Perfil de Jaime Silva

Jaime Silva é da paróquia de Santa Eufémia e tem 50 anos. É pai de quatro filhos de um matrimónio que abraçou como vocação há quase 25 anos.

“A vida passa num instante e nós nem damos conta”, lamenta, enquanto fala da maioridade de quase toda a prole. Também veio de uma família numerosa. É o quarto de seis filhos, nascidos na Carrasqueira, um lugar de Santa Eufémia. O pai foi uma pessoa de muita ação na paróquia, concretamente nas conferências vicentinas. Assim como ele, Jaime mantém uma ligação muito próxima à dinâmica paroquial. Integra o Conselho Económico Paroquial, ensaia o grupo coral, é organista e catequista e coordena o jornal paroquial “Mais Além” desde 2007. Foi na sala que regularmente usa para trabalhar as edições daquela publicação, no centro paroquial, que conhecemos o seu percurso de vida.

Jaime Silva entrou para o seminário aos 12 anos, onde esteve desde o 7.º ano até ao primeiro ano de Teologia. A vontade de ser seminarista surgiu do contacto que teve com os testemunhos de missionários que visitavam a paróquia. Não foi a falta de fé que o levou a sair do seminário, sublinha, mas a convicção de que a sua vocação se cumpria no Matrimónio. “Apesar de não ter concluído a minha formação, o tempo que ali estive instruiu-me na fé. Acredito que Deus me levou por esse caminho por alguma razão. Agora posso dar aos outros aquilo que aprendi”.

Saiu do seminário com 21 anos e, aproveitando a formação musical que ali teve, foi dar aulas de música. Um ano depois candidatou-se a lecionar a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, tendo sido aceite na escola da Caranguejeira, onde passados 29 anos ainda é professor.

Aos 26 anos casou. Questionado se a disponibilidade encurtou aquando do início da vida conjugal, reponde dizendo que “o tempo chega para tudo”. A explicação surge de imediato ao salientar a colaboração que sempre houve entre o casal. “Em família, conseguimos ir conciliando tudo”.

A herança familiar

A consciência da importância do núcleo familiar é clara no discurso de Jaime Silva. Ainda hoje, mantém ligação muito próxima com os cinco irmãos e a fé e a harmonia familiar, que diz ter herdado, procurou desde logo transportar para a nova família que constituiu. Os momentos de oração familiar, que acontecem diariamente em sua casa, são reflexo dessa vivência. “Há um lema, do Papa João Paulo II, que ainda hoje recordo: ‘Família que reza unida, permanece unida’. Em casa, ao rezar, recito muitas vezes essa frase, para incentivar nos meus filhos a ideia de que, se queremos estar unidos, também temos que rezar.”

O tom paternal com que fala da família faz notar a importância que esta ocupa na sua vida. A vocação do Matrimónio confirma-se nos 24 anos de vida conjugal e na abertura do casal aos filhos. “Tenho quatro filhos e se soubesse o que sei hoje, tinha tido cinco ou seis. É importante estar com os filhos e partilhar com eles a vida”.

Os filhos de Jaime dão já testemunho da vivência familiar que têm: entre a catequese, o coro dos jovens e os movimentos juvenis, lá vão dando, a exemplo dos pais, a sua colaboração na comunidade paroquial.

A alegria de servir

Jaime sente-se realizado na dedicação que tem na vida paroquial. “Tento colaborar, incentivando os outros à vivência da fé”. O trabalho que vai realizando na comunidade ressoa no passado, cumpre-se no presente e projeta-se no futuro. Sobre aquilo que ainda não fez, Jaime Silva revela que gostava de um dia fazer catequese com adultos. A ideia já está alinhavada, mas as atividades às quais já se dedica não lhe deixam tempo para a cumprir no imediato.

O empenho que Jaime imprime na ação que tem na comunidade de Santa Eufémia manifesta-se no entusiasmo com que se dedica a cada projeto. O afinco com que dirige os seus esforços é testemunho dessa fé, que transborda de ânimo através da disponibilidade que o caracteriza. Em troca, recebe “a alegria das pessoas” e isso basta-lhe.

Sobre a dificuldade em encontrar disponibilidade nas pessoas para integrarem as diferentes dinâmicas da Igreja

Se calhar falta entusiasmo, o entusiasmo da fé. O mundo atual tende a pôr de parte tudo o que diz respeito à fé. As pessoas deixam-se levar pelos convites mais fáceis e põem de parte a caminhada na fé. Aos poucos, vão-se afastando cada vez mais. Muitas vezes até têm disponibilidade, mas não se sentem motivadas porque deixaram esmorecer a fé que já tiveram. Sentem-se criticados pelo ambiente em que vivem e deixam de participar.

Temos pessoas muito válidas e tenho pena que elas não participem. Muitas vezes, quando vêm, a existência de outros convites mais alicientes começa a ser preponderante na opção de permanecer ativos na Igreja. A nossa fé deve aumentar e, se não nos deixamos levar por este entusiasmo, acabamos por estar menos disponíveis.

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