Perfil de Bruyère Santos

Bruyère Santos nasceu em Leiria no ano em que “O Mensageiro” foi fundado. O seu nascimento, a 22 de setembro, dista apenas uma quinzena de dias da data que assinala a origem do semanário diocesano.

A vida centenária de Bruyère Santos não fez capas nem encheu cabeçalhos noticiosos, mas deixou uma marca anónima no entusiasmo e na dedicação que conferiu à sua acção na pastoral dos doentes. Com ela falámos da história desta pastoral eclesial na paróquia de Leiria e ela, como ninguém, falou dos primeiros passos da acção da Igreja no apoio aos doentes, não para enaltecer um empenho que é inquestionável, apenas para dar a conhecer um passado que importa ter presente.

Quando em 1992, o Papa João Paulo II instituiu o dia 11 de fevereiro como Dia Mundial do Doente, já Bruyère Santos ajudava a organizar, há muitos anos, na paróquia de Leiria, o dia do doente. Dinamizado pelo serviço paroquial de apoio aos doentes, do qual foi presidente, o dia contava com a participação de enfermeiros, médicos e demais agentes da saúde, e consistia na celebração de uma Missa e na visita aos doentes que não podiam sair de casa.

Uma experiência que deixou marca

 A sensibilização de Bruyère para o serviço de apoio aos doentes poderá ter surgido do facto de, desde muito cedo, a palavra “doença” ter feito parte do vocabulário de preocupações pessoais. Ainda jovem, adoeceu com tuberculose, vendo-se confrontada com a necessidade de ir para um sanatório. “Foi uma experiência que me marcou”, lembra, comovida. Foi para uma instituição orientada por irmãs de São José de Cluny, em Coimbra. Apesar de já ter sido há mais de 60 anos, consegue recordar, ao pormenor, o dia em que ali entrou: o que comeu, quem a levou e até da irmã Emília, que a recebeu.

Bruyère Santos tinha então 30 anos. Nos três anos seguintes, teve de voltar por três vezes ao sanatório. Durante esse período, travou “uma amizade de irmãs” com uma doente do Algarve, que era professora e dirigia um núcleo do Movimento da Acção Católica.

Foi neste ambiente de vivência católica que se aproximou da Igreja. Lembra uma peregrinação a Fátima, organizada pela sanatório, na qual participou e que recorda como um marco. Pelo desejo de um aprofundamento pessoal da sua fé, a sua aproximação à acção da Igreja foi florescendo.

O regresso a Leiria

Bruyère foi a segunda de sete filhos. A itinerância da vida profissional do pai, oficial militar do exército, levou-a a viajar pelo país. Morou em Alcobaça, Caldas da Rainha, Coimbra, Águeda e Lisboa, onde, durante três anos e meio, leccionou num projecto dos Missionários do Coração de Jesus e no concelho de Loures.

Instalou-se por fim em Leiria, onde dava explicações de português e ciências. Desde logo, começou a frequentar as igrejas da paróquia. Recorda a presença dos vários padres que por ali passaram, mas foi o padre Gil, então pároco de Leiria, que em meados dos anos 60 aludiu, numa reunião, à possibilidade de ser criado um serviço paroquial de apoio aos doentes. Bruyère recorda que, poucos dias depois, a sua amiga Maria Mendes, uma paroquiana comprometida, falou-lhe da possibilidade de ambas se dedicarem àquele serviço. Aceitou o compromisso e a necessidade constatada pelo então pároco, passava a ser concretizada na pronta disponibilidade de Bruyère Santos, enquanto secretária, e da sua amiga, que assumiu a presidência.

O início daquele serviço na paróquia de Leiria foi, desde logo, caracterizado por uma abordagem próxima. “Fomos bater porta a porta, à casa das pessoas que estavam doentes”. Animado pelo espírito de entrega, o grupo foi crescendo e, das duas voluntárias iniciais, passou a ter um número que justificou uma divisão do serviço em duas zonas da cidade. A nova organização distribuía o serviço, tendo em conta a proximidade geográfica entre os voluntários e os doentes que eram visitados.

À frente do tempo

A criação de um serviço na pastoral dos doentes na paróquia de Leiria antecipou-se no tempo a um Congresso Internacional do Doente, realizado em meados dos anos 60, em Fátima, onde foi discutida a pertinência da criação de serviços paroquiais que colmatassem esta necessidade. A abertura do serviço foi em março, com uma reunião de visitadoras e em junho, na altura do congresso, já aquela dinâmica paroquial estava em pleno funcionamento.

Foi nesta altura, perante a saída da amiga da presidência, que Bruyère assumiu, a convite do pároco, as funções de presidente do serviço. “Convoquei uma reunião de visitadoras e sugeri a possibilidade de levarmos doentes à peregrinação a Fátima, que finalizava o congresso.” Com o empenho de todos, 45 doentes de Leiria puderam participar naquela peregrinação.

Uma entrega para a vida

Quando questionada sobre a data em que terminou as suas funções, Bruyère diz que nunca chegou formalmente a deixar aquele serviço. Na prática, também não o fez, dado que, aquando da entrada no Lar onde agora se encontra, ainda ali prestou apoio à acção pastoral, concretamente como ministra extraordinária da comunhão.

Tem agora 100 anos e a simplicidade com que fala do trabalho pioneiro que assumiu, fazem transparecer uma vida abençoada pela fé e pelo dom da sua entrega. Este entusiasmo, apesar de não ter feito notícia, fez história, nas estórias das vidas que acolheu. Qual é o segredo? A reposta vem imediata: “É preciso encarnar a entrega ao serviço”.

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