Maceira prepara celebração dos 500 anos da paróquia com “Santa Missão”

Nos anos de 1934, 1962 e 2000 houve Santas Missões na paróquia da Maceira. Neste ano pastoral de 2015-2016, o Conselho Pastoral Paroquial resolveu retomar a iniciativa, relembrando uma das ações pastorais que deu frutos no passado e procurando com ela contribuir para a preparação da comemoração dos 500 anos da paróquia de Maceira, a celebrar em 2017.

Com recolha de testemunhos e uma entrevista ao pároco, fomos recuperar algum desse passado e perceber o significou esta Santa Missão.

LMF, com Pastoral da Comunicação da Maceira


Comunidade “ao encontro do Senhor”

“Muitos dos católicos praticantes e ativos atualmente na paróquia da Maceira são fruto também das Santas Missões desenvolvidas no passado pelos Padres Redentoristas e ainda hoje muitos recordam a alegria e toda a dinâmica envolvente”, afirma o pároco, padre Marcelo de Moraes.

2016-06-07 destaque4A primeira de que há memória realizou-se em 1934, quando era pároco da Maceira o padre José Alexandre Coelho Casimiro. A paroquiana Marta, residente na Costa de Baixo, hoje com 92 anos, tinha 10 anos na altura. Recorda-se “muito vagamente” de que “as pessoas iam à Missa de madrugada para regressarem aos trabalhos da casa e do campo; e pela noite voltavam de novo para as pregações e orações. Iam em grupos a cantar e a rezar pelo caminho”.

Um cartaz da época encontrado recentemente, alusivo ao Sagrado Coração de Jesus, revela ainda o regulamento da Santa Missão, pregada de 2 a 18 de dezembro. Poderá vir daí, ou talvez já o fosse antes, o facto de o dia 18 de dezembro ser dedicado pela paróquia à sua Padroeira, Nossa Senhora da Luz.

Em 1962, sendo pároco o padre José Gaspar da Silva, a Santa Missão volta a aparecer como proposta pastoral. “Há testemunhos fortes de encontro pessoal com Jesus e até mesmo vocacionais”, refere a irmã Margarida, fundadora da Associação Nascentes de Luz e que trabalha em apoio às famílias (ver testemunho abaixo).

Nova edição é realizada no ano 2000, quando o padre Isidro da Piedade Alberto era pároco da comunidade. Há jovens ativos na paróquia que se recordam e hoje praticam a sua fé tendo em conta as experiências desta Santa Missão, como é o caso de Agostinho Saraiva (ver testemunho abaixo).

Edição de 2016

A proposta de voltar a realizar uma Santa Missão em 2016, foi assim recebida com algum entusiasmo e expectativa, já em contexto de preparação para a grande festa que, no próximo ano, assinalará os 500 anos da paróquia da Maceira.

No jornal PRESENTE e neste portal, fomos dando conta das iniciativas realizadas ao longo dos meses. Nos passados dias 3 e 4 de junho, ocorreu o encerramento da iniciativa. Sexta-feira foi dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o padre Miguel Sottomayor foi o convidado para vir lançar o desafio “a descobrir e a fazer a experiência do encontro pessoal com o Coração de Jesus que é Misericórdia”.

Depois da conferência, a habitual adoração da primeira sexta-feira do mês foi feita em caminhada com o Santíssimo Sacramento pelas ruas da freguesia. “Parámos diante dos Bombeiros, do Centro de Saúde e da Junta de Freguesia e, diante do Santíssimo, em cada uma destas paragens respectivamente, rezámos por quem trabalha e se dedica a ajudar e a socorrer, a tratar e a cuidar, a governar e a servir”, conta o padre Marcelo Moraes, concluindo que “foi uma profunda manifestação de fé”.

A coroar esta Santa Missão, a Missa campal de sábado, com muito povo e as crianças da catequese de toda a paróquia, que testemunharam também a sua caminhada de fé com cartazes alusivos à vivência do ano catequético. E a festa continuou no convívio com sopas e uma agradável sobremesa de música e canto, oferecida pelo padres Marcelo e Tiago.

Mas quem melhor poderá contar é quem participou, como foi o caso da jovem Vânia Santos, membro do grupo de jovens “mais Além” e que fez a sua primeira experiência de Santa Missão (ver testemunho abaixo).

 

Entrevista ao pároco

“A frase que ficou no coração de todos foi:
«Vimos o Senhor!»”

2016-06-07 destaque 1413A propósito desta Santa Missão, fizemos algumas perguntas ao pároco da Maceira. Apesar de considerar que a participação poderia ter sido mais numerosa, o padre Marcelo de Moraes confessa-se muito agradado com o modo como a comunidade viveu esta proposta pastoral. O encerramento foi o mais emotivo, mas “foram vários os momentos especiais”. A avaliação é “positiva” e cumpriu-se o “único objectivo” que era proporcionar aos participantes o encontro com Jesus.

Como surgiu a ideia de realizar esta Santa Missão?

No contexto da comemoração dos 500 anos da paróquia da Maceira, propus ao Conselho Pastoral Paroquial que, em preparação para 2017, tivéssemos em conta alguns acontecimentos pastorais marcantes do passado da paróquia para os reviver, de forma a celebrar com alegria tal efeméride. No ano passado tivemos a Festa da Amizade e este ano a Santa Missão.

Vivendo hoje uma realidade social e eclesial bastante diferente da dos tempos em surgiram as Santas Missões, como se fez a actualização da proposta?

Procurámos fazê-la de forma dinâmica, alegre, bem cantada, vivida e festiva. As pastorais existentes na paróquia, como a Pastoral Familiar e a Pastoral Juvenil, estiveram bastante envolvidas. Na verdade, há realidades intocáveis, da quais não nos podemos desprender. A pregação da Palavra, a Adoração e o sacramento da Confissão, que sempre foram momentos fortes de todas as Santas Missões, também foram os pontos altos desta.

Quando o Papa Francisco anunciou o Ano Santo da Misericórdia, já tínhamos pensado no plano pastoral deste ano, que incluía a Santa Missão. Deste modo, vimos que o sentir do Papa confirmava o que pretendíamos fazer. Aproveitando o Ano Santo, incluímos no programa da Santa Missão, não só os temas inspirados pelas palavras do Papa, mas também a dinâmica das “24 horas para o Senhor”.

Esta dinâmica tocou principalmente os jovens e adolescentes da catequese. Mas são muitos os adultos que testemunham que a Adoração nocturna foi especial. Noutros momentos, reunimo-nos com os pais e fizemos um momento de oração pelos filhos e consagração das famílias. Foram vários os momentos especiais. Tivemos ainda a graça da visita da Imagem da Virgem Peregrina à nossa vigararia e paróquia, que veio coroar o ano pastoral.

Acha que se cumpriram os objectivos propostos?

Penso que sim, e não o digo por mim só. Na avaliação que fizemos, notou-se que os que participaram gostaram da experiência. Os que já tinham participado gostaram muito, acharam diferente, mas estavam conscientes de que, hoje em dia, para cativar, tem mesmo que ser assim. Os que nunca tinham participado também deram resposta positiva. A participação de muita gente no encerramento veio confirmar que a Santa Missão deixou o seu contributo espiritual para o crescimento de todos.

Como avalia a participação e vivência da comunidade?

Avalio como positiva. Claro que poderia ter vindo mais gente. Contudo, compreendo. A igreja esteve sempre cheia em todos os acontecimentos da Santa Missão, mas tendo em conta a população, mesmo em relação ao número de católicos praticantes, poderia ter vindo mais gente. Mas confio que os que vieram serão fermento na massa. Pelo que notámos dos que vieram, estes saíram de cada encontro como os que viram o Ressuscitado. E este era o único objectivo.

Que momento destacaria como o que o marcou mais como pároco?

O encerramento, sem dúvida. A pregação sobre o Sagrado Coração de Jesus e, depois, a Adoração e a procissão com o Santíssimo foram marcantes. Notou-se em mim e em muitos dos que estávamos lá alguma emoção, para não dizer muita.

Foi linda a presença dos bombeiros, que esperavam o Santíssimo à sua porta. Ali rezámos por eles e por todos os que socorrem o povo de Deus. Em frente ao Centro Médico, rezámos pelos doentes e pelos que cuidam deles. Em frente à Junta da Freguesia, rezámos pelos nossos governantes, por leis mais justas e segundo a vontade de Deus. A frase que ficou sempre no coração de todos e no meu também foi: “Vimos o Senhor!”.

Pode adiantar-nos outras acções que estejam previstas para preparar e celebrar os 500 anos da paróquia?

Uma iniciativa que está a ser ponderada pelo Conselho Pastoral é a visita da imagem da Padroeira, Nossa Senhora da Luz, a todos os 10 centros de culto, aproveitando também o ano dedicado a Maria e à Mensagem de Fátima. A imagem ficaria um tempo em cada lugar, onde haveria celebrações e momentos de oração. No final, quando a imagem retornasse, far-se-ia uma grande celebração final a nível paroquial.

Complete a frase: “Para a paróquia da Maceira, a Santa Missão de 2016 foi…”

…uma bênção, uma graça, uma ocasião oportuna de encontro com a Misericórdia do Senhor.

 

Testemunho da Santa Missão de 1962

2016-06-07 destaque1A Santa Missão foi orientada por três sacerdotes missionários Redentoristas. Era um acontecimento que envolvia toda a paróquia e, de modo muito especial, os mais jovens, ávidos de descobrir novos horizontes de vida.

Eu tinha 17 anos. Fazia parte do grupo de jovens então existente da Juventude Agrária Católica (JAC). Tudo em mim eram interrogações, desejo de descobrir e saber o que era isso de vocação. Recordo que se faziam reuniões específicas por grupos – jovens, casais, etc. Recordo-me perfeitamente de estar numa dessas reuniões, na igreja, e o padre Guedes – orador eloquente – a falar-nos do sentido da vida e da vocação. Eu só queria uma coisa: saber qual era a minha. E bebia cada palavra para ver se descobria. Tínhamos muitos momentos de oração e eu ficava às voltas cá por dentro com todo aquele elenco.

Seis anos mais tarde, fez-se luz e o que Deus queria de mim tornou-se claro: ser religiosa. E lá fui para as Irmãs de S. José de Cluny. Contudo, 54 anos depois estou de volta à Maceira, inserida na paróquia, e à frente da Nascentes de Luz – Associação de Apoio à Família. Jamais isso me passaria pela cabeça! Só Deus pode ter surpresas destas! Agora, aos 70 anos, vejo-me de novo a participar na Santa Missão.

Irmã Margarida

Testemunho da Santa Missão de 2000

2016-06-07 destaque2A Santa Missão no ano decorreu no mês de janeiro, durante 15 dias, com quatro padres redentoristas. Foi cheia de pregações, celebrações e um renovado amor a Cristo e à sua Igreja. A paróquia aderiu em massa! Todos fomos chamados a ser Igreja Viva, a beber da fonte do Redentor, Jesus Cristo. Esta Missão ajudou-me a ter mais zelo pelas coisas de Nosso Senhor e a dar-me sempre mais a Ele e aos outros. Com a minha esposa e com o nosso filho de 10 meses, participámos em família com muita alegria e entusiasmo.

Agostinho Saraiva

 

Testemunho da Santa Missão de 2016

2016-06-07 destaque3A Santa Missão vivida ao longo deste ano pastoral tem sido para mim um encontro pessoal com Deus, que me tem ajudado a crescer na fé e tornando a minha vida muito mais feliz. No final de cada iniciativa, era notória a alegria de todos os que tinham participado, porque “vimos o Senhor”, frase que nos foi acompanhando repetidamente.

Em todos os momentos de Adoração, senti Jesus dentro de mim, dando-me força para todos os meus receios e tornando tudo mais simples, ajudando-me a superar as dificuldades da vida. Deus está sempre connosco e nunca nos abandona. As “24 horas para o Senhor” foi um momento especial, em que estivemos com o Senhor, adorando-O e fazendo-Lhe companhia.

Nas diversas pregações, tive a oportunidade de meditar em temas relacionados com o Ano Jubilar da Misericórdia. “Misericordiosos como o Pai” foi o primeiro, refletido com a ajuda do padre Jorge Guarda, em que consegui perceber que a misericórdia é um remédio para curar feridas, remédio que nasce no coração de Deus. Deus chora connosco pelas nossas misérias e feridas físicas, sociais, morais e espirituais. O segundo tema foi “Penitência – Sacramento da Misericórdia”, no qual refletimos com o padre Pedro Viva que Deus nunca se cansa de perdoar; nós é que nos cansamos de pedir perdão. A consciência do pecado é o princípio e o desejo que temos de voltar a Deus. No penúltimo, sobre o tema “Páscoa, encontro com a misericórdia”, o nosso pároco ajudou-me a ver que vivendo a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, o sentimento da alegria acontece na nossa vida. No dia de encerramento, com o padre Miguel Sottomayor, o tema do “Sagrado Coração de Jesus como revelação da Misericórdia” mostrou-me como o coração é o símbolo do valor máximo e significa o homem naquilo que ele é; e é ali que tudo verdadeiramente acontece. O Sagrado Coração de Jesus é a fonte de Misericórdia. Ele ama-nos incondicionalmente.

Nesta última noite, participei na procissão com o Santíssimo Sacramento, em que percorremos algumas ruas da Maceira e rezámos em especial pelos bombeiros e por todos os que são socorridos por eles, pelos doentes e profissionais de saúde e pelos governantes. Foi um momento muito especial e emocionante, em que a presença de Deus se manifestou no meu coração e em todos os que participaram. Agradeço a Deus por todos estes momentos. Eu acredito em Deus e sou feliz!

Vânia Santos

Que é a Santa Missão

As Santas Missões ou Missões Populares nasceram como reação da Igreja Católica à Reforma protestante. Consistem numa série de pregações, palestras e celebrações dirigidas ao povo cristão, com o objetivo de avivar-lhe a fé e a vida cristã e impulsionar a vida comunitária nas comunidades paroquiais e eclesiais. Trata-se de uma pregação extraordinária e mais intensiva, complementar à pastoral ordinária. A cristianização e evangelização da Europa, a partir da Contra-Reforma, deve muito a este movimento pastoral da igreja, que se mantém até aos dias de hoje, embora sem a intensidade que conheceu até ao século XX.

 

Cântico da Santa Missão

Chama-nos Jesus,
Vamos à Missão
Ouvir as palavras (2x)
Que nos salvarão. (2x)

1 – Vinde pais e vinde filhos
Vinde todos à Missão
Para renovar as vidas
E alcançar a Salvação

2 – Para destruir o mal
morreu Cristo numa cruz
Vinde filhos, pais e mães
Que vos chama o bom Jesus

3 – Nós devemos nossas vidas
Para o céu encaminhar
Vinde aprender a verdade
Que temos de praticar

 

Algumas fotos do encerramento:

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