O Espírito Santo, protagonista da missão

Antes de mais convém salvaguardar que o Espírito Santo não é uma coisa em abstracto.
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O ESPÍRITO SANTO PROTAGONISTA DA MISSÃO

Falar sobre o Espírito Santo não é fácil, contudo há muitas maneiras de O abordar. Há abordagens muito interessantes nas quais vale a pena nos debruçarmos. Depois há abordagens muitos simplistas e com uma linguagem demasiadamente piedosa que acaba por empobrecer o que é o Espírito Santo e o que Ele faz em nós e na vida da Igreja.

Antes de mais convém salvaguardar que o Espírito Santo não é uma coisa em abstracto. É uma pessoa. Sem rosto visível, mas com uma acção muito interventiva em todos os domínios. Não se vê, mas sente-se dentro de nós, na vida do mundo e da Igreja. É a força de Deus a actuar e a agir no hoje da história. Infelizmente é o parente pobre da Santíssima Trindade! Recorremos a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora e a todos os santos e santas, mas temos imensa dificuldade em recorrer e em rezar ao Espírito Santo. Sem Este nada funciona e nada acontece.

Há trinta e três anos, surgia para mim, a melhor definição que conheci, até aos dias de hoje, sobre o Espírito Santo. O “eventor” foi o nosso saudoso Papa São João Paulo II na famosa encíclica “A Missão de Cristo Redentor”, onde dedica todo o capítulo III ao Espírito Santo. E a expressão é a seguinte: O Espírito Santo protagonista da Missão.

É o Espírito Santo que é a alma de toda a Missão da Igreja. É Ele que nos envia em Missão e faz com que a Missão aconteça todos os dias. “Esta missão é envio no Espírito, como se vê claramente no texto de S. João: Cristo envia os Seus, ao mundo, como o Pai O enviou a Ele; e, para isso, concede-lhes o Espírito. Lucas põe em estreita relação o testemunho que os Apóstolos deverão prestar de Cristo com a acção do Espírito, que os capacitará para cumprir o mandato recebido”.

Portanto, é graças á acção do Espírito Santo que a Igreja se torna verdadeiramente missionária. O cumprimento do mandato missionário é graças à força do Espírito Santo na vida da Igreja e na vida dos homens de hoje. “A presença e acção do Espírito não atingem apenas os indivíduos, mas também a sociedade e a história, os povos, as culturas e as religiões. Com efeito, Ele está na base dos ideais nobres e das iniciativas benfeitoras da humanidade peregrina: com admirável providência, o Espírito dirige o curso dos tempos e renova a face da terra”.

Sermos dóceis à acção do Espírito Santo é a atitude fundamental para não lhe oferecermos quaisquer tipos de resistências. Infelizmente, nos dias de hoje e dentro da Igreja há muitas resistências à actuação do Espírito Santo! Dizemos muitas vezes para deixarmos o Espírito Santo actuar, mas depois somos nós, como Igreja, a querer fazer as nossas vontades e a decidir segundo os critérios do mundo e dos homens. Não tenho medo em dizer que, infelizmente, em muitas decisões tomadas na Igreja, nas Congregações Religiosas ou nas Dioceses é tudo, menos acção e vontade do Espírito Santo! É mais poder humano que divino! É mais vontade dos homens do que vontade de Deus. E quando assim é estamos a contrariar a acção do Espírito Santo.

Como rezava Francisco Libermann, fundador dos Missionários do Espírito Santo:

“Santo e adorável Espírito,

fazei-me escutar a vossa amável voz,

refrescai-me com o vosso divino sopro.

Quero ser para Vós como leve pena,

a fim de que o vosso sopro me conduza

para onde quiser e eu não lhe ofereça a menor resistência”

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