Natal, tempo de questões e de respostas

Num mundo corrupto, estragado, com tanta miséria! Onde até uma Criança aponta políticos do ocidente e do oriente, do norte e do sul, de ontem e de hoje que andam nus?

A cultura atual tende a considerar que não vale a pena dar respostas quando ninguém pergunta. Contudo, questões e respostas fazem parte do homem dialogante. Questões e respostas próprias e dos outros, de ontem e de hoje, buscam o sentido da história. O tempo de Natal é, por excelência, tempo de questões e respostas. Os sofrimentos, desilusões, pobrezas e injustiças perguntam e esperam respostas. Os elos fracos tendem a pedir soluções a seres importantes: Deus, deuses, semideuses e ídolos divinizados ou algum conquistador, imperador e ditador poderoso. Pessoas e povos repetem: és tu que resolves isto? Para grandes males, grande poder, força, riqueza, sabedoria. Na passerelle da história, a dar respostas, passam faraós, budas, gregos eruditos, letrados, filósofos, mitólogos. Passam romanos e suas legiões, juristas e engenheiros. E a fazer perguntas, passam fracos, inseguros e ilustres sumidades. O Natal põe S. José a cismar: mas quem será o pai do filho de Maria minha prometida? E Maria temia: como, se eu não conheço homem? E vieram respostas: não temas, José; não temas, Maria. O Espírito Santo virá sobre ti… Ele será Filho do Altíssimo. E Isabel sentia-se indigna e perguntava: como é possível que a Mãe do meu Senhor me visite (Lc.1,34-43)? Na história repete-se: você resolve os males dos pobres, miseráveis, doentes, oprimidos e escravizados ou temos que esperar outro? Profetas perguntam, e dizem quem será o messias, sua família, onde nasce, para quê e para quem. Demora. Por fim, sábios de longe questionam: «onde está o nascido rei dos judeus» (Mt 1,2)? E um rei dos judeus (Herodes) não sabe. Poucos eruditos sabiam que era em Belém. Os anjos sabem: ide a Belém e encontrareis o Salvador. Herodes não sabia qual e matou todos os meninos (Mt 2,16), como muitos, hoje matam. Discípulos de João Baptista, agora preso, levam a questão crucial a Jesus: és tu o Salvador ou esperamos outro? E Jesus desafiava: quem dizem por aí que eu sou? E vocês? Ide dizer a João Baptista: os leprosos são curados, os pobres ouvem notícias de esperança, os pecadores são perdoados (Mt11,2-5). As questões insistem por respostas. Jesus desafia: e para vocês, quem sou eu? E os bárbaros e os povos de longe também procuram respostas. Os monges e os construtores de catedrais e de universidades, os misericordiosos samaritanos, tentam responder com as respostas das ciências e do Natal. As artes, letras e mitos gregos, a eficiência romana repetem as suas respostas de modernidade autossuficiente até hoje: eu, indiferente, agnóstico, ateu… cá me vou salvando. Esperar por outras invenções de pensadores luminosos da razão e do cientismo? Os cientistas e técnicos emendam: somos nós, os dos milagres do progresso tecnológico, do poder e da riqueza; damos tudo, felicidade, abundância, até a imortalidade. Consumam tudo o que damos e acreditem no nosso progresso; salva a todos. Vocês, então, são a solução dos cegos, coxos, leprosos, surdos, pobres e morrentes? Dão tudo, água, alimento, abrigo, liberdade e dignidade a pessoas sós; aos descartados, vendidos e mortos antes de nascer? Mas como? Num mundo corrupto, estragado, com tanta miséria! Onde até uma Criança aponta políticos do ocidente e do oriente, do norte e do sul, de ontem e de hoje que andam nus? A questão mantém-se: esperar outros salvadores ou aceitar e seguir o do Natal, que está no meio da humanidade, há dois mil anos? Ele pergunta: o batismo e o Anunciado por João Batista, que tira o pecado do mundo, são do Céu? Valem as respostas dos nus de roupas douradas e dos “canas rachadas”, cheio de si mesmos, ou as questões e respostas do Menino do Natal? Ele responde: «com que autoridade faz tudo isto e quem lhe deu tal direito» (Mt 21,23-27) de limpar e mobilar a casa comum de todos os sofredores e templo de louvor, e glória ao Pai? Aí fica a resposta do Papa Francisco: «o sinal admirável do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo», como resposta de paz, ternura, pão, sentido de vida e salvação.

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