Qual o valor do dinheiro?

Sim, é bom valorizar o dinheiro, sem contudo, lhe dar a primazia, pois pode cair-se na tentação de, sem trabalhar, vir a usufruir do trabalho dos outros.

A pergunta põe-se num momento em que se fala dos milhões manipulados por grandes empresários. Claro que as notícias focam, sobretudo, os comportamentos de empresas e pessoas corruptas; mas será assim tão perverso o dinheiro? Haverá gente de bem capaz de dar ao dinheiro a utilidade justa e equilibrada segundo as necessidades de cada um, de cada iniciativa? O dinheiro tem um valor próprio: o valor da quantidade, da perfeição e da qualidade do trabalho realizado. Quem trabalha tem direito ao seu salário. Quem trabalha mais, tem direito a melhor salário dentro da mesma profissão. A trabalhos de maior responsabilidade, que exigem melhor preparação e mais experiência, deve corresponder uma remuneração mais elevada. Por outras palavras, poderemos afirmar que o dinheiro representa trabalho, e é esse trabalho que dá valor ao dinheiro. O bom trabalhador sabe isso e, se for honesto, está capaz de compreender quanto trabalho está representado no capital da empresa para a qual trabalha; assim como o empresário deverá saber avaliar as necessidades das pessoas suas contemporâneas para as poder servir, começando pelos seus colaboradores, entre os quais se conta, e em primeiro lugar, a sua família.

Visto deste modo, o dinheiro facilita a circulação de serviços e bens que, graças às moedas e notas, perdem a identidade do trabalhador. O carpinteiro pode pagar ao médico 50€, que os pode pagar ao mecânico do seu automóvel, que os pode levar à mulher para alimentar a família, que os gastará no mercado pagando ao agricultor, ao pescador, ao talhante, ao merceeiro…e todos eles pagando os impostos necessários ao bem comum de todos os cidadãos do país.

O dinheiro pode chegar-nos também por via de heranças. É reconfortante perceber o amor dos parentes neste gesto discreto. A herança supõe duas realidades: antepassados que realizaram um trabalho árduo, primeiro; uma boa gestão ao longo da vida, que abranja a proteção e formação dos filhos e desenvolvimento do património, depois; e, finalmente, uma contenção em gastos fúteis, prevendo as despesas próprias do final da vida e um grande respeito pelos filhos e suas iniciativas.

Sim, é bom valorizar o dinheiro, sem contudo, lhe dar a primazia, pois pode cair-se na tentação de, sem trabalhar, vir a usufruir do trabalho dos outros; tal pode chamar-se escravatura ou roubo. Os maiores serviços prestados são sempre gratuitos, no sentido de não levarem em conta a recompensa. Tomemos, como exemplo, as pessoas que arriscam a vida para salvar outros, a dedicação dos avós que cuidam dos netos para ajudar os filhos, o sorriso no rosto dos cuidadores de doentes ou idosos enquanto lhes fazem a higiene ou tratamentos desagradáveis. Completamente gratuita foi a total oferta de Cristo à humanidade. Felizmente, deixou grandes seguidores, até mesmo no nosso tempo, como S. Maximiliano Maria Kolbe, S. Josemaria Escrivá, destacando Santa Teresa de Calcutá que se disse incapaz de cuidar dos seus pobres por dinheiro, nem que fossem milhões de dólares. Apenas o amor a motivava.

Sim, o grande motor da vida está no querer amar; esse querer que sabe suportar cansaços, dores, repugnâncias, ingratidões, desconsiderações… por um grande Amor. Com esse Amor, o dinheiro será sempre bem gasto, como fez Madre Teresa depois de receber o Prémio Nobel , pois toda a pessoa necessita de bens materiais desde que nasce até à morte. Ao deixar de trabalhar, ao morrer, o dinheiro deixa de ter valor, mas as boas obras feitas, com ou sem ele, o dinheiro, nunca se desvalorizam, acompanham e ultrapassam a inflação, mesmo passados milhares de anos.

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