Perfil de Maria Venda

Maria Venda Cordeiro tem 68 anos e é da paróquia das Pedreiras, onde é catequista há mais de meio século. Para além de ajudar a coordenar a catequese na paróquia, integra um coro paroquial, é Ministro Extraordinário da Comunhão e ajuda na Liturgia.

Mas nem só de dinâmicas eclesiais vive a “Mariazinha”, como é conhecida na terra, onde faz questão de estar presente e participar em muitas das atividades que são dinamizadas na comunidade.
Para aqueles que com ela contatam, custa a acreditar que os setenta anos estão à porta. Dona de um ânimo contagiante e de uma agenda preenchida, ocupa o seu tempo dedicando-se à família e às várias atividades que abraça. É este serviço que a realiza e que a faz falar da vida como um “presente embrulhado com fitas coloridas”.
Apesar dos seus afazeres, não vacilou quando a convidámos a desembrulhar o seu testemunho de vida ao Presente Leiria-Fátima.

Podíamos desabafar à vontade acerca de tudo

Maria Venda começa por nos falar acerca da sua participação na pastoral juvenil paroquial. “Fui muitos anos animadora de grupos de jovens. Cheguei a acompanhar três grupos de jovens ao mesmo tempo.” Na altura, há cerca de trinta anos atrás, trabalhava a tempo inteiro e dedicava parte do restante aos jovens da paróquia. Fala de uma época muito dinâmica no âmbito da pastoral juvenil paroquial, para a qual contribuiu a presença de “padres que colaboraram muito nesta tarefa”. “Para além dos encontros semanais, animávamos a Liturgia, preparávamos as festas dos doentes, participámos nas Jornadas Mundiais, entre muitas outras atividades.”
“A dedicação, a amizade, o ambiente saudável e verdadeiro entre todos” eram motivos de sobra para que Maria mantivesse o esforço que exigia este serviço de coordenação dos grupos de jovens.
Ao olhar para trás, consegue ver os frutos do percurso que se fez em grupo. “A caminhada de fé que fizemos foi muito positiva e ainda hoje se nota naqueles que dela participaram. Tínhamos um espaço de abertura, onde podíamos desabafar à vontade acerca de tudo e o que ali se falava não vinha para a rua.” Este ambiente que descreve baseava-se numa partilha da fé que se estendia a toda a comunidade através da dinamização e participação na vida social, acrescenta.
Não foi por acaso que Maria começou a relatar o seu testemunho pela participação na pastoral juvenil. Pelo carinho com que fala desta entrega, faz notar uma ligação que lhe foi marcante. Referencia algumas das pessoas que, neste âmbito, lhe “deram muito”: padre Augusto Gonçalves, Carlos Carvalho, Luís Correia e Fátima Correia, que coordenavam, na altura, a pastoral juvenil diocesana. “Aprendi muito com eles”, diz, agradecida.

Orgulho na família

“Sempre fui uma pessoa muito interessada e aplicada”, começa por dizer, quando lhe pedimos para nos falar da sua infância. A forma viva com que nos fala de si e da sua relação com os outros põem a descoberto o otimismo que a caracteriza. “Gosto muito de sorrir e, de manhã, quando me levanto, é logo a primeira coisa que faço.” Talvez seja daqui que deriva parte do ânimo que tem por participar das coisas da vida. Outra parte, garante vir da família: dos pais e dos 13 irmãos.
Maria foi a quarta a nascer. “É uma família muito numerosa, mas muito unida e amiga que cresceu com os valores cristãos transmitidos pelos nossos pais.” Faz questão de nos mostrar uma foto da família, que guarda junto a uma imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. “Esta é a minha família”, diz, com um orgulho transbordante. Já chega à centena, mas o número não impede que, ao longo do ano, se encontrem várias vezes, cumprindo a vontade do patriarca, falecido há cinco anos.
Quando Maria saiu da escola, em pequena, foi trabalhar para uma resinagem do pai até aos 15 anos. Na juventude, começou a trabalhar por fora. Primeiro na industria textil, em Mira d’Aire e depois numa cerâmica de louça decorativa perto de casa. Regressou ao lar aos 23 anos, onde esteve alguns anos a ajudar na lida da casa e a cuidar dos irmãos. Quando a mãe faleceu, Maria voltou a trabalhar fora de casa, desta vez numa tipografia e de novo na louça decorativa. Quando deixou estes trabalhos, exerceu a função de auxiliar nas escolas da região, tendo vindo trabalhar para o infantário das Pedreiras, onde se reformou.
Maria não casou, mas não fala disso com mágoa. “Sempre tive a vida muito ocupada… Dediquei-me muito à família e aos outros. Apaixonei-me, namorei, mas cheguei à conclusão que aquela entrega é a minha vida.”

Com tempo e alegria

Maria considera que o facto de ter assumido responsabilidades desde muito cedo a ajudou a viver a sua vida com mais assertividade. “A escola melhor que nós temos é a vida, porque nos ensina a não ter medo de fazer as coisas. Sempre tive muita genica e confiei em mim.” A demonstrá-lo, estão as inúmeras atividades em que participou e ainda participa na comunidade.
Na Igreja, começou a dar catequese aos 14 anos. Ainda integrou a Ação Católica Rural e a Cruzada Eucarística. A colaboração com a Liturgia, o coro e a pastoral juvenil surgiu depois, de forma natural, pela sua presença assídua nas atividades eclesiais. “Aproveitava muito bem o meu tempo e, por isso, dava para conciliar todas as coisas a que me propunha. Para além disso, sempre fiz as coisas com muita alegria e acho que isso também me ajudou.”
Apesar de não ter casado, Maria não se sente sozinha. A família e a comunidade de quem cuidou são uma companhia constante e ainda hoje contam com a sua presença e ajuda, até porque, mesmo ocupadíssima, Maria só diz que não quando é mesmo impossível corresponder.
De entre as coisas que gosta de fazer, uma delas é “dar tempo para estar com os outros”. “Tenho uma vida partilhada do nada que sou e tenho e o modo carinhoso com que me tratam é uma compensação muito grande.”

A vida é um presente

Na alegria que transborda, vê-se que Maria se sente grata pela vida. “Costumo dizer que a vida é um presente, embrulhado com fitas coloridas”
Sobre aquilo que motivou esta participação ativa, fala de “uma caminhada que tem de ter objetivos que dão sentido à vida”. A fé, tem sido o “suporte diário” que sustenta esta entrega, afirma, assumindo de forma clara, a sua crença em “Deus como autor da vida”, que sempre a acompanha.
Com esta certeza é feliz e nunca se sente só, mesmo quando não tem ninguém em casa. É assim a vida de quem se dá, cheia de sentido, partilhada a toda a hora e plena de alegria.

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