Lectio divina para o XXXIV domingo comum (22/11/2020)

Estão hoje na moda as palavras líder e liderança. Aplicam-se à própria pessoa, à família, a um grupo, a uma empresa, ao desporto, à cultura, aos meios de comunicação e redes sociais, às autarquias, aos países, continentes e ao mundo.

Jesus Cristo, um líder inspirador e exigente

Estão hoje na moda as palavras líder e liderança. Aplicam-se à própria pessoa, à família, a um grupo, a uma empresa, ao desporto, à cultura, aos meios de comunicação e redes sociais, às autarquias, aos países, continentes e ao mundo. Referem-se à capacidade de inspirar, motivar, congregar e guiar outros em ordem a uma causa ou um objetivo, que se compartilha. Ser líder em algum âmbito é hoje um desejo muito difundido e uma ambição amplamente procurada na atual sociedade. Também na Igreja e na vida cristã se podem usar.

Na tradição bíblica e cristã, o conceito de líder está presente nas imagens e figuras do pastor, do rei, do profeta, do sacerdote, do mestre (rabi), do messias e do senhor. Jesus resume em si todas essas marcas, mas de uma forma original e paradoxal. Para ele, ser líder não é um estatuto social, é uma missão de amor aos homens e mulheres que encontra e quer tocar com a misericórdia de Deus. Lidera com todo o seu ser, relação e entrega de si mesmo até à morte e não somente com o que faz ou diz. 

Ser cristão é deixar-se inspirar, motivar e guiar por ele em toda a vida. Paradoxalmente, Jesus encontra-se em cada homem ou mulher, com especial predileção pelos mais frágeis. Respeitar, amar, servir e cuidar de cada próximo é entrar em misterioso encontro e comunhão com Cristo. O encontro e comunhão com ele na Eucaristia inspira e motiva para amar e servir os irmãos como ao próprio Jesus. Disso nos pede contas no final da nossa vida.

1. Invocação

Jesus, tu és o nosso líder e também juiz do nosso modo de viver.

Ilumina-nos, ensina-nos e encoraja-nos a amar e servir os irmãos.

Torna o nosso coração capaz de ver e se compadecer dos pobres e dos que sofrem, 

para não ficarmos cegos e indiferentes às suas necessidades. Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar um texto do Evangelho de S. Mateus. No Monte das Oliveiras, sentado, com os discípulos junto dele, falando sobre as “últimas coisas”, Jesus responde à pergunta deles: «Diz-nos quando acontecerá tudo isto e qual o sinal da tua vinda e do fim do mundo.» (Mt 24, 4). Mais do que satisfazer a curiosidade, adverte para a necessidade de se manterem fiéis, vigilantes e preparados para esse tempo. A sua palavra pretende revitalizar a fé dos discípulos e a sua vivência ao longo do tempo mediante o amor e cuidado para com os pobres e sofredores, através de obras de misericórdia. Esse é o caminho para o encontro com Jesus, que se identifica com os homens e mulheres mais frágeis e marginalizados, e para, finalmente, ouvir o convite a entrar na “vida eterna”.

2.2. Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (25, 31-46)

Jesus disse aos seus discípulos: 31«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.
34O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’
37Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ 40E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’
41Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ 44Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ 45Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ 
46Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

2.3. Breve comentário

O evangelho apresenta Jesus num cenário grandioso e de glória, como um grande líder diante do qual comparecem “todos os povos”. O relato tem três partes: na primeira, a chegada do Filho do Homem, a comparência de todos os povos e a separação dos homens; a segunda, o diálogo do rei com os que entram no reino e com os excluídos; a terceira, a conclusão que sintetiza e executa as distintas sentenças. Com claras referências aos profetas, Jesus aparece como um rei-pastor que julga os homens e os separa segundo a prática ou não das obras de misericórdia para com os seus irmãos mais vulneráveis. Esta grandiosa cena de juízo impede-nos de fazer fantasias sobre aquele dia e obriga-nos a conferir, em cada momento da nossa vida, se estamos a viver verdadeiramente em vista do encontro com Cristo, que se nos apresenta desde já nos pobres, doentes, presos… No encontro e na atitude para com cada homem decide-se, de certo modo, o nosso destino eterno de êxito ou de fracasso.  

“Está claro que este rei e juiz escatológico, que cumpre as profecias antigas, é Jesus de Nazaré, o crucificado, aquele que experimentou a fome, a nudez, a solidão, a dor. Este rei e Senhor, que se identifica com os pequenos e pobres, vive escondido e oculto “nestes seus irmãos mais pequeninos” (Lectio divina para cada día del año, vol. 13. p. 317). Jesus quer deste modo “inculcar-nos os meios concretos para sair vitoriosos na prova final da vida, quando toda a humanidade se encontre diante dele, como rei universal que restaura o seu Reino” (idem, 316-317). Sob a sua liderança, aprendemos tanto o caminho para Deus como a viver o amor e a fraternidade para com o próximo, especialmente o mais fraco, pobre e vulnerável. Ele não quer que ninguém seja deixado para trás, esquecido e abandonado. Para ele todos os homens e mulheres contam e os mesmo deve ser para os seus discípulos e para “todos os povos”.

Na celebração da Eucaristia, reconhecemos e aclamamos o nosso líder, Jesus Cristo. Cantamos várias vezes a sua glória, com grande alegria. No início, começamos por bendizer a Deus pela assembleia dos fiéis que se reúne “no amor de Cristo”. Não somos um qualquer ajuntamento familiar ou social, mas uma grande família de irmãos ligados pela fé e pelo mesmo amor do seu líder. Esta é a nossa identidade comunitária. Depois, no hino “glória a Deus na alturas”, a maior parte exalta Cristo, “Cordeiro de Deus”, “o Filho de Deus Pai”, “o Santo”, “o Senhor”, “o Altíssimo”, aclamando-o e proclamando a “paz na terra aos homens” por Deus amados”. Na liturgia da Palavra, vem a jubilosa aclamação “Aleluia”, seguida, após a proclamação do Evangelho, de uma outra: “Glória a vós, Senhor”. Também o “santo, santo, santo…” é proclamação da glória de Cristo que fazemos “cantando numa só voz”. Na conclusão da oração eucarística, tudo é conduzido para atribuir “toda a honra e toda a glória” a Deus Pai “por Cristo, com Cristo e em Cristo”. Na oração após o Pai nosso, exprime-se a nossa esperança na “vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador” e a assembleia conclui aclamando: “Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre”.  É, portanto, Cristo vivo que reconhecemos e aclamamos presente na celebração da Eucaristia. É ele quem, depois, nos convida para a sua “ceia”, oferecendo-nos o seu corpo e sangue em comunhão, vivendo em nós e realizando a nossa salvação pela união permanente com Deus. 

O reconhecimento de Cristo vivo, a aclamação que lhe fazemos e a comunhão com Ele na Eucaristia iluminam-nos para identificarmos e nos compadecermos das necessidades e aflições dos irmãos. Este encontro com o nosso líder e a força que dele recebemos move-nos e encoraja-nos à prática das obras de misericórdia para os servirmos como ao Senhor.

3. Silêncio meditativo e diálogo

 – Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Identificando-se como “Filho do Homem”, numa referência à sua humanidade que entrou na glória divina após a ressurreição, Jesus fala da sua vinda no fim do mundo como rei glorioso e um líder fascinante. Reconheço a grandeza de Jesus e ao mesmo tempo a sua proximidade de nós?

Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Jesus Cristo é um líder de todos os povos e congrega diante de si a humanidade interia, crentes e não crentes, bons e maus. Creio que Jesus veio e virá para todos, a fim de revelar o amor de Deus e lhes oferecer a salvação?

O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.  Na figura de rei, Jesus acolhe e convida e entrar no Reino eterno todos os que foram fiéis aos dons e inspirações de Deus. Com muita humildade e confiança, posso sentir-me neste grupo dos “benditos” do Pai do Céu, não por mérito meu, mas pela graça divina que vivo?

Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo. O critério para entrar no reino eterno é a prática da misericórdia com variadas obras concretas que levam cuidado, ajuda e dons aos irmãos sofredores nas suas carências e aflições. Como julgo e reajo perante os pobres, os doentes, os refugiados, os migrantes e os grupos mais frágeis da sociedade?

E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ Jesus identifica-se com os pobres, os doentes e os mais fracos, sem os julgar nem condenar. Reconheço essa presença e encontro-me com Ele nessas pessoas, quando as amo e ajudo?
 – …dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber…  Quem despreza, ignora e recusa fazer o bem ao seu próximo afasta-se de Deus e aproxima-se do diabo. Palavras sérias, estas! Será que também tenho caído nestas situações, pela minha indiferença e mau juízo dos pobres, dos presos, dos desempregados, dos que vivem na rua…?

…eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ Não é fácil, nem diante de Jesus, que nos apontem as nossas faltas. Sem verdadeira consciência delas, a primeira reação é negá-las. Jesus é quem nos ilumina a consciência e cura a nossa cegueira. Aceito e agradeço os reparos dos outros e costumo examinar a minha consciência todos os dias, para rever os meus comportamentos e orientação de vida?

‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ Jesus identifica-se com os carenciados, pelo que as falhas e indiferenças em relação a eles considera-as como feitas em relação a ele. Trato os meus irmãos como o faria diretamente a Cristo: se o visse na rua, correria para Ele? Por que não o faço em relação aos mais pobres e marginalizados? 

Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna. Jesus aponta duas possibilidades para o desfecho da nossa vida, na morte. Temo ser condenado eternamente ou vivo e empenho-me com confiança e zelo para nunca me afastar do meu líder e inspirador, Jesus Cristo? Procuro viver segundo o seu Evangelho?

“Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre”. A Eucaristia é uma celebração em honra de Jesus Cristo. Ele marca encontro regular com quem aceita a sua liderança, para congregar os seus, os instruir, motivar, fortalecer e enviar em missão. No ato litúrgico aclamamos Jesus e damos-lhe glória como Filho de Deus e nosso líder. A comunhão com Ele inspira e leva-nos a viver também a comunhão com os irmãos mais carenciados? Participo na Eucaristia com esta atitude e nela recebo o impulso e o amor com que olho, ajudo e cuido dos irmãos em maior necessidade?

4. Silêncio, oração e gesto

– Em silêncio, perguntando: Senhor, que queres dizer-me com esta palavra?, cada um procure escutar e descobrir dentro de si o que Jesus lhe ilumina, inspira ou sugere… 

Podem lembrar-se as palavras de Jesus neste evangelho e todas as pessoas que tenho encontrado e de que tenho ouvido falar ou tido notícia. Procuro perceber no meu íntimo o que Jesus Cristo me diz e ilumina para identificar os irmãos em necessidade e ir ao seu encontro, diretamente ou colaborando com outros na sua ação.

– Depois, com palavras ou algum gesto, cada um pode partilhar com os outros o que sentiu e o compromisso que assume. Podem dizer a que missa vão no domingo.

– Terminam, levantando as mãos e rezando juntos o Pai Nosso ou a aclamação: “Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus do Universo…”

(Se a família ou grupo quiserem, podem enriquecer o encontro com um cântico)

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