Menos sofrer, adoecer e menos viver só. Como?

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O dia mundial do doente que se aproxima levou-me a pedir uma resposta à inteligência artificial (IA): serão conhecidas entre sete e oito mil doenças. E ocorre-me se há modos opcionais de adoecer menos? E quais serão? Pois, isto tem a ver com todos nós, sãos e doentes, e não apenas de fazer coisas pelos que já estão ou são doentes.

Cada leitor poderá imaginar quantas pessoas já o auxiliaram a não adoecer tanto ou a sair de doenças e fraquezas; do abandono e da solidão: numa palavra, a adoecer e sofrer menos. E melhor ainda, a viver mais contente, sentir-se mais alegre, confiante, com mais esperança para o dia de amanhã. Também pode recordar a quem já pediu e solicitou ajuda; de quem se aproximou para obter alimento, vestuário, jogos, conhecimentos e tantas coisas boas que fazem sentir-se melhor, dar mais sentido e sabor à vida, melhor ser ao que já se é e durante mais tempo. E fica-se a pensar que boas companhias e amigos é melhor. A celebração de dias de doentes serve para isso. E pensar também o que cada um poderá fazer para ter ajuda de mais pessoas benévolas.

Não parece haver dúvida que não é bom viver só, como é o tema deste dia do doente. Ninguém vive nem pode viver só. Cada um vive porque outros viveram, vivem e fazem o bem. Se alguém se fechar no absurdo de Jean Paul Sartre que o “inferno são os outros”, (que nem ele aceitou), já reduziu a nada as relações pessoais e só lhe resta esse inferno do só ou do nada. Impressiona ler um texto em que o seu autor começa por professar que é ateu, como se fosse título de glória dispensar o outro. Será que é para se desvincular e ficar só? Se se conhecem mais de sete mil doenças, como adoecer menos? Será que a pessoa só, adoece menos? Desamparado e só! O Papa lembra, e bem, neste Dia Mundial do Doente, não convém que o homem esteja só. Afinal, quanto mais alguém se sacrifica privando-se de alguma coisa boa ou adiando o seu uso, para não deixar os outros sós, melhor constrói relações de bem comum e melhor sentido dá à sua vida. Lembremo-nos ainda que Deus também é um Outro especial. É mesmo o primeiro. E é o advogado de todos os outros que vierem a ser abandonados, mesmo na morte. Representa a todos, é o defensor de todos e garantia de mais Ser para todos. As narrativas do início da Bíblia deixam claro que o trabalho do homem é uma mistura de sacrifício e adiamento de algum prazer para mais tarde, que os psicólogos, como Jordan Peterson (cf. 12 Regras para a Vida, Regra 7) consideram trabalho-salário (alimentos, sal, dinheiro, roupas, todos os consumos), e recompensas adiadas agradáveis. E dizem que este adiamento levou milénios a conseguir e que atualmente há uma certa regressão no processo. O Prazer também pode ser prazer nocivo, sofrimento e morte, para o próprio e os outros. O exemplo mais à vista é o uso de drogas e outros consumos de prazer destruidores. No tempo e no espaço em que se vive, tudo o que alguém faz e lhe fazem interfere com o bem e o mal próprio e dos outros. Estamos mais alertados para os frágeis e doentes votados à solidão. Mas há algo pior que deixar alguém só. A companhia de bem e a presença de pessoas de bem criam um pequeno paraíso que faz desejar o céu adiado, que Jesus manda procurar em primeiro lugar para receber mais tarde em pleno. Mas a presença de alguém de mal junto dos outros, será ainda pior do que estar só. Pode ser já um pequeno inferno imediato de tortura, de escravos vendidos e explorados, de ameaça de armas de guerra e ratoeiras de drogas. De pessoas feitas artigos de comércio. Vivem já no inferno de fábricas humanas a lembrar o eterno. Nem só os discursos de ódio serão más companhias. Os ódios silenciosos de abusadores e de corruptos corruptores, são pior dor e mais mortíferos que a falta de companhia.

Se “Deus morreu”, como gritou Nietszche, os fracos amarrados e torturados pelos fabricantes de infernos, também eles já amarrados e torturados, ficariam sem advogado, com Abel às mãos de Caim. Mas, felizmente que o Pai misericordioso está vivo, ama e defende os mais atribulados e sai em sua defesa e até defesa misericordiosa do Caim assassino e mesmo de ateus.

Quando Deus diz, em sonho, a Salomão: “Pede o que desejas e eu to darei” (I R, 3 4-13); e ele pede: um coração compreensivo, capaz de governar o povo e de discernir entre o bem e o mal, está a pedir para ser e ter boas companhias. Pede para ser um bem para povo e Deus louvou-o e deu-lhe «sabedoria para praticar a justiça» e ter um povo melhor ao seu lado.

Neste ano de preparação para o ano do Jubileu de 2025 somos convidado a ser peregrinos de esperança, para doentes e para nós, pela oração, semelhante à de Salomão, seja a Missa, o Pai-Nosso, ou outra dirigida a Deus, a Jesus e aos Santos na fé, amor e esperança de graça e mais ser adiados e gratuitos da sua companhia, na vida eterna além da morte, nossa e dos doentes.

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