Pastores com o perfume do amor e o bálsamo da misericórdia de Cristo

Homilia da Ordenação Sacerdotal de Tiago Silva e de Armindo Rodrigues

 

 

Pastores com o perfume do amor e o bálsamo da misericórdia de Cristo

† António Marto

Catedral de Leiria, 19 de abril de 2016

Ref: CE2016B-007

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus de toda a consolação, que hoje consola a nossa Igreja com a ordenação de dois novos padres, dons da sua divina misericórdia.

O Povo fiel de Deus, vindo de dentro e de fora da diocese, acorreu em multidão a esta catedral exultante de alegria. Quer acolher em ação de graças esta dádiva divina e trazer o seu afeto, o seu ânimo e o seu apoio aos caros ordenandos.

Neste clima de alegria quero saudar desde já os dois candidatos, o Tiago Silva e o Armindo Rodrigues juntamente com os seus pais e familiares, o Senhor D. Serafim, bispo emérito, o P. Jovanete, Superior da Congregação dos Marianos da I. C. em Portugal e todos os padres concelebrantes, os seminários de Leiria e do Patriarcado de Lisboa com os seus formadores e seminaristas, as comunidades de origem e as de estágio pastoral, todos vós fiéis aqui presentes.

Celebramos esta ordenação no domingo do Bom Pastor, dia do encerramento da semana de oração pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada; mas também no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia, do ano pastoral dedicado a Maria, Mãe de Ternura e Misericórdia, e com a presença da Cruz da Evangelização que hoje se despede rumo à Jornada Mundial da Juventude. Estes acontecimentos constituem a moldura da nossa celebração que ressaltam a sua beleza e a tornam mais eloquente.

O rosto de Cristo Bom Pastor, resplandecente de misericórdia

A imagem do pastor é o sinal característico deste quarto domingo do tempo pascal. Jesus ressuscitado continua a ser o Pastor bom e belo que guia e protege o rebanho que é a sua Igreja. A passagem do Evangelho de hoje oferece-nos três traços da ternura e da misericórdia de Jesus, o Bom Pastor.

Em primeiro lugar, o pastor que conhece as ovelhas pelo nome e estas o reconhecem pelo timbre da sua voz. Não é um conhecimento genérico, mas amoroso e terno, de relação familiar, de intimidade e fidelidade;

Deste conhecimento resulta o seguimento do pastor que conduz às fontes da água viva, da comunhão no amor e que dá a vida verdadeira e eterna;

Por fim, a vida dos que o escutam e seguem está nas mãos de Deus: “ninguém as arrebatará da minha mão… ninguém pode arrebatar nada da mão do meu Pai” –afirma Jesus, para exprimir a pertença, a proteção, a segurança e a libertação do medo e do mal que o pastor oferece ao rebanho, como tão belamente diz o salmo: “Ele nos fez, a Ele pertencemos, somos ovelhas do seu rebanho”. Ou, como diz S. Paulo, “nada nem ninguém nos pode separar do amor de Deus em Cristo”.

Quem não vê aqui a misericórdia de Deus que resplandece no rosto do Bom Pastor, o rosto de um Deus que nos ama entranhadamente, nos segura pela mão e nunca nos abandona?

Mãos ungidas para levar o perfume do amor e o bálsamo da misericórdia

“Por meio da Igreja e particularmente dos sacerdotes, a misericórdia de Deus deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa sem excluir ninguém… Jesus apresenta-se como Pastor de 100 ovelhas, não de 99; e quer tê-las todas. A partir desta consciência tornar-se-á possível que a todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia”(AL 309).

O sacramento da Ordem que ides receber, caros ordenandos, torna-vos participantes, de modo especial, da missão de Cristo. Se o escutardes docilmente e o seguirdes fielmente, aprendereis com Ele a traduzir na vida e no ministério pastoral o seu amor misericordioso para a salvação das pessoas. Com a ajuda de Jesus, cada um de vós tornar-se-á um bom pastor procurando ter os mesmos sentimentos e atitudes de Jesus.

O Senhor quer prolongar os seus gestos de misericórdia através do ministério que nos confia. Nós somos hoje as mãos estendidas de Cristo. Também as vossas mãos vão ser ungidas com óleo santo perfumado, “conscientes de que a unção não é dada para se perfumar a si mesmo” (Papa Francisco), mas para levar o  perfume do amor de Cristo e o bálsamo da sua misericórdia através das vossas mãos: mãos abertas para acolher e dar alento a toda a hora; mãos que abençoam e perdoam; que acalentam e protegem; que guardam e apoiam; que levantam e exortam; que assim cuidam dos feridos e ajudam a curar as feridas do coração e da alma; mãos que nos entregam um tesouro precioso e inesgotável que é o amor de Cristo comunicado na Palavra e nos sacramentos!

É belo ser padre! O padre cuida da saúde espiritual dum povo e apela ao que há de mais belo e positivo no coração de cada homem e de cada mulher!

Maria, mãe e mestra dos sacerdotes

Neste ano pastoral, nas vésperas de centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, não podíamos deixar de evocar aqui a Mãe do Bom Pastor. O Concílio Vaticano II convida os sacerdotes a olhar para Maria como o modelo perfeito da própria existência, invocando-a como “Mãe do sumo e eterno Sacerdote, Rainha dos Apóstolos, Auxílio dos presbíteros no seu ministério”. E acrescenta que os presbíteros “devem venerá-la e amá-la com devoção e culto filial”(PO 18).

Maria tem uma relação de predileção com os sacerdotes como tinha com os apóstolos. Por isso, a ausência de Maria no caminho espiritual de um padre é sintoma de notável carência e imperfeição. Contemplá-la e amá-la como mãe  é deixar-se atrair pelo sim que a associou de forma admirável à missão de Cristo; é proclamar a grandeza do Senhor e da sua misericórdia a favor dos homens e não alimentando um projeto autorreferencial (em que tudo gira à volta do ego), segundo o próprio interesse; é sentirmo-nos, como a mãe de Jesus, servos e servidores humildes, cheios de respeito pela vida de cada pessoa, pela sua história de sofrimento, e não príncipes e donos do seu povo. Assim, nas comunidades às quais fordes enviados vós chegareis não com um olhar de senhor e de juiz, mas com um olhar de amor, de bênção de Deus, de misericórdia e de ação de graças.

Oração pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada

A vocação ao sacerdócio é uma vocação belíssima e singular na Igreja. Invoquemos pois a intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja, para que em cada comunidade cristã cresça a atenção e o cuidado pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada: “Maria, Mãe do Bom Pastor, intercedei por cada comunidade cristã a fim de que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações para o serviço do povo santo de Deus”!

Confiemos-lhe também os nossos jovens para que se deixem interpelar pela Cruz da Evangelização aqui presente. Caros jovens amigos, esta cruz é o símbolo onde resplandece a grandeza do amor “entregue por vós e por todos” e que a todos quer chegar. É com esta cruz do seu amor universal que Jesus bate hoje à porta do vosso coração para vos dizer: “conto convosco”. Se Ele surpreender alguns de vós, no vosso íntimo, com o seu olhar e a sua chamada a entregar-vos inteiramente no sacerdócio, sede generosos no vosso sim. Pensai nisso, peço-vos. E não tenhais medo! Ele nunca nos abandona nas dificuldades!

Rezemos, por fim, pelos que vão ser ordenados sacerdotes para que Maria os ajude a configurarem-se à imagem do seu Filho Jesus, Bom Pastor, dispensadores do tesouro inestimável do seu amor. Maria, Mãe dos sacerdotes, rogai por todos eles! Ámen! Aleluia!

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