Perfil de Maria Inês

Maria Inês Ribeiro Pedro tem 18 anos e é da paróquia de Leiria. No final do 12.ºano da área de humanidades, espera entrar em Direito. A escolha vem da convicção com que assume a defesa daquilo em que acredita.

Sobre a fé que recebeu dos pais e que foi alimentada pelos catequistas, padres e amigos, reconhece a importância do sentido que dá à vida. Porque defende aquilo em que acredita, aceitou falar sobre a sua fé, porque acha importante mostrar que os jovens são crentes e porque quer valorizar o legado que ela própria recebeu, numa herança que sente tê-la tornado numa pessoa “diferente e especial”.

Se há coisa que Maria Inês ansiava com a chegada da idade adulta, era a possibilidade de poder tirar a carta de condução. “Já estou a tirar as aulas de código”, diz num tom entusiasmado que justifica com a possibilidade de uma mobilidade mais independente. “Sou uma miúda muito ativa, ando em imensas atividades: música, Igreja e, às vezes, é um bocadinho complicado gerir horários com a minha mãe. Neste sentido, ter a carta vai-me dar a independência necessária para continuar com as minhas atividades, mas depender apenas de mim.”

Os meus heróis

Até agora, é a mãe que a leva às inúmeras atividades em que participa. Para além das dinâmicas que desenvolve no âmbito da Igreja, o gosto pela música ocupa uma grande parte da agenda, nas aulas de canto, de formação musical e coro que frequenta. Sente que a formação musical contribui para a sua educação pessoal e torna-a mais atenta à vida que a rodeia. O gosto pela música, esse vem dos genes, da mãe e do pai, que se mantêm para Inês como os seus ídolos.
O pai faleceu, de doença, quando ela tinha seis anos. A vinda para Leiria deu-se depois. Até então, a família morava em Coimbra. Maria Inês fala do pai no presente. “É o meu herói. Foi, até ao fim, um homem lutador, consciente e sereno.” Assume a memória paterna na pessoa que hoje é, nos relatos da mãe e dos amigos e nas lembranças que guarda e das quais fala com um carinho nas palavras que usa para as descrever. “A forma como me falam dele cativa-me e torna-o ainda mais especial.”
A valentia e a perseverança são características que fazem da mãe a outra heroína. “Eu posso dizer que a minha mãe não tem medo de nada e é impossível alguém não gostar dela. Ela conquistou muito na vida, mas pelo próprio esforço. Quando for grande, quero ser como ela…” Nas situações do dia-a-dia, recorre aos exemplos que tem na sua vida para tomar a melhor decisão e é assim que se revê nos ascendestes, que admira como ídolos.

A vinda para Leiria

A relação com a mãe tornou-se mais estreita com a vinda para Leiria, há dez anos atrás. “Foi uma mudança muito complicada… Com o falecimento do meu pai, a família materna, que é natural de Leiria, acabou por nos convencer a vir morar para cá. Uns anos mais tarde, percebemos que foi a melhor opção.”
Em Coimbra, ficou a vida familiar a três e os amigos que já tinha, para Leiria, vieram as boas memórias e a vontade de fazer novas amizades. “Não sou muito de pensar naquilo que deixei ou que aconteceu, sou mais de viver aquilo que tenho. Se aconteceu, é porque tinha de acontecer… Por outro lado, também não penso que ‘há males que vêm por bem’, porque não há bem nenhum na morte de um pai. Sigo em frente e uma coisa sei: a minha vida veio por aqui e permitiu-me conhecer outras pessoas que hoje são muito importantes para mim.”
A fé que Maria Inês vai construindo é um legado familiar. Numa visita ao espólio do passado familiar, fala da vida escutista do pai, das viagens que ele fez a Taizé e da forma “descontraída”, mas comprometida, com que os pais lhe ensinaram a encarar a fé. A exemplo dos pais, é ela que se sente, agora, naturalmente a crescer numa fé que recebeu.

A comunidade…

Maria Inês está ligada à paróquia de Leiria. “Foram super acolhedores”, diz, a propósito da forma como a comunidade paroquial a recebeu a si e à sua mãe. Agora, participam ativamente da vida paroquial, na qual se integraram através de diversas dinâmicas: catequese, coro e o grupo de leitores.
Inês é acólita desde os 8 anos. “Vir à Missa com a minha mãe não chegava, senti vontade de participar de uma forma mais ativa. Disse à minha mãe e integrei os acólitos. Depois, com a catequese, a experiência e as formações que ia tendo, aprendi a olhar para a Eucaristia de uma forma mais atenta.” No final do Crisma, aceitou o convite para dar catequese. É catequista da infância desde então. “Adoro a experiência e o desafio de ter de cativar as crianças que estão naquela fase de acreditar em nada e em tudo.”
Sobre a sua crença pessoal, Maria Inês lembra a resposta que deu aos amigos da escola que a interrogaram sobre a sua fé. “Eu expliquei que a tinha recebido da família, mas que, depois da morte do meu pai, senti necessidade de me agarrar a algo que me completasse, que respondesse às muitas perguntas que então surgiram e que desse um sentido à vida.” No limite, pode não saber verbalizar a sua fé, mas sabe que se sente feliz acreditando.

Um monólogo que dá respostas

Nos exemplos dos quais bebeu na sua caminhada, fala de outras pessoas que a ajudaram a solidificar a fé: formadores, catequistas e padres, que lhe apresentaram um Deus que faz caminho consigo, se faz presente de uma forma subtil e ajuda a superar os momentos mais difíceis. “Nesses momentos, vinha à Sé e ficava sentada, a olhar… Às vezes, tinha a sensação de que Deus me dava respostas sem que eu me desse conta ou conseguisse verbalizar, o que é certo é que ficava mais serena. Destes momentos de oração, acabava por concluir que as dificuldades fazem parte da vida e que, assim como outras pessoas têm as suas, eu tenho as minhas e tenho que fazer por as superar.”
Esta perspetiva leva Maria Inês a dizer que “é feliz em Igreja”. “Eu posso dizer que a maioria das melhores pessoas que conheço, estão ligadas à Igreja, o que me convence ainda mais de que afinal vale a pena acreditar…”

Ser especial

Na vida do pai e no exemplo da mãe, a vida de Maria Inês é feita de modelos que a ajudam a seguir o rumo certo. São arquétipos que, na ausência e na presença se fazem alicerce de uma personalidade única, que se afirma grata pelas suas fundações.
Na alegria que transparece, na serenidade com que vive a vida e enfrenta os problemas através de uma “fé descontraída”, assume agora a sua vez de dar testemunho da sua fé. “Fui madrinha do Crisma há pouco tempo e essa confiança foi a melhor forma de sentir o meu testemunho valorizado.”
O reconhecimento da importância do legado que recebeu é imediato à constatação de que chegou a hora de dar. “É importante que as pessoas da minha idade percebam que a fé nos dá força e torna-nos mais atentos e conscientes ao mundo que nos rodeia, dando-lhe sentido. E, por tudo isto, acaba por nos tornar diferentes e especiais”.

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