O Papa nos Estados Unidos a dizer como votar em Portugal

Que tipo de mundo queremos deixar aos nossos filhos? A pergunta foi feita pelo Papa Francisco, domingo passado, na missa em Filadélfia (Estados Unidos), ao encerrar o Encontro Mundial das Famílias. Nela, o Papa como que resume várias outras afirmações e perguntas que foi fazendo, durante a sua histórica viagem a Cuba, Organização das Nações Unidas (ONU) e Estados Unidos da América (EUA).

Nas homilias e discursos, Francisco insistiu em ideias que tem procurado afirmar desde o início do seu pontificado. Por vezes, não fosse a gigantesca distância entre a profundidade das suas reflexões e propostas, e o vazio de algum discurso político-mediático, até poderíamos pensar que o Papa estava a entrar na campanha eleitoral portuguesa.

E, pensando melhor, não estava mesmo?

Por António Marujo, para o jornal Presente Leiria-Fátima*

 

A inteligência contra a crise

Nas homilias e discursos, Francisco insistiu em ideias que tem procurado afirmar desde o início do seu pontificado.

Um dos importantes apelos do Papa foi o de que é preciso mobilizar a inteligência humana contra a crise: “É-nos pedido para fazermos apelo à coragem e à inteligência, a fim de se resolverem as muitas crises económicas e geopolíticas de hoje”, afirmou o Papa, perante o Congresso (parlamento) dos EUA. O Papa referia-se a todas as grandes crises que atravessam o mundo – políticas e diplomáticas incluídas – mas não se pode também deixar de ler, nesta afirmação, uma referência muito explícita à situação económico-financeira.

O apelo à inteligência (e a não se resignar perante caminhos únicos ou receitas sem alternativa) não é casual: desde o início desta crise maldita que ouvimos dizer que não há outro caminho senão a austeridade dos mais pobres e vulneráveis – para salvar bancos e grandes fortunas e um sistema financeiro que continua a deixar milhões de pessoas fora da sobrevivência. Seria de perguntar, então, para que serve a inteligência humana (incluindo dos economistas, e dos políticos, e dos empresários…) senão para encontrar soluções e caminhos alternativos para resolver os problemas?

A crise, recorde-se, começou por causa de uma série de falências escandalosas em bancos internacionais. A dependência da Europa e de vários países europeus (entre os quais Portugal) em relação a esses bancos fez o resto: biliões e biliões de euros evaporaram-se da noite para o dia, sem que as pessoas se dessem conta de que era o seu dinheiro (particular ou dos Estados) que tinha voado.

Juntando essa causa maior a erros políticos de vários países e governos (descontrolo de contas públicas, inversão de prioridades no investimento, corrupção, sistema fiscal injusto, incentivo ao crédito ao consumo até ao endividamento excessivo…), estava preparado o terreno para que povos inteiros e os seus cidadãos fossem acusados de andar a viver “acima das suas possibilidades”.

Por isso, o Papa continuou, no Congresso dos EUA, a falar do que se passa (também) na Europa e em Portugal, com governos que cuidam mais dos grandes interesses financeiros do que da atenção às populações: “Se a política deve estar verdadeiramente ao serviço da pessoa humana, segue-se que não pode estar submetida à economia e às finanças.” E acrescentou: “É que a política é expressão da nossa insuprível necessidade de vivermos juntos em unidade, para podermos construir unidos o bem comum maior: uma comunidade que sacrifique os interesses particulares para poder partilhar, na justiça e na paz, os seus benefícios, os seus interesses, a sua vida social.”

As organizações financeiras não ficam de fora, no entanto, da responsabilidade de encontrar soluções e de uma preocupação diferente daquela que levou ao desastre: “Os organismos financeiros internacionais hão-de velar pelo desenvolvimento sustentável dos países e a não submissão asfixiante destes a sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência.”

Portugal (ou a Europa) de novo, portanto, nas palavras do Papa Bergoglio: o regime de austeridade que, após cinco ou seis anos, nada resolveu. Antes, aumentou muito mais a dívida pública (está agora em 130% do produto interno bruto); não baixou o défice (de novo nos 7% por causa dos escândalos bancários); e, pelo contrário, aumentou de forma brutal os impostos, os emigrantes e os desempregados (muitos já não contam para as estatísticas, convém lembrar).

 

O bem comum e o serviço

Para ultrapassar uma situação como a descrita, o Papa propõe vários caminhos: “Os nossos esforços devem concentrar-se em restaurar a paz, remediar os erros, manter os compromissos, e assim promover o bem-estar dos indivíduos e dos povos.” Nesse processo, a dimensão do serviço é fundamental.

2015-09-29 destaque3Na eucaristia celebrada no domingo, dia 20, na Praça da Revolução, em Havana (Cuba), Francisco partiu do texto do Evangelho desse dia: nele se conta que os discípulos de Jesus discutiam sobre “quem é o maior”. Mas Jesus transtorna essa lógica, que continua presente no nosso mundo e nas nossas vidas, como avisou o Papa.

“A vida autêntica vive-se no compromisso concreto com o próximo, isto é, servindo. (…) Servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados que Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar.”

Olhando para a acção política, vemos como a sua lógica está muito distante, em tantos casos, desta forma de servir proposta pelo Papa, segundo o Evangelho – olhando preferencialmente os mais vulneráveis, os mais frágeis.

O Papa acrescenta, sobre quem precisa desse serviço: “São pessoas de carne e osso, com a sua vida, a sua história e especialmente com a sua fragilidade, aquelas que Jesus nos convida a defender, assistir, servir. Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos.”

No discurso no Ground Zero (o local do atentado de 11 de Setembro de 2001, onde estavam as Torres Gémeas), o Papa iria referir de novo o rosto de quem sofre, mesmo se falava de outra realidade: “A destruição nunca é impessoal, abstracta ou apenas de coisas; mas antes de tudo tem um rosto e uma história, é concreta, tem nomes.”

Uma das coisas que se pode ler nas palavras do Papa é o apelo a ver para lá dos números: quando se ouvem estatísticas sobre pessoas a viver na pobreza, que passam fome, que estão no desemprego ou que são forçada a imigrar, elas escondem rostos concretos – e são esses aqueles que os cristãos devem procurar, ouvindo as suas histórias, os seus dramas e angústias, e procurando ajudar a ultrapassar essas dificuldades.

Mesmo contrariando o anonimato, como também dizia no momento de oração no Ground Zero, em Nova Iorque, a propósito da solidariedade oferecida por tantos no momento da tragédia: “Mãos estendidas, vidas oferecidas. Numa metrópole que pode parecer impessoal, anónima, de grandes solidões, fostes capazes de mostrar a poderosa solidariedade da ajuda mútua, do amor e do sacrifício pessoal. Naquele momento, não era uma questão de sangue, de origem, de bairro, de religião ou de opção política; era questão de solidariedade, de emergência, de fraternidade.Era questão de humanidade.”

À vista concreta dos mais frágeis, o cristão é, assim, “sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de omnipotência”, acrescentara o Papa, no domingo anterior, em Havana. E, dizia ainda, “o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos a ideias, mas a pessoas”.

 

Os pobres não podem esperar

Medidas imediatas para quem mais precisa, foi outra das insistências do Papa. Os diagnósticos sobre a realidade e os problemas existentes estão feitos, falta agir à procura de soluções.

Talvez a pensar nisso, o Papa afirmou, no discurso de abertura da assembleia geral da ONU, que “o mundo reclama de todos os governantes uma vontade efectiva, prática, constante, de passos concretos e medidas imediatas”. Mas não se limitou a enunciar um princípio genérico, antes referiu vários dos problemas que exigem essa actuação decidida: preservar o ambiente, vencer a exclusão e as suas “tristes consequências de tráfico de seres humanos, comércio de órgãos e tecidos humanos, exploração sexual de crianças, trabalho escravo, incluindo a prostituição, tráfico de drogas e de armas, terrorismo e crime internacional organizado”.

Vários destes temas têm sido referidos pelo Papa em diferentes ocasiões, voltaram a sê-lo nesta viagem, com as necessidades dos mais frágeis, dos mais pobres, a merecer uma atenção especial em vários dos discursos. Num encontro com pessoas sem-abrigo, num centro da paróquia de São Patrício, em Washington, disse que também Jesus veio ao mundo como um sem-abrigo. “O Filho de Deus sabe o que é começar a vida sem um tecto. (…) E nós que temos tecto e lar, será bom que [perguntemos] também: Por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm tecto, porquê?”

Francisco não deixou de ser “muito claro” na resposta: “Não há nenhum motivo social, moral ou doutro género que seja para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente connosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos.”

De igual modo, a luta contra a pobreza e a fome “deve ser travada com constância nas suas múltiplas frentes, especialmente nas suas causas”, disse o Papa no Congresso dos Estados Unidos. E essas causas, para fechar o círculo, radicam num sistema económico que mata, como dizia o Papa na exortação apostólica A Alegria do Evangelho.

A propósito, o Papa citou o exemplo de Dorothy Day (1897-1980), uma activista católica que criou o Movimento Católico de Trabalhadores: “O seu compromisso social, a sua paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos estavam inspirados pelo Evangelho, pela sua fé e o exemplo dos santos”, afirmou. Mas tem de se “fazer ainda muito mais” e, em tempos de crise e dificuldade económica, “não se deve perder o espírito de solidariedade global”, acrescentou o Papa.

 

Cuidar do pobre, cuidar da natureza

A pobreza não surge por acaso. O Papa não se tem cansado de apontar o sistema economicamente injusto que está na origem dos milhões de deserdados que não têm comida, tecto, escola, acesso a cuidados médicos mínimos ou outras condições básicas de sobrevivência. Mas há uma outra causa para a pobreza: a destruição ambiental do planeta.

2015-09-29 destaqueNo discurso ao Congresso americano, o Papa recordou que já na sua encíclica Laudato si’ ele exorta a um esforço para “mudar de rumo”, pois agora é o momento de “empreender acções corajosas e estratégias tendentes a implementar uma ‘cultura do cuidado’ e ‘uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza’”.

No dia seguinte, perante a assembleia geral das Nações Unidas, acrescentou: “O abuso e a destruição do ambiente, ao mesmo tempo, vão acompanhados por um imparável processo de exclusão. Com efeito, um afã egoísta e ilimitado de poder e de bem-estar material leva tanto a abusar dos recursos materiais disponíveis como a excluir os mais débeis.” E quer o ambiente natural quer o “vasto mundo de mulheres e homens excluídos” acabam por ser vítimas de um “mau exercício do poder”.

Para que não restem dúvidas, o Papa reafirmou que “a exclusão económica e social é uma negação total da fraternidade humana e um gravíssimo atentado aos direitos humanos e ao ambiente”. Os mais pobres, acrescentou, são os que mais sofrem estes atentados, por três razões: “São descartados pela sociedade, são ao mesmo tempo obrigados a viver do descartável e devem injustamente sofrer as consequências dos abusos sobre o ambiente.”

A questão ambiental e ecológica está ainda longe de sensibilizar os cristãos portugueses como prioritária para o nosso futuro. Mas o Papa não se cansa de repetir que, no fundo, é a nossa “casa comum” que está em risco. Uma casa que deve continuar a erguer-se “sobre uma recta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito pela sacralidade de cada vida humana”. E também sobre “a compreensão de uma certa sacralidade da natureza criada”.

Não se trata apenas de reciclar papel ou vidro. Se esses gestos já são importantes (e quantos ainda não os praticam?), é fundamental entender que o consumo desenfreado tem custos ambientais e gravíssimos – e acaba por ser factor de exclusão de muitas pessoas como nós. O escândalo que acaba de ser divulgado sobre o crime ambiental cometido pela Volkswagen é exemplo disso mesmo: no final da história, os responsáveis pela decisão passarão com o mínimo de danos, enquanto os trabalhadores acabarão por ser vítimas do decréscimo das vendas a que a marca ficará inevitavelmente sujeita.

 

Todos os muros caem

A actual vaga de refugiados foi outro tema que mereceu fortes referências do Papa. “Todos os muros caem, hoje, amanhã ou dentro de cem anos, mas todos caem. Não é uma solução. O muro não é uma solução”, disse Francisco, já no avião de regresso a Roma. Esta crise, referiu ainda na mesma ocasião, é o resultado de um processo de anos, “porque as guerras de que aquela gente foge são guerras de anos, a fome é fome de anos”.

Diante do Congresso dos EUA, o Papa apresentou-se também como filho de imigrantes: “Nós, pessoas deste continente, não temos medo dos estrangeiros, porque outrora muitos de nós éramos estrangeiros. Digo-vos isto como filho de imigrantes, sabendo que também muitos de vós sois descendentes de imigrantes.”

No encontro com crianças e famílias de imigrantes no Harlem, em Nova Iorque (dia 25), sublinhou o “lado belo” de se encontrarem novos amigos, “pessoas que nos abrem as portas e mostram a sua ternura, a sua amizade, a sua compreensão, e procuram ajudar-nos para que não nos sintamos estranhos, estrangeiros”.

Evocando Martin Luther King, o pastor da Igreja Baptista que lutou pela integração dos negros numa sociedade mais fraterna, o Papa afirmou: “Um dia disse ele: ‘Tenho um sonho’. E sonhou que muitas crianças, muitas pessoas haveriam de ter igualdade de oportunidades. Sonhou que muitas crianças como vós haveriam de ter acesso à educação. E sonhou que muitos homens e mulheres, como vós, pudessem ter a cabeça bem erguida, com a dignidade de quem pode vencer na vida. É bom ter sonhos e é bom poder lutar pelos sonhos. (…) Todos vós que estais aqui, adultos e crianças, tendes o direito de sonhar (…). Onde há sonhos, onde há alegria, aí sempre está Jesus. Sempre.”

Diante do Congresso dos EUA, o Papa evocou igualmente Luther King para dizer a sua alegria por a América “continuar a ser, para muitos, uma terra de ‘sonhos’: sonhos que levam à acção, à participação, ao compromisso; sonhos que despertam o que há de mais profundo e verdadeiro na vida das pessoas” e que leva milhões de pessoas a querer construir “um futuro em liberdade”.

Muitos desses que buscam o sonho e a liberdade esbarram, no entanto, nos muros que se constroem – incluindo, de novo, na Europa. “O nosso mundo está a enfrentar uma crise de refugiados de tais proporções que não se via desde os tempos da II Guerra Mundial. Esta realidade coloca-nos diante de grandes desafios e decisões difíceis. Também neste continente, milhares de pessoas sentem-se impelidas a viajar para o Norte à procura de melhores oportunidades. Porventura não é o que queríamos para os nossos filhos?”

Perante os sinais do crescimento da xenofobia e da rejeição do outro, em Portugal e por toda a Europa; numa realidade em que se ouvem mesmo pessoas que se identificam como cristãs a dizer que é preciso “cautela” com a “invasão” que aí vem, o Papa faz, de novo, o apelo a que se olhe cada rosto, cada pessoa: “Não devemos deixar-nos assustar pelo seu número, mas antes olhá-los como pessoas, fixando os seus rostos e ouvindo as suas histórias, procurando responder o melhor que pudermos às suas situações. Uma resposta que seja sempre humana, justa e fraterna. Devemos evitar uma tentação hoje comum: descartar quem quer que se demonstre problemático.”

Neste contexto, Francisco propôs a formulação positiva da chamada regra de ouro, a partir do Evangelho: “O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles (Mt 7, 12)”. “Esta norma aponta-nos uma direcção clara. Tratemos os outros com a mesma paixão e compaixão com que desejamos ser tratados. Procuremos para os outros as mesmas possibilidades que buscamos para nós mesmos”, afirmou.

 

Como vivemos esta lógica?

Outras referências do Papa foram para a reprovação da pena de morte em nome da sacralidade de cada vida humana; para a defesa da protecção da vida humana “em todas as fases do seu desenvolvimento” (e não apenas na altura do nascimento ou da morte…); para a memória dos povos indígenas que nem sempre foram respeitados nos seus direitos; e para a defesa da liberdade religiosa e da convivência entre pessoas de diferentes convicções: “Apesar das diferenças, das discrepâncias, é possível viver um mundo de paz (…) é possível e necessário que nos reunamos (…). Juntos, hoje, somos convidados a dizer ‘não’ a qualquer tentativa de uniformização e ‘sim’ a uma diferença acolhida e reconciliada”, disse ele, no Memorial do Ground Zero.

Quando tantos governantes condenam o que se passa na Síria, por exemplo, o Papa lembrou a condenação absoluta da venda de armas “àqueles que têm em mente infligir sofrimentos inexprimíveis a indivíduos e sociedades”. O dinheiro obtido com esse comércio “está impregnado de sangue, e muitas vezes sangue inocente”, verberou. Para acrescentar: “Perante este silêncio vergonhoso e culpável, é nosso dever enfrentar o problema e deter o comércio de armas.”

A guerra “é a negação de todos os direitos e uma dramática agressão ao ambiente” e por isso deve ser evitada a todo o custo, privilegiando a negociação e o diálogo, e afirmando “o império incontestável do direito”. Mais ainda é preciso “um mundo sem armas nucleares”, até à “proibição total desses instrumentos”; e um combate mais vigoroso ao narcotráfico, que está sempre “acompanhado de tráfico de pessoas, da lavagem de dinheiro, do tráfico de armas, da exploração infantil e outras formas de corrupção”.

2015-09-29 destaque2Ainda no Congresso dos EUA, o Papa avisou: “Há outra tentação de que devemos acautelar-nos: o reducionismo simplista que só vê bem ou mal, ou, se quiserdes, justos e pecadores.” E recordou: “Uma nação pode ser considerada grande, quando defende a liberdade, como fez [Abraham] Lincoln; quando promove uma cultura que permita às pessoas ‘sonhar’ com plenos direitos para todos os seus irmãos e irmãs, como procurou fazer Martin Luther King; quando luta pela justiça e pela causa dos oprimidos, como fez Dorothy Day com o seu trabalho incansável, fruto duma fé que se torna diálogo e semeia paz no estilo contemplativo de Thomas Merton.”

Na Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, o Papa recordou os textos bíblicos desse dia, em que Moisés e Jesus repreendem os seus por recusarem os que falavam em seu nome: “Oxalá fossem todos profetas da Palavra de Deus! (…) Não impeçam todo o bem.”

Isso implica aceitar que nem só os que são do “nosso grupo” agem em nome do Espírito. Essa seria uma “tentação perigosa” e uma “perversão da fé”. Antes, a fé “abre a ‘janela’ à presença actuante do Espírito e mostra-nos como a felicidade, a santidade está sempre ligada aos pequenos gestos. (…) Esta atitude a que somos convidados leva-nos a perguntar, hoje, aqui: Como estamos a trabalhar para viver esta lógica nos nossos lares, nas nossas sociedades?”

Enfim, se o Papa participou activamente na campanha para estas eleições em Portugal, os seus argumentos, infelizmente, foram pouco debatidos, preferindo-se ainda um discurso político e mediático que tendia a privilegiar o acessório e a esquecer os grandes temas que determinam o nosso futuro comum.

No momento de votar, temos diante de nós estes temas, estes apelos, estas perguntas?

 


 

* António Marujo é jornalista do religionline.blogspot.pt. Esta é uma versão alargada do artigo publicado na edição em papel do jornal PRESENTE LEIRIA-FÁTIMA de 1 de outubro de 2015.
O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

Nota: Poderá ler os discursos do Papa pronunciados nesta viagem, no sítio do Vaticano na internet.

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