Lectio divina para o IV domingo do Advento

A palavra deixa de ser simplesmente uma noção abstrata, para ser expressão de Deus, para ser a Sua Palavra feita carne, tornada humanidade, frágil e tangível. N’Ela, Deus veio ao encontro de Maria e nela se fez homem. Na Sua Palavra, Deus encontra-se também hoje connosco, com o que somos, os nossos medos e inseguranças, tristezas e mágoas, mas também com as nossas alegrias e sonhos.

Acolher a Palavra que se faz carne

Breve introdução

Estamos na reta final do Advento e a celebração do Natal já está próxima. São dias intensos, que, este ano em particular, ganham uma densidade e pertinência acrescidas. Os acontecimentos de há 2000 anos remetem-nos para a ação salvadora realizada nesse então, mas projetam-nos também para a ação amorosa de Deus no hoje de cada um e de toda a humanidade, assim como nos abrem horizontes de esperança para o futuro.

Em tempo marcado pela distância e falta de expressão de afetos e gestos de carinho mais próximos, curiosamente, o nascimento de Jesus e tudo o que o antecede estão carregados de proximidade e encontro.

A palavra deixa de ser simplesmente uma noção abstrata, para ser expressão de Deus, para ser a Sua Palavra feita carne, tornada humanidade, frágil e tangível. N’Ela, Deus veio ao encontro de Maria e nela se fez homem. Na Sua Palavra, Deus encontra-se também hoje connosco, com o que somos, os nossos medos e inseguranças, tristezas e mágoas, mas também com as nossas alegrias e sonhos. Vem mostrar-se próximo, vem consolar e curar, mas vem também desafiar, pois, assim como contou com a colaboração de Maria, também hoje conta com cada um de nós.

Para isso, precisamos de abrir o coração ao encontro com Ele na Sua Palavra, dar-Lhe tempo, espaço… deixá-Lo entrar!

1. Invocação

Senhor, que outrora entraste na vida de Maria 
e tomaste a nossa carne humana,
faz que a Tua Palavra entre hoje no coração de cada um de nós.
Faz-nos escutá-La em profundidade,
dá-nos o dom de experimentar a consolação que Ela traz,
e torna-nos também disponíveis para Ela.
Como Maria, ajuda-nos a dizer sempre: ‘faça-se!’,
confiando plenamente em Ti e na bondade dos Teus planos para nós. Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um texto do Evangelho segundo São Lucas. 

O chamado ‘evangelho da infância’, os primeiros dois capítulos do evangelho de Lucas, giram à volta do anúncio e nascimento de João Batista e de Jesus, ligados pela visita de Maria a Isabel, quando ambas se encontram já grávidas. Estes dois capítulos caracterizam-se pela simplicidade e até pobreza da maioria dos intervenientes. Neles fica claro a intervenção de Deus na história, a Sua proximidade e o Seu desejo de oferecer a Sua salvação misericordiosa a todos, contando com a colaboração humana de pessoas concretas.

2.2. Leitura do Evangelho segundo São Lucas (1, 26-38)

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». 

2.3. Breve comentário

‘Naquele tempo’, assim começa o texto. Estas palavras, a que estamos tão habituados, contêm uma expressividade muito forte, pois sublinham a dimensão histórica do acontecimento: foi naquele momento preciso, com as suas particularidades e condicionalismos. Para isso, contribuem também as indicações geográficas e os locais mencionados. A figura do Anjo é uma representação do próprio Deus, que se aproxima do ser humano, para lhe trazer uma mensagem. A referência ao nome de Maria, a interlocutora central, não deixa de ser surpreendente aparecer apenas no final de todas as outras indicações e remete-nos para a dimensão da simplicidade e da pobreza da mesma. O encontro dá-se com contornos claros de intimidade, mas também de realismo, da situação dela, do que era e do que estava a viver naquele momento.

A primeira intervenção do anjo enfatiza a dimensão de encontro, precedido pela graça de Deus, pelo Seu olhar benigno e bondoso sobre ela, pela Sua força amorosa. Com a confiança que só Deus pode dar, é-lhe anunciado o plano extraordinário que Deus tem para a humanidade e que a envolve diretamente.

Maria indaga, tenta compreender e perceber como Deus levará a cabo tal projeto. É um diálogo, em que Deus fala, ela responde e Deus volta a responder… Nesse diálogo estão presentes, e em claro contraste, o plano grandioso de Deus, por um lado, e as limitações e fragilidades humanas de Maria, por outro. O diálogo chega a bom termo, pois ela confia na força de Deus. Não será ela a levar a cabo a obra, mas o próprio Deus, através do Seu Espírito, e com a colaboração dela. É nessa confiança que assenta o ‘faça-se’. Se Ele quer, se Ele pode, que assim seja!

Este encontro de Deus e Maria, para além de assinalar e narrar o momento decisivo da encarnação do Filho de Deus, é também um modelo do encontro de Deus com qualquer pessoa. É o modelo de qualquer lectio divina, celebração da Palavra ou da própria celebração eucarística: Presença, escuta, diálogo, resposta…

3. Silêncio meditativo e diálogo

 – Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus…

Também hoje, Deus vem ao encontro de cada um de nós. Independentemente de O procurarmos ou não, Ele toma a iniciativa. Tenho consciência deste desejo de Deus de se encontrar comigo? Valorizo a Sua Palavra, sabendo que é o próprio Deus que n’Ela está presente e por meio d’Ela me fala?

– …a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava…

Deixo-me encontrar por Ele? Escondo o que sou e o que vivo ou deixo que tudo isso faça parte do diálogo com Deus? Deixo que as dores e os sofrimentos dos que me rodeiam façam parte do meu diálogo com Ele?

– «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo… Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.»

Sinto-me agraciado, abençoado e amado por Deus?

– Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus….

Estou aberto a escutar o que Deus tem para me dizer? Desejo conhecer a Sua vontade para a pôr em prática? Falo com o Senhor sobre os meus medos e as minhas dúvidas?

– «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra… porque a Deus nada é impossível». 

Maria confiou na força de Deus. Acredito que Ele me dará a força necessária para tudo o que me pede e sugere?

– Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Naquele momento, Maria abriu-se plenamente ao dom e Deus pôde encarnar-se nela. Deixo que Deus conquiste o meu coração e me leve a querer fazer parte do Seu plano salvador? A Palavra escutada, acolhida e meditada, torna-se carne em mim?

4. Oração final e gesto familiar

– Em silêncio, cada um pergunta no seu coração: Senhor, que queres dizer-me com esta palavra? 

– Se a oração for feita em grupo ou família, cada um, com palavras ou algum gesto, pode partilhar com os outros o que sentiu e o compromisso que assume. 

– Podem ainda partilhar em que medida este texto os ajuda na forma de compreender o encontro com Deus na Sua Palavra, como reservar mais tempo para a Palavra de Deus e como valorizar mais a Liturgia da Palavra na Missa.

– Para terminar, podem rezar juntos o Pai Nosso e/ou entoar um cântico.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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