Mesa Redonda “Olhares sobre a Igreja”: um farol que une e não separa 

Numa noite de diálogo e de reflexão conjunta, os quatro convidados refletiram sobre a relação Mundo - Igreja na sociedade atual. Partilharam os seus pontos de vista e também as esperanças sobre o papel e a missão da Igreja. Após uma reflexão inicial de cada um dos oradores, seguiu-se o debate.

Na noite de 24 de fevereiro, a Escola Superior de Educação e Ciência Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, acolheu a mesa redonda “Olhares sobre a Igreja”, uma iniciativa da diocese de Leiria-Fátima, organizada pela Equipa Diocesana para o Sínodo dos Bispos 2021-2023. Sob a moderação do jornalista Anselmo Crespo, participaram na sessão João Bonifácio Serra, presidente do Conselho Estratégico da Rede Cultura 2027 Leiria; Fátima Lopes, comunicadora; António Poças, CEO da empresa inCentea e presidente da direção da Nerlei; e Rui Marques, presidente da direção do Instituto Padre António Vieira e diretor da Academia de Líderes Ubuntu.  

Com o Sínodo a decorrer neste momento na sua fase primeira, a nível local, pretendeu-se com esta ação, em resposta aos apelos do Papa Francisco e da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos, alargar o âmbito do processo sinodal à participação e contributo de personalidades não tão diretamente ligadas às estruturas da Igreja, para que o auscultação e reflexão não se limite a uma reflexão auto-referencial.

Numa noite de diálogo e de reflexão conjunta, os quatro convidados refletiram sobre a relação Mundo – Igreja na sociedade atual. Partilharam os seus pontos de vista e também as esperanças sobre o papel e a missão da Igreja. Após uma reflexão inicial de cada um dos oradores, seguiu-se o debate.

O presidente do Conselho Estratégico da Rede Cultura 2027 Leiria começou por referir que a ligação da diocese de Leiria ao projeto Leiria Capital Europeia da Cultura: “É um projeto de que a diocese de Leiria-Fátima faz parte. Recordo bem a audiência em que D. António Marto me recebeu a mim e ao presidente da Câmara de então, já lá vão uns anos. (…) Acordou-se na participação da diocese na construção deste edifício complexo que nos levou mais longe do que aquilo que poderíamos imaginar”.  Sob a forma de metáforas, com a citação de várias personalidades e textos, também o Papa Francisco, José Bonifácio Serra pediu à Igreja do nosso século, uma igreja atenta aos clamores e às dores da humanidade. À semelhança do programa que propõe Leiria para Capital da Cultura 20-27, José Bonifácio Serra disse que também a Igreja deve propor “um ritual de construção do bem comum”.

Fátima Lopes partilhou o seu testemunho de fé e também as dificuldades de viver a fé no mundo mediático. “Acho muito importante e digo isto como católica que exista abertura para que aqueles que estrão de fora, aqueles que não diariamente imbuídos de uma série de responsabilidades dentro da Igreja, se possam manifestar, possam pensar a Igreja, ser honestos, participativos, criativos, que participem não só com uma boa capacidade reflexiva, mas também com o coração, porque quando a Igreja faz mudanças para melhor é porque nós também estamos a fazer essa mudança e também vamos beneficiar dela”, foram as suas primeiras palavras, em que lembrou também a importância de se “voltar a dar importância à escuta, uma escuta ativa, verdadeira e rica”, no enquadramento daquilo que é pedido nesta fase do processo sinodal de consulta ao Povo de Deus, momento a que chamou “momento de aproximação entre as pessoas”. Do seu ponto de vista pessoal, os sacerdotes, as hierarquias da Igreja deveriam ser e estar mais próximas das pessoas.

António Poças deu também testemunho da sua ligação à Igreja, falando das suas experiências como crente, em criança, jovem e na atualidade. “De alguma maneira foram estas e outras as experiências que contribuíram para a minha evolução como pessoa, mas também foram estas experiências mais marcantes que me mostraram que Deus conta na nossa vida e na vida em geral e que O descobrimos normalmente nestas novas e diferentes abordagem, mas sempre com pessoas que sejam exemplo”, disse. “Foi no escutismo que Deus fez também mais sentido. (…) Talvez porque o escutismo é uma verdadeira comunidade e um espaço de liberdade onde a diferença é aceite como parte do caminho, o que me parece que às vezes a Igreja não é”, partilhou. Para o administrador da inCentea e presidente da direção da Nerlei, na sua maneira de ver “a Igreja sai pouco das suas portas para evangelizar os outros e limita-se a fazer catequese com os seus, às vezes parece que o objetivo é só a manutenção da máquina da tradição”. Além disso, o empresário referiu a necessidade de “a Igreja tem de ter a flexibilidade de procurar caminhos diferentes, de permitir no seu seio a experimentação de outros caminhos sem com isso comprometer a sua integridade”. “É assim que vejo a Igreja, um farol que une e não separa, uma luz que mostra um caminho, aceitando outros caminhos, colaborando com os outros que vão noutros caminhos”, disse António Poças, pedindo também à Igreja uma atualização na forma de passar a mensagem. “Se quer evangelizar, tem de procurar novas linguagens, novos lugares e principalmente tem de dar o exemplo”. 

Rui Marques referiu a complexidade do mundo atual e aquilo que seriam as suas aspirações para a Igreja. “Este é um tempo complexo, um tempo cheio de incerteza, de ciclos curtos, em mudança permanente, e essa incerteza leva-nos a uma enorme insegurança e a insegurança só tem um sentido o medo e o medo que vai ocupando a cidade de uma forma implícita ou evidente vai condicionando a nossa vida, por exemplo o radicalismo, o populismo, as faturas, em grande parte radicadas no medo”. Neste sentido O presidente da direção do Instituto Padre António Vieira e diretor da Academia de Líderes Ubuntu apelou a uma “ética do cuidado”. “Creio que o Mundo esperaria da Igreja ser um rosto da ética do cuidado, e sabemos que o é muitas vezes e em muitas dimensões, mas afirmação do cuidar de si próprio, do cuidar do outro, do cuidar da comunidade e do planeta (…) é algo que o Mundo esperaria”. Deixou ainda outras pistas para reflexão. “Seria bom que a Igreja e nós somos Igreja soubesse responder à pergunta se deveríamos ser pontífices ou guerreiros, acho que somos muitas vezes guerreiros. (…) Mas o Mundo está à espera de pontífices, não só do Papa Francisco, mas de cada um enquanto construtor de pontes. (…) Pode a Igreja ser esse exemplo, ter essa capacidade de construir pontes improváveis entre margens distantes, ou não?”. Interrogou também “se a voz Igreja deve ser só uma voz de denúncia, ou mãos para o conserto do Mundo”. “Com certeza que será necessária em algumas circunstâncias, a coragem da denúncia, mas o mundo precisa muito de mãos para consertar o mundo, e concertar é muito mais difícil, não há soluções fáceis”. Para este interlocutor a Igreja pode também ser resposta para a “busca de sentido e propósito que marca hoje o nosso quotidiano”.

Organização agradece

A Organização da mesa redonda, a Equipa Diocesana para o Sínodo dos Bispos 2021-2023, faz um balanço positivo desta ação, quer em termos de participação quer em termos de colaboração conseguida para a auscultação e reflexão sinodal, e está muito grata a todas as entidades e pessoas mais diretamente envolvidas na organização. 

Participaram presencialmente na mesa redonda cerca de 200 pessoas. Um número semelhante participou online já que a ação teve transmissão em direto pelos perfis do facebook da Canção Nova Portugal e da Diocese de Leiria-Fátima. A mesa redonda foi também transmitida em direto nos canais cabo da TV Canção Nova. De modo especial a Organização agradece à ESECS, pelo acolhimento e pela colaboração na divulgação da mesa redonda, à Canção Nova pelo serviço prestado com a transmissões em direto. 

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