Nos Pousos a festa do Pai Nosso teve espaço para a criatividade e novas linguagens 

Nos últimos anos, estes momentos têm sido especialmente envolventes, nomeadamente no que diz a uma integração mais cuidada dos catequizandos na Eucaristia e a uma participação mais evidente por parte dos pais.

Todos os anos, por toda a diocese de Leiria-Fátima, realizam-se centenas de celebrações integradas no plano anual da catequese das paróquias. Cada volume de catequese tem a sua própria celebração que é sempre o ponto alto do programa tratado durante o ano. A paróquia dos Pousos não foge à regra e o seu grupo de catequistas aproveita esses momentos particulares para prepararem celebrações festivas em que os diversos grupos de crianças que frequentam a catequese são os protagonistas e se apresentam à comunidade. Nos últimos anos, estes momentos têm sido especialmente envolventes, nomeadamente no que diz a uma integração mais cuidada dos catequizandos na Eucaristia e a uma participação mais evidente por parte dos pais.

No domingo de 8 de maio, o Domingo do Bom Pastor, foi a vez de dar a voz às 44 meninas e meninos dos dois grupos do segundo ano da catequese dos Pousos, que celebraram a sua festa do Pai Nosso. E não foi apenas mais uma festa que se realizou, como tantas outras que se realizam em tantas paróquias pela Diocese e pelo país. Embora arriscando cair na injustiça de menorizar todo o esforço que os catequistas das outras comunidades fazem para apresentar uma festa digna, os animadores da paróquia dos Pousos estão de parabéns pelo esforço de originalidade e criatividade que redundou numa celebração Eucarística que, desde o início até ao fim, fez com que a assembleia que encheu a igreja paroquial se sentisse isso mesmo: uma assembleia que se reúne por Jesus Cristo e com Ele reza, à sua maneira, a oração que nos deixou registada nos Evangelhos.

Envolvência que não esquece ninguém

Ainda durante os preparativos para a festa que se iniciaria às 11h30, era evidente o afã e algum nervosismo de quem tinha responsabilidades nos diversos momentos. O coro, formado também pelos pais das crianças do segundo ano, que aqueciam as gargantas e faziam os últimos ensaios, era coadjuvado por diversos instrumentistas que treinavam os acordes dos cânticos escolhidos a dedo. Os leitores, reliam pela última vez as leituras. Os acólitos relembravam os passos a dar durante toda a cerimónia. E até os que chegavam mais cedo e não tinham nenhuma função de especial relevo, ajudavam na preparação antes de escolherem o melhor lugar para não perderem nenhum segundo do que se ia seguir.

ÁLBUM FOTOGRÁFICO
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Momentos antes da celebração propriamente dita, já a igreja tinha todos os seus bancos preenchidos, o pároco dos Pousos, padre Luís Morouço, ainda sem os paramentos vestidos, explicou à assembleia presente o que iria celebrar. Os participantes ficaram a saber que a Missa teria tradução para língua gestual realizada por duas jovens finalistas do curso de língua gestual. Estas duas estudantes têm acompanhado as crianças do segundo ano da catequese há várias semanas e a ensinaram-nas a rezar o Pai Nosso nessa língua. “Isso também é catequese”, justificou o padre, contextualizando a língua gestual na celebração e a sua facilidade de apreensão pelas crianças. Nesta Eucaristia também seria ministrado o batismo de duas crianças.

Uma “mesa da palavra” farta

A celebração iniciou-se com a procissão de entrada, ao que se seguiu o rito de acolhimento das crianças que iam ser batizadas. Ainda na parte inicial, uma catequista fez a introdução à celebração. A assembleia começou logo aí a perceber que se tratava de uma Missa especial, com o relevo muito importante para a oração do Pai Nosso. E isso foi confirmado com o visionamento do Pai Nosso cantado em swahili. 

Depois do vídeo, foi feita a aspersão da assembleia, enquanto duas meninas cantavam um cântico a partir do ambão. O momento antecedia a liturgia da palavra que, mais uma vez, marcava a diferença em relação às Eucaristias habituais: tinha cinco leituras, contando com o próprio salmo e o Evangelho. A diferença não se ficou apenas em adicionar mais uma leitura às previstas no missal, mas também e sobretudo, na dinâmica imprimida nesta parte. Antes de cada leitura, o presidente fazia uma introdução e, depois da leitura, feita por um dos progenitores presentes, dispensava uma breve explicação que cativou o interesse e a atenção dos participantes. Uma das particularidades foi a importância dada a aspetos mais cenográficos. Disso foi exemplo as leituras serem feitas a partir de rolos que simulavam as sagradas escrituras no tempo de Jesus Cristo. Intercalando as leituras, uma criança cantava o refrão de um salmo.

Outro momento alto da celebração, como não podia deixar de ser, foi a oração do Pai Nosso, realizada em diversas línguas: em francês e inglês, por duas mães, em língua gestual pelas crianças da catequese e, finalmente, em português, por toda a assembleia.

O tempo que não cansa

O momento da comunhão teve ainda uma particularidade que já é habitual na paróquia dos Pousos, onde existe o costume das crianças que ainda não fizeram a Primeira Comunhão, integrarem a fila para comungarem. Para estas, que se apresentam com os braços cruzados no peito para serem facilmente identificadas, o padre, no lugar de dar a hóstia consagrada, faz-lhes um sinal da cruz na testa.

Já na reta final, e durante o momento de ação de graças as crianças do segundo ano foram apresentadas à comunidade e fizeram uma pequena oração diante do altar. 

Desde o início até ao fim da celebração, passou mais de hora e meia. O tempo, que noutras circunstâncias pareceria uma eternidade, pareceu que, desta vez não tinha causado nenhum tipo de exasperação. Antes pelo contrário, era visível no rosto dos participantes, sobretudo das crianças, a alegria de quem sente a pertença a uma comunidade que dá atenção aos diversos grupos com que celebra e adequa a linguagem e os ritmos aos que participam. Um exemplo a seguir noutras celebrações e noutras paróquias.

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