O que nos espera após a morte?

Se, para muitos, ela é o fim de tudo, deixando apenas memória e vazio, não o é para o cristão. Para este, a morte é o encontro pessoal e definitivo com Cristo.

Com a atual pandemia, a morte tornou-se mais próxima de todos como ameaça real e imediata possibilidade. Ela levou e continua a tirar-nos aqueles que nos são mais caros. Tornou-se, assim, mais premente a interrogação: o que nos espera após a morte? 

Se, para muitos, ela é o fim de tudo, deixando apenas memória e vazio, não o é para o cristão. Para este, a morte é o encontro pessoal e definitivo com Cristo. É o fim somente da fase terrena, pois a vida continua e é eterna. Segundo o cristianismo, a vida eterna é concedida por Deus a todos os homens e não somente para os crentes, pois o Criador a ninguém a nega. 

Jesus falou muitas vezes da vida eterna e com variadas imagens, não escondendo o julgamento que a precede. Na parábola do rico avarento e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31), afirma que ambos morrem, mas têm destinos diferentes: o rico foi para a “morada dos mortos”, um “lugar de tormento”, e Lázaro para o “seio de Abraão”, onde é consolado e está em paz. Jesus adverte que as opções, estilos de vida e relação com o próximo têm consequências para depois da morte e previne que a palavra de Deus nos instrui sobre o modo de viver para alcançar a plenitude da vida. Sugere ainda o que depois diz no discurso sobre o juízo final (Mt 25, 31-46): o bem ou o mal que se faz ao próximo considera-o como feito a si próprio e isso determina o destino eterno da pessoa.

Há também o caso em que Jesus parece revelar como será o julgamento pessoal: a atitude que tem para com o “bom ladrão”, na cruz (cf Lc 23, 39-43). Este defende Jesus dos insultos do colega, reconhece os seus próprios erros e pede-lhe que se lembre dele no seu reino. A resposta de Jesus não se faz esperar: “Hoje, estarás comigo no paraíso”. Sobre o outro malfeitor, Jesus não se pronuncia, deixa em aberto o seu destino após a morte. 

Segundo Jesus, na morte, todos são sujeitos ao julgamento divino. O “tipo” de vida eterna depende de como se viveu ou não o amor para com o seu próximo, pois nele, que é imagem e semelhança de Deus, se manifesta a presença do próprio Deus. Depende também do próprio arrependimento e da abertura à fé, ou seja, da aceitação de Deus e da sua graça.

As palavras de Jesus, mais do que amedrontar ou ameaçar, visam revelar que Deus quer salvar todos os homens, ensinar-lhes o caminho e indicar-lhes os meios de alcançar o “Paraíso”, ou o Céu, como lhe chama a teologia cristã. Jesus manifesta o amor misericordioso de Deus que a todos dá a possibilidade de ir para o Céu. Mas, ao mesmo tempo, afirma que Deus respeita a liberdade e a responsabilidade do homem nas opções de vida e nos seus atos. Daí a possibilidade de ele negar Deus, fechar-lhe os ouvidos e o coração, recusar os seus ensinamentos, virar-lhe as costas e conduzir a vida com soberba, orgulho e insensibilidade relativamente aos outros, como o rico da parábola acima referida.

Como será o Céu?

A vontade de Deus para nós é, portanto, a comunhão com ele, ou seja, o Céu? Como será? Diz Anselm Grün: “Algumas pessoas imaginam o Céu como um lugar onde somos completamente absorvidos por Deus, quase como se nós próprios nos anulássemos. Nesse caso, deixaria de existir o ego, mas também deixaria de existir a pessoa.

Enquanto cristãos, temos outra ideia do Céu. A pessoa expressa-se através do corpo. Cada um de nós é único e singular. Não desaparece simplesmente na morte. Fica dentro da sua pessoa, ainda que transformado e em harmonia com tudo à sua volta. Terá todas as características da sua identidade única, agora mais claramente do que nunca. Representará a imagem singular que Deus fez de nós na sua originalidade e pureza. 

O nosso corpo será transfigurado. Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo fala do corpo transfigurado, em resposta à questão sobre o corpo do morto ressuscitado: «Mas dir-se-á: Como ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam? Insensato! O que semeias não volta à vida, se primeiro não morrer. E o que semeias não é o corpo que há-de vir, mas um simples grão, por exemplo, de trigo ou de qualquer outra espécie. É Deus que lhe dá o corpo, como lhe apraz; dá a cada uma das sementes o corpo que lhe corresponde.” (1 Cor 15, 35-38).

O que nós vivemos aqui no nosso corpo é como uma semente que irá rebentar no Céu. A flor irá, então, mostrar-se no seu esplendor. A singularidade e beleza do nosso corpo que tantas vezes brilha aqui na terra, irá resplandecer em todo o seu fulgor no Céu. Mas no Céu seremos mesmo um ser vivo, como uma pessoa, não apenas com uma alma que se perde como uma gota no mar divino” (Anselm Grün, O que vem depois da morte? A arte de viver e morrer, p. 75-76).

Na mesma carta, o Apóstolo refere a imensa grandeza do que Deus prepara para quem o acolhe e vive no seu amor revelado em Jesus Cristo. Diz: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam.” (1 Cor 2,9). O que nos espera após a morte é esse mistério inimaginável e amoroso da vida eterna em Deus e na comunhão dos santos.

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