encontrámos um amor e uma vida em comum.”

Casaram há cerca de um ano e agora, enquanto casal, que a vida de casal se projete na Igreja, participando em atividades da comunidade e do movimento dos Convívios Fraternos,  sempre celebrando o amor em comunhão com Cristo e com a Igreja.

 

Judite e Carlos Pragosa

Um caminho a dois, com Cristo

2015-07-29 Judite-e-Carlos-Pragosa

Carlos e Judite moram nas Brancas, paróquia da Batalha, e estão casados há 27 anos. Na juventude, pertenceram aos grupos paroquiais de jovens, ele na Batalha e ela na Gondemaria. Foi no contexto da pastoral juvenil que se conheceram, num retiro dinamizado ao nível diocesano, em Fátima.

Ao perguntarmos se se recorda do momento em que a conheceu, Carlos esboça um sorriso, que mantém enquanto relembra o episódio. “Estávamos na sala, no intervalo e chamou-me a atenção aquela moça. Fui ter com ela, abordei-a. Houve recetividade da parte dela e, a partir daí, fizemos as atividades propostas pelo retiro, sempre em conjunto.”

“Na altura tínhamos 18 anos, mas não havia telemóveis nem maneira de nos deslocar-mos, como hoje existe”, conta. O conhecimento mútuo foi garantido pela correio que trocavam, através do qual trocavam a amizade. Três meses depois, encontraram-se e Carlos formalizou o interesse mútuo que vinha sendo alimentado num pedido de namoro. Através das conversas que iam mantendo ou em encontro de jovens, perceberam entre os dois que tinham “ideias convergentes” em relação ao namoro e acabaram por concluir que era uma caminhada que interessava a ambos. “O facto de termos percebido que tínhamos ideais e uma forma de ver a vida comuns, estreitou aquela primeira amizade”.

Atualmente, com quase 51 anos, Carlos considera que a idade com que se conheceram foi crucial para o rumo que a vida de ambos tomou. “Era uma idade em que estávamos a construir a nossa forma de ser e estar na vida e pudemos crescer e aprender juntos, moldando-nos também um pouco mutuamente.”

Pai de dois filhos, já adultos, Carlos considera que, atualmente, falta à Igreja algum dinamismo junto dos jovens, que já teve outrora. “Foram muito bons, os anos em que pudemos crescer com as propostas que nos foram dadas pela Igreja”, diz, ao sublinhar a importância que a pastoral juvenil diocesana teve na definição da sua vida conjugal.

No namoro de cinco anos e nos 27 de matrimónio, o caminho foi feito sempre com Cristo, afiança Carlos. A espiritualidade conjugal continua a ser alimentada no movimento para casais das Equipas de Nossa Senhora e é também em casal que procuram assumir uma participação ativa na comunidade eclesial onde residem.

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