O QUE NÃO É ORAÇÃO

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Muitas vezes temos ideias e percepções erradas sobre a oração e a sua importância. Há muitos estereótipos sobre a oração, ou seja, conceitos que nada têm a ver com o verdadeiro acto de Rezar.

Ler um texto, do evangelho, de um salmo ou de um santo, nem sempre é oração. A oração não é um mero acto de leitura. Tudo depende da nossa disposição interior. E por vezes podemos estar a ler textos sobre Deus e sobre a Santidade sem que isto nos toque e nos faça, não só meditar, mas acima de tudo interiorizar e pensar sobre o grande dom que é a Palavra de Deus para os homens de hoje.

Muitas vezes rezamos como os papagaios. Dizemos muitas palavras e até fórmulas feitas e assim caímos numa simples recitação de memória. É o que referimos a rezar de cor e salteado. Por outro lado, dado o uso tão frequente que fazemos dessas fórmulas, podemos cair na rotina. Um dos grandes perigos da oração.

Sentir o gostinho e interiormente bem, nem sempre é sinal de oração. Quando se sente a presença de Deus, é normal experimentar uma sensação muito especial e indiscritível dentro de nós, que não podemos explicar com palavras. Mas, sentir-se à vontade nem sempre é sinal de oração. Há vezes em que o próprio relaxamento pode produzir um estado muito agradável sem que isso diga nada a favor ou contra a oração.

Por vezes confundimos oração com reflexão. Reflectir na vida ou até mesmo sobre uma passagem da Escritura, mas sem estabelecermos nenhum diálogo com Deus. A oração não é um monólogo, mas um diálogo entre duas pessoas que se amam. E claro está a melhor maneira de orar é através da minha vida que se faz oblação e entregue ao meu Deus e Senhor.

Fazer coisas não é oração. Cair na tentação de organizarmos grandes celebrações, vigílias, representações não significa oração. Os esquemas feitos não são fins em si mesmo. Apenas devem ser meios para nos dispor a uma atitude de oração interior e silenciosa.

Acender uma vela ou ter imagens de santos em casa não significa logo uma atitude de oração. A oração não se faz através de objectos mas com atitude interior. Está claro que os símbolos nos podem aproximar de Deus e ajudar-nos a uma atitude orante. Mas não duma forma automática.

Uma peregrinação a Fátima ou a qualquer santuário ou uma procissão não é sinónimo de fé e de oração. Nem sempre estes espaços e momentos significam atitude interior de quem reza. Antes pelo contrário, há, hoje, nestes espaços sagrados e de silêncio muitos comportamentos que em nada convidam à oração.

A oração não é um comércio nem uma feira. Há muita gente que faz da oração um autêntico negócio com Deus ou com a Virgem Maria. Faço isto e aquilo, esta ou aquela promessa, e se Deus ou a Mãe me concederem eu vou rezar ou fazer algo que prometi. Se não me for concedido já irei dizer mal de Deus e de todos os Santos porque não me acudiram. Deus não é bombeiro nem serve para apagar fogos. Infelizmente temos muitos cristãos a fazerem da oração de petição um comércio com Deu

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