Papa Francisco quer ouvir os “desafios pastorais” das famílias

Preparação para o Sínodo dos Bispos de 2014/2015. Bispo de Leiria-Fátima já deu instruções de trabalho.

O Papa Francisco convocou um Sínodo dos Bispos para debater “os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Decorrerá em duas assembleias gerais: uma extraordinária, de 5 a 19 de outubro de 2014, para estudar o estado atual da questão; outra ordinária, em 2015, para procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa e da família em toda a Igreja. Antes disso, foi já apresentado e enviado às conferências episcopais do mundo inteiro um documento preparatório, com questões que deverão ser estudadas e respondidas até ao nível paroquial.

“Hoje perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de facto, que não acedem ao matrimónio e às vezes excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raramente é permitida a adoção de filhos”, começa por referir o documento preparatório, apresentado em seis línguas, incluindo o português.

Numa primeira parte, o texto sublinha a importância da família como “núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial” e apresenta algumas das situações com que se debate atualmente, desde os “casais de facto” e as “uniões entre pessoas do mesmo sexo” até uma vasta diversidade de problemáticas que marcam as várias culturas e sociedades contemporâneas, como a de muitos adolescentes e jovens, “nascidos de matrimónios irregulares”, poderem “nunca ver os seus pais aproximar-se dos sacramentos”.

São temas que exigem a “atenção pastoral da Igreja” e uma reflexão dos Bispos, “tanto necessária e urgente quanto indispensável, como expressão de caridade dos Pastores em relação a quantos lhes são confiados e a toda a família humana”.

O documento aponta, depois, as “referências essenciais” da Bíblia e do Magistério da Igreja sobre a família, partindo da “criação do homem e da mulher, ambos criados à imagem e semelhança de Deus”, passando pelos ensinamentos de Cristo sobre o matrimónio, até aos documentos fundamentais como a “Familiaris consortio”, a “Gaudium et spes”, a “Humanae vitae” ou o Catecismo da Igreja Católica.

 

39 perguntas para “todos”

Depois de quatro páginas de reflexão, surgem quatro páginas de perguntas. São 39 as questões que “permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo”.

Embora seja habitual a inclusão de um questionário nestes documentos preparatórios, a insistência em que seja levado até às bases paroquiais traz alguma novidade ao procedimento, o que tem gerado uma atenção especial por parte dos meios de comunicação social a este assunto.

Novidade será também o tipo de questões formuladas, divididas em dez grandes grupos: “a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família”, “o matrimónio segundo a lei natural”, “a pastoral da família no contexto da evangelização”, “a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis”, “as uniões de pessoas do mesmo sexo”, “a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares”, “a abertura dos esposos à vida”, “a relação entre a família e a pessoa” e “outros desafios e propostas”.

Nalguns casos, os assuntos e a linguagem serão de difícil perceção pela maioria dos fiéis, como é exemplo “o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia” e dos “documentos do Magistério sobre o valor da família”, ou “que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular” e “que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família”.

Mas noutros poderá haver, de facto, uma participação efetiva das comunidades de base para levar ao Sínodo o “estado da situação” e as reais preocupações das pessoas do nosso tempo, na sua diversidade geográfica e cultural. Questões como “conseguiu-se propor estilos de oração em família capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea” ou “que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise” poderão ser de mais fácil resposta.

O debate mais intenso será, no entanto, o que abre a discussão sobre “como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade”, ou como trabalhar pastoralmente as “situações matrimoniais difíceis”, sejam as “uniões livres de facto”, os “separados e divorciados recasados” ou as “uniões de pessoas do mesmo sexo”, bem como o problema da “educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares”. Pergunta-se, por exemplo, “como vivem os batizados a sua irregularidade” e se se sentem “marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos”, mas também se a simplificação do processo de “declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas”.

Encarando sem receios essas questões, todos os cristãos são chamados a manifestar a sua opinião e a darem um contributo válido para uma resposta que se espera na linha do que o Papa Francisco tem defendido frequentemente: uma Igreja mais acolhedora, mais humana e mais próxima das “periferias existenciais”.

Mesmo nas questões em que não pode mudar a doutrina de Deus, de que é depositária e guardiã, a Igreja apresenta este Sínodo como uma luz de esperança para uma prática mais conforme ao mandamento maior do amor, que faz dela o sinal da salvação que o mesmo Deus oferece a cada pessoa e a toda a humanidade.

 

Bispo de Leiria-Fátima já deu instruções de trabalho

Por todo o mundo, as conferências episcopais estão a definir métodos para permitir a participação alargada dos fiéis nesta “consulta” ao Povo de Deus. 

D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, deu já algumas orientações práticas para o estudo e resposta às questões deste documento preparatório para o Sínodo dos Bispos. O texto foi inicialmente enviado aos nove vigários da vara, com a sugestão de que o façam chegar “aos demais padres e eventualmente aos casais envolvidos na pastoral familiar”. Na missiva enviada pelo vigário geral, padre Jorge Guarda, pede-se “o melhor empenho na promoção da reflexão no âmbito da sua vigararia, envolvendo os padres e também casais, e recolhendo as respostas às perguntas”.

Mas o documento é disponibilizado a todos os interessados (descarregar aqui).

As paróquias, movimentos, associações, grupos e obras eclesiais, os padres e outros dirigentes e animadores, segundo as suas possibilidades e ousadia, devem difundir o tema, promover a reflexão e a resposta às questões tornadas públicas.

Todos os interessados em dar o seu contributo podem pronunciar-se. Dados os prazos apertados, para se poder enviar o contributo no tempo pedido, as resposta devem ser enviadas até 15 de dezembro para o Departamento da Pastoral Familiar (DPF), para o email pastoralfamiliarleiria@gmail.com.

Caberá, depois, ao diretor do DPF, padre José Augusto Rodrigues, “fazer a síntese final da Diocese, até final de dezembro, a fim de o Senhor Bispo dele tomar conhecimento, o enriquecer com o seu contributo e o remeter à Conferência Episcopal Portuguesa”, esclarece o vigário geral.

 

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