Na hora da partida do Papa Bento XVI (Mensagem de condolências de D. José Ornelas)

Estamos de luto pela morte deste nosso irmão e pastor, mas, ao mesmo tempo damos graças a Deus pelo dom que ele foi para todos nós e para toda a Igreja, durante o seu serviço como teólogo eminente e iluminador.

Recebemos, na manhã deste último dia do ano de 2022, a notícia da partida para os braços de Deus do Papa emérito, Bento XVI, que termina a sua peregrinação nesta terra, onde deixa pegadas de discípulo e apóstolo e sementes de Evangelho e de fé que moveram a Igreja e continuarão a desafiá-la.

Estamos de luto pela morte deste nosso irmão e pastor, mas, ao mesmo tempo damos graças a Deus pelo dom que ele foi para todos nós e para toda a Igreja, durante o seu serviço como teólogo eminente e iluminador; pela sua busca de caminhos e linguagens para falar da fé em forma credível aos homens e mulheres dos nossos dias; pelo diálogo entre a fé e a cultura que promoveu; pela sua participação ativa no Concílio Vaticano II e na sua correta implementação na Igreja; pelo diálogo ecuménico com as igrejas cristãs, na busca de caminhos de entendimento e comunhão.

Conheci-o, antes de mais, pelos seus escritos, que marcaram a minha juventude na Igreja e pude conhecê-lo pessoalmente, mais tarde enquanto sucessor de Pedro. Da primeira fase, recordo sobretudo o professor admirável e o mestre credível da fé; da segunda, retenho a atitude cordial e amável com que acolhia e dialogava com aqueles que se lhe dirigiam. Para mim foi tão claro e sólido mestre da fé, que cresceu e se revelou como pastor sensível e cuidadoso no serviço de sucessor de Pedro, à frente de toda a Igreja.

Essa coerência do serviço revelou-se precisamente na decisão que tomou de renunciar à sua função de sucessor do primeiro dos apóstolos de Jesus, quando sentiu que já lhe faltavam as forças. E fê-lo para que a Igreja pudesse ser bem servida por outra pessoa com maior energia. Nesta sua decisão fielmente ponderada, o papa Bento XVI mostra a todos os que exercem funções de responsabilidade, na Igreja e na sociedade, que o mais importante é mesmo servir, fiel e generosamente, à imagem do Bom Pastor, sem a pretensão de protagonismos pessoais e sem privatização de cargos, mas com a liberdade, esforço e alegria, sabendo retirar-se quando chega o momento, para que outros continuem o mesmo serviço, na vinha do Senhor.

Na nossa Diocese de Leiria-Fátima, quero ainda manifestar a minha gratidão a Deus pelo carinho especial que Bento XVI dedicou ao Santuário de Fátima e a especial atenção que deu à mensagem que Maria aqui deixou, quer antes da sua eleição como Papa, quer durante o seu pontificado. Os comentários teológicos que desenvolveu ainda como Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé à terceira parte do chamado Segredo de Fátima, bem como as suas visitas ao santuário, foram decisivas para a interpretação equilibrada da mensagem de Fátima e para a sua difusão credível, na Igreja e no mundo. Ele estava bem convencido de que há um caminho de fé na mensagem de Fátima [na escola de Maria], com consequências para a vida individual e social para os discípulos e discípulas de Jesus. E afirmava: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”.

No momento da sua partida, sentimos o dever da gratidão por tudo o que nos deu, pelo que nos ensinou, pelo testemunho de amor à Igreja que nos deixa e, particularmente pelo seu carinho por este lugar e por esta Mensagem.

Que o Senhor, o Bom Pastor que o Papa Bento XVI imitou e procurou mostrar nesta terra, o acolha misericordioso junto de Si e que faça germinar e crescer as muitas sementes de Evangelho que semeou na sua peregrinação terrena, na Igreja e no Mundo.

† José Ornelas Carvalho
Bispo de Leiria-Fátima

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