Ovelhas e cordeirinhos

na minha perspectiva de criança e adolescente, apresentava-se bastante mal vestido e segurava um cordeirinho, que, esse sim, me encantava

Na igreja onde fui baptizado e recebi os sacramentos da Iniciação Cristã, havia uma imagem de São João Baptista que, como acontecia com outras que havia por lá, me intrigava de um modo especial: na mina perspectiva de criança e adolescente, apresentava-se bastante mal vestido e segurava um cordeirinho, que, esse sim, me encantava, porque se parecia mesmo com os que me enterneciam, quando era época deles, no meio do rebanho que tive a função de guardar até bastante tarde.

Como nunca ninguém tomou a iniciativa de me explicar aquela iconografia, e eu fui sempre muito tímido – diziam as pessoas à minha volta que eu era muito envergonhado – o pobre do São João Baptista, na minha memória, andou muitos anos dependente dos cordeirinhos do meu rebanho.

Mais tarde comecei a ver quadros em que ele aparecia com Jesus, tornando-se assim as coisas ainda mais confusas para a minha mente, numa confusão que só começou a desfazer-se quando me transformei em leitor do Evangelho e me dei com o texto que se lê neste domingo. Afinal, o segundo do Tempo Comum, mas que é tratado liturgicamente como se fosse o primeiro.

Terá sido o missal? Não. Na altura as leituras da Missa tinham outra organização, e não foi por aí que me deparei com o passo joanino que, na mente do próprio evangelista, constitui o segundo dia da Semana dita Primordial (ou Inaugural, como querem outros).
E fiquei muito feliz por ter verificado que, indirectamente, estava na linha da João Baptista, quando, por causa do cordeirinho, o punha tão em segundo lugar.

Se ele próprio disse, “é necessário que Ele cresça, e eu diminua”!

Mas foi também ele que disse, quando toda a gente esperava dele outra coisa – imaginando-o tudo aquilo que um mundo de carências, espirituais e materiais, podia esperar das promessas messiânicas – “eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

Já tinha dito que não era o Messias: que deixassem de esperar dele o que não fazia parte da sua missão.

Agora, verdadeiramente fiel a essa missão, diz a toda aquela gente onde está o remédio para as suas carências.

João Baptista e o inicio dos tempos novos!

Continuando a ler o quarto evangelho, damo-nos conta que de tantos ouvintes e curiosos que acorriam às margens do Jordão, apenas dois discípulos tomaram a sério a sua indicação.
Apenas dois, mas que fizeram uma tal experiência, que não só fixaram para sempre a hora do encontro com Jesus, como se tornaram focos de incêndio, arrastando irmãos, amigos e companheiros para a mesma experiência.

Leio e releio os textos.

Lembro-me que os estudiosos dizem que em aramaico, a língua que teria falado o Baptista, a palavra que diz “cordeiro” também serve para designar o “servo”: “eis o cordeiro de Deus” (Ev.)/ “tu és o meu servo” (Is.).

Anda por aí tanta gente preocupada em saber que deverá a Igreja fazer num mundo tão carente como o nosso.

A Igreja que celebra a Eucaristia e que nessa celebração escuta, pelo menos em duas versões, a proclamação de João Baptista.

Deixo aqui algumas das palavras ditas há três anos a propósito deste evangelho:

“A Igreja, em todas as épocas, é chamada a fazer aquilo que fez João Batista, indicar Jesus ao povo dizendo: «Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo!». Ele é o único Salvador! Ele é o Senhor, humilde, no meio dos pecadores, mas é Ele, Ele: não é outro, poderoso, que vem; não, não, é Ele!

E estas são as palavras que nós sacerdotes repetimos todos os dias, durante a Missa, quando apresentamos ao povo o pão e o vinho que se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo. Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, a qual não se anuncia a si mesma. Ai, ai da Igreja quando se anuncia a si mesma; perde a bússola, não sabe para onde vai! A Igreja anuncia Cristo; não se traz a si mesma, mas Cristo. Pois, é só Ele e unicamente Ele que salva o seu povo do pecado, que o liberta e o guia para a terra da verdadeira liberdade. Que a Virgem Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, nos ajude a acreditar n’Ele e a segui-lo.”

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