Pobres são quem mais sofre com desconfiança na Cáritas

Durante a Semana Cáritas, que decorreu de 12 a 19 de março, circularam algumas notícias sobre as contas da Cáritas Diocesana de Lisboa que causaram polémica na opinião pública. Outras dioceses sofreram também as consequências.

 

Uma questão de contas na Cáritas Diocesana de Lisboa, relacionada com a administração de uma avultada herança recebida pela instituição, saltou para as primeiras páginas dos jornais e destaques dos noticiários de televisões e rádios em plena Semana Cáritas. A “polémica” veio, obviamente, afetar a imagem da instituição e causar desconfiança nas pessoas que habitualmente contribuem para financiar a sua ação solidária.

É nesta semana que ocorre, por todo o País, o peditório anual que cada uma das 20 Cáritas diocesanas realiza na sua área de ação e, como seria de esperar, as consequências tiveram repercussão em todas as dioceses, apesar de terem gestão totalmente independente entre si.

A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima sentiu esse efeito logo no primeiro dia do peditório, quinta-feira, constatando que alguns voluntários foram abordados “de modo agressivo, mal-educado e inconveniente” por algumas pessoas. Em comunicado à imprensa emitido na sexta-feira, o presidente da Cáritas de Leiria-Fátima lamentava esta situação e sublinhava não haver “qualquer relação entre esta instituição e a de Lisboa”. A Cáritas de Leiria-Fátima “tem como património imobiliário apenas a casa da Praia do Pedrógão, que se destina a acolher e proporcionar férias a crianças maioritariamente oriundas de famílias carenciadas” e cuja “gestão é sempre deficitária”, esclarecia.

Temendo a previsível quebra nos donativos, Júlio Martins referia estarem em risco os atuais projetos solidários que a Cáritas Diocesana tem mantido anualmente no apoio aos mais carenciados, pois “os pedidos de ajuda que recebemos por parte das famílias, todas as semanas, visando satisfazer necessidades primárias, são suportados pelas ofertas que vamos recebendo, além da operação ‘10 Milhões de Estrelas’ e o peditório anual”. Até porque “os exercícios dos últimos anos, coincidentes com os anos de maior crise em que aumentou significativamente o número de pedidos e diminuíram as ofertas, foi deficitário ou praticamente nulo”. Em conclusão, “quem acaba por sofrer mais com esta campanha de desacreditação geral é o elo mais fraco da sociedade, os pobres”, referia este responsável diocesano.

Contas

O referido comunicado apontava, ainda, que as contas da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima estão “ao dispor de qualquer pessoa que as queira consultar”. Foi o que fez o PRESENTE, pedindo algumas informações do último ano.

Apesar de não estar ainda fechado o relatório de contas, é visível um saldo a rondar os 1.500 euros no final do ano. Os donativos totais rondaram os 200.000 euros, a que se juntaram cerca de 50.000 euros de outras receitas. As despesas foram de cerca de 100.000 euros em ajudas diretas, 88.000 euros com pessoal que gere os vários projetos da instituição em prol dos mais desfavorecidos, e o restante em funcionamento corrente desses mesmos projetos. Como exemplo, as colónias de férias deram um prejuízo a rondar os 1.400 euros e a gestão da casa da praia é deficitária noutros 2.400 euros.

Assim, o trabalho corrente da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima é de gestão equilibrada entre os recursos recebidos e distribuídos. A almofada financeira existente, referida por Júlio Martins na entrevista dada na passada semana ao jornal PRESENTE, resulta de receitas extraordinárias, como heranças, reservadas para alguma situação de emergência que venha a ocorrer ou alguma quebra inesperada de donativos.

Menos donativos

Ora, esse parece ser, precisamente, o cenário deste ano. Com a referida polémica durante o peditório, o balanço da Cáritas de Leiria-Fátima aponta para uma grande quebra, numa receita estimada de 13.000 euros, contra os cerca de 19.173 euros do ano passado. Isso significa que, para manter o mesmo nível de ajuda às pessoas e projetos em curso, terá necessariamente saldo negativo no final do exercício.

Numa nota informativa sobre o resultado do peditório, enviada à imprensa no passado dia 21 de março, a Cáritas de Leiria-Fátima recorda que, no ano passado, o resultado deste peditório serviu em grande parte para a ajuda “a 389 famílias, num total de 978 pessoas beneficiadas, que se traduziu em apoios financeiros efetivos de 22.053 euros”. Também o Centro de Acolhimento de Leiria foi apoiado pela Cáritas em 6.420 euros e os grupos sócio-caritativos paroquiais em 5.977 euros.

Na mesma nota, o presidente da instituição agradece aos cerca de 250 voluntários “que dedicaram parte do seu tempo e se mostraram sempre disponíveis, aos estabelecimentos que nos abriram a porta e a todas as pessoas que continuam a acreditar no trabalho da Cáritas Diocesana de Leiria e que contribuíram para o apoio aos mais desfavorecidos”.

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