Luz da Paz de Belém chega a Leiria como “sinal de esperança na construção da paz”

A Luz da Paz de Belém é um símbolo de esperança e paz, trazida da Gruta da Natividade, em Belém, para todo o mundo.
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A Luz da Paz de Belém chegou à diocese de Leiria-Fátima na noite de segunda-feira, 11 de dezembro, numa celebração na Sé de Leiria. A cerimónia contou com a presença do bispo da Diocese, D. José Ornelas, de representantes de diversas entidades civis, bem como de centenas de fiéis que vieram das suas paróquias para, de novo, voltarem com as suas luminárias acesas.

D. José entrega a vela ao chefe do grupo escoteiros da Associação dos Escoteiros de Portugal (congénere do Corpo Nacional de Escutas, mas sem filiação religiosa), de Mira de Aire.

A chama da paz foi trazida por um grupo da diocese de Viana do Castelo, que a tinham recebido no nosso país no dia anterior. Na parte inicial da celebração, a luz foi distribuída aos presentes, que a levaram para as suas casas e comunidades. A partir de Leiria, a luz seguirá para as paróquias da diocese de Leiria-Fátima, onde será, por sua vez, distribuída pelos fiéis, em celebrações preparadas para o efeito.

Na homilia da celebração, o bispo diocesano refletiu sobre o tema deste ano, “Um sinal de Esperança na Construção da Paz”, que se alia à comemoração dos 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O prelado apelou aos fiéis para levarem a luz da paz a todos os cantos do mundo, para que se espalhe a mensagem de amor e fraternidade.

A Luz da Paz de Belém é um símbolo de esperança e paz, trazida da Gruta da Natividade, em Belém, para todo o mundo. Através desta iniciativa, as comunidades cristãs são chamadas a unir-se em oração pela paz e a trabalhar pela construção de um mundo mais fraterno.

A Luz da Paz de Belém é uma iniciativa conjunta da televisão pública austríaca com os Escuteiros e Guias da Áustria e é distribuída a toda a Europa a partir da cidade de Linz, naquele país. Todos os anos, desde 1989, uma criança desloca-se até à Gruta da Natividade, onde Jesus nasceu, em Belém, e recolhe a chama, acendendo uma vela na luz que aí permanece sempre a brilhar. Com a colaboração de escuteiros de várias nacionalidades, a Luz da Paz de Belém é distribuída por diferentes países da Europa. Foi entregue às delegações dos países participantes, para que a façam chegar aos seus respetivos países com uma mensagem de Paz, Amor e Esperança. Posteriormente os escuteiros distribuem a Luz pelas paróquias, lares, hospitais, casas de idosos, prisões e outras entidades das suas comunidades.

Palavras dos representantes da Cáritas e da Região Escutista de Leiria-Fátima

No final da celebração, como habitual, tomaram a palavra o presidente da Cáritas de Leiria, José Marques, e o chefe regional do CNE, Pedro Nogueira, cujos discursos transcrevemos.

Hoje, fomos todos convidados a estar aqui reunidos para acolher, receber e levar a Luz que veio de Belém.
Saúdo o senhor bispo e na sua pessoa cumprimento todos os sacerdotes presentes.
Saúdo o chefe regional e na sua pessoa cumprimento todas, e todos dirigentes, caminheiros, pioneiros, exploradores e lobitos.
Como está bela a Sé neste momento, com tantos jovens! Ainda estamos a saborear o que vivemos há poucos meses com a JMJ.
Como dizia no início, fomos convocados para este encontro para receber a Luz de Belém que depois é confiada a cada um de nós, e a vamos levar pelas avenidas da nossa cidade, pelas ruas das nossas vilas, e quintais das nossas aldeias.
Hoje, somos os arautos da boa notícia, “a Luz que é Jesus, está no meio de nós” !
Todos nós sabemos da importância da luz nas nossas vidas: o iluminar e o aquecer, como é cantado por todos os escuteiros habitualmente no início do fogo de conselho, e diz assim:
Ao redor da fogueira Alumia e aquece,
vimos ouvir os conselhos o fogo tem graça e cor.
que nos dão os nossos chefes Ritmo da vida que cresce
nossos irmãos mais velhos. Símbolo da paz e do Amor
Ó luz beleza, Clara certeza,
rumo no nosso mar.
Bendita seja, luz benfazeja
a tua chama no lar
Hoje vemos as avenidas da nossa cidade todas iluminadas dando um colorido artificial do natal que é comercial, onde o Deus Menino continua a não tem lugar para nascer porque a cidade está cheia.
Por isso todos nós temos a dever de levar esta luz que nos é dada, para que os homens e mulheres de boa vontade a aceitem, e possam iluminar e aquecer todos aqueles que vivem em tristeza na doença ou se sintam sós.
Caros jovens, o Papa Francisco, na mensagem que escreveu para o VII dia mundial dos pobres, diz, passo a citar:
“Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão na casa, sem excluir ninguém».
Quantas famílias, idosos, jovens, crianças não tem esta luz para se iluminar e alegrar?
Tu, e eu, somos portadores desta luz. Vamos dá-la a quem não a tem. A TODOS!
A Cáritas Diocesana todos os anos é convidada a participar nesta celebração, também para nós que fazemos parte desta instituição, é um alerta para fazer a caridade, e ser luz para todos, nomeadamente para os mais pobres e frágeis.
A Cáritas lançou a campanha “Dez Milhões de Estrelas – um Gesto pela Paz.”
Que esta pequena vela acesa por mim, ou por ti, na noite de Natal, seja um compromisso para que sejamos construtores da paz e da justiça. E o que eu der na compra da vela, seja um contributo para dar alegria a alguém, que não a tem.
Em nome da Cáritas Diocesana de Leiria desejo a todos vós, e a vossas famílias, um Santo Natal e um novo ano cheio de Luz e Alegria na presença do Deus Menino.

José Marques, presidente da Cáritas de Leiria

Exmo. Reverendíssimo Senhor Bispo D. José Ornelas, na sua pessoa cumprimento todos os clérigos e movimentos da Igreja aqui presentes, e a agradeço acolher-nos nesta celebração;
Cumprimento os antigos chefes regionais aqui presentes, bem como todos os lobitos, exploradores, pioneiros, caminheiros e dirigentes de Corpo Nacional de Escutas aqui presentes;
Cumprimento o chefe do grupo escoteiros da AEP de Mira de Aire;
Cumprimento o senhor presidente da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima;
Cumprimento igualmente os autarcas e as entidades aqui presentes;
De uma forma geral cumprimento os familiares, amigos e todos quanto quiseram juntar-se a nós nesta celebração.
A todos agradeço a vossa presença.
Desde 1989, que a tradição da partilha da Luz da Paz de Belém tem iluminado corações em todo o mundo, proporcionando um raio de esperança num mundo invadido por conflitos que assolam a humanidade.
Uma simples vela, acesa por uma criança cristã, tornou-se um símbolo poderoso que transcende fronteiras e diferenças culturais.
Todos os anos, essa Luz viaja desde Belém, cruzando continentes, até chegar à Áustria, onde é compartilhada por uma criança de cada país, incluindo Portugal. É um ato simbólico, mas carregado de significado: Unir nações num desejo comum de paz e harmonia.
Este ano esta Luz tem ainda um significado maior, uma vez que tem origem num território que vive um conflito armado.
Este ano, sob o tema “Um Sinal de Esperança na Construção da Paz”, a Luz assume um papel ainda mais crucial ao coincidir com os 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos representa um compromisso global com valores fundamentais, como dignidade, liberdade e justiça para todos. Em resposta a esse apelo, as Nações Unidas desafiam-nos a celebrar este aniversário sob o lema “Dignidade, Liberdade e Justiça para todos”, um convite à reflexão sobre a importância de respeitar e proteger os direitos humanos como uma forma aos desafios contemporâneos.
Num mundo marcado por conflitos e divisões, a Luz da Paz de Belém emerge como um farol de esperança, convidando-nos a refletir sobre as relações humanas cada vez mais desgastadas e a indiferença que permeia as nossas sociedades. Esta chama simboliza a esperança, a solidariedade e a busca pela paz no meio da escuridão que tem envolvido a nossa sociedade, os nossos países e as nossas relações.
Vivemos tempos onde as linhas que separam nações, culturas e indivíduos parecem mais acentuadas do que nunca. Conflitos armados, discordâncias políticas e ideológicas têm contribuído para um cenário global tenso, onde a compreensão mútua muitas vezes dá lugar à desconfiança e ao confronto. Nesse contexto, a Luz da Paz de Belém convida-nos a buscar a paz não apenas como a ausência de guerra, mas como um estado de equilíbrio e respeito entre as diversas facetas da humanidade.
É lamentável observar as relações humanas degradarem-se sob o peso da intolerância e da falta de empatia. A Luz da Paz de Belém lembra-nos da importância de cultivar a compreensão, aceitação e compaixão nas nossas interações diárias. Num mundo onde a comunicação muitas vezes é substituída pela polarização, é crucial recordar que, apesar das nossas diferenças, compartilhamos a mesma humanidade e habitamos um único planeta.
A indiferença que muitas vezes testemunhamos em relação ao sofrimento alheio é um desafio que a Luz da Paz de Belém nos incita a enfrentar de frente. Ao invés de virarmos as costas para as dificuldades dos outros, devemos buscar maneiras de estender a mão e construir pontes. Como diz o Papa Francisco “O único momento em que é lícito olhar uma pessoa de alto a baixo é quando queremos ajudá-la a levantar-se”. A Luz da Paz de Belém recorda-nos que a luz mais brilhante é aquela que ilumina não apenas o nosso caminho, mas também o daqueles que enfrentam a escuridão.
Neste período de reflexão e celebração, façamos um apelo à paz. Que a Luz da Paz de Belém inspire líderes, comunidades e cada indivíduo a procurar soluções pacíficas para os conflitos que assolam o nosso mundo e a nossa sociedade. Que ela nos motive a superar as barreiras que nos separam e a trabalhar juntos na construção de um futuro mais harmonioso, onde a compreensão e a solidariedade sejam os alicerces que sustentam a convivência humana.
Ao acendermos a vela com Luz da Paz de Belém, não recebemos apenas uma chama física, mas também assumimos um compromisso. Comprometemo-nos a ser portadores de esperança, agentes de paz e defensores dos direitos humanos nas nossas comunidades. A luz que recebemos de Belém não é apenas para iluminar nosso caminho, mas para ser partilhada, inspirando outros a unirem-se na construção de um mundo mais justo e pacífico. A luz que recebemos de Belém é para construirmos um mundo um pouco melhor do que aquele que encontrámos, como Baden Powell, fundador do Escutismo, nos pede.
É bom sentir aqui na Sé a presença desta família de audazes sonhadores de um mundo diferente. Ao Sr. Bispo, e demais agentes pastorais da igreja, às entidades autárquicas, militares e civis, às associações, serviços e comunidades um bem-haja, por se unirem nesta família de Luz.
Antes de terminar quero agradecer aos agrupamentos da área pedagógica Sul que animaram esta celebração.
À Maria e ao Pedro, do Agrupamento de Monte Redondo, que ontem, em Viana do Castelo, representaram a Diocese e que hoje trouxeram até nós a Luz da Paz de Belem.
Que a Luz da Paz de Belém, neste ano especial, nos motive a transcender as barreiras que nos dividem e a buscar ativamente a paz nossas relações, nas nossas comunidades e em todo o mundo. Que cada vela acesa seja um testemunho vivo do poder transformador da esperança e da união em prol de um futuro mais luminoso para toda a humanidade.
Em nome da JRLF do CNE desejar a todos um feliz e santo Natal.

Pedro Nogueira, Chefe da Região Escutista de Leiria-Fátima

Vídeos

Homilia de D. José Ornelas
https://youtu.be/9Q3xv0UDZWg
Intervenções do Presidente da Cáritas e do Chefe Regional do Escutismo
https://youtu.be/doBWdlCtA7w

Fotos

ÁLBUM FOTOGRÁFICO
https://flic.kr/s/aHBqjB6B6v

Partilha da Luz da Paz de Belém

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